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Natalyia fez da experiência ajuda a quem chega ao país

Natalyia fez da experiência ajuda a quem chega ao país

Jornal i 20/06/2019 12:30

Chegou a Portugal em 2002 vinda da Ucrânia e hoje “vive o sonho” de ajudar migrantes. 

Faz 17 anos que Natalyia Bekh e o marido se mudaram de malas e bagagens da Ucrânia para Portugal. Só em 2005, e depois de muita burocracia à mistura, é que Natalyia conseguir ir à sua terra para trazer o filho para o país. Foi na Figueira da Foz que a família decidiu”construir a nova vida”. Hoje ajuda a reconstruir a vida de quem chega.

Nataliya era professora primária, mas com a chegada a Portugal e com a dificuldade do idioma, teve de se adaptar a novas condições. Rapidamente se apercebeu da grande concentração de emigrantes de países de leste naquela zona do país, “cerca de dois mil na altura”, e da procura por formas de aprendizagem da língua portuguesa. Este foi o primeiro contacto com migrantes em Portugal que tornou Natalyia Diretora Regional da Associação dos Imigrantes de Leste. “Tornei-me porta-voz dos migrantes, a defender direitos, a encontrar soluções na vida quotidiana dura...”.

“Descobri a minha vocação com a imigração: ajudar migrantes”. Foi com este propósito que Natalyia estudou intensivamente a língua portuguesa, acabou um mestrado em Administração Pública e começou o doutoramento em Sociologia Jurídica na Universidade de Coimbra. Natalyia tentou aprofundar os seus conhecimentos pois considerava que poderia “fazer algo mais” por uma área que “ainda está pouco desenvolvida”. Após concluir o mestrado desenvolveu um projeto-piloto de “Reinstalação de Refugiados”. Começou a dirigir o Centro de Instalação de Refugiados de Penela em que recebeu 20 refugiados da Síria e do Sudão. 

O fim deste projeto levou Natalyia, após ter adquirido o que julgava ser a “experiência cientifica necessária”, a partir para um empreendimento em seu nome, para continuar a acompanhar as famílias. Fundou em 2017 a associação Peaceful Parallel e apresentou ao Governo e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros um novo projeto para continuar a receber familias refugiadas. “O Governo aceitou e começámos a receber os primeiros refugiados em novembro de 2017”, conta. 
Ao longo dos últimos vinte meses, em que a associação procurou apoiar refugiados na inserção profissional e social de forma a rapidamente regressarem a um estilo de vida normal, “passaram pela mãos” da Peaceful Parallel 13 famílias, 94 refugiados de diferentes pontos do globo, sempre encaminhados pelo Estado. 

Natalyia diz que por norma recebem famílias numerosas, de sete a 12 elementos, em que pelo menos seis a nove são crianças, o que “dificulta” mais o trabalho. Uma das vertentes da intervenção passa por isso pela integração das crianças refugiadas nas diversas escolas da cidade de Coimbra. 

Natalyia conta com a colaboração de uma equipa fixa de seis elementos e com a participação voluntária de mais de 20 pessoas nas diversas tarefas e projetos que a associação realiza, baseados em modelos de intervenção ativos, participativos e viáveis. “Permitem encontrar as soluções e resolver problemas com uma eficácia superior às alternativas existentes”, resume Natalyia.

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