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Compra da TAP. Socialistas vão questionar administração sobre prémio da Airbus

Compra da TAP. Socialistas vão questionar administração sobre prémio da Airbus

Carlos Diogo Santos 20/06/2019 11:20

Além das reações de PS, CDS e PCP à notícia do Sol, também o STTAMP reagiu dizendo que vai pedir esclarecimentos à tutela. 

O Partido Socialista considera que é preciso esclarecer os contornos do prémio atribuído pela Airbus com a troca da pré-encomenda dos aviões A350 pelos A330 neo, sobretudo a utilização desses 70 milhões de euros por parte de David Neeleman para comprar a companhia aérea em 2015. 

“A confirmar-se tudo o que foi noticiado pelo Sol e pelo i, isso só reforça a nossa estranheza relativamente à forma como foi concluído o negócio de venda das participações que o Estado detinha na TAP ao grupo de David Neeleman, em circunstâncias que hoje são do conhecimento de toda a gente e ao qual sempre nos opusemos”, reagiu ontem o coordenador dos deputados socialistas na Comissão de Economia, Luís Testa.

Ao i, o deputado frisou ainda que a venda da TAP foi “um negócio feito à 25.a hora de um Governo de gestão”, o que significou “um negócio de alto risco, feito, no entender do PS, por um Governo sem condições para o fazer”.
Luís Testa considera que existem agora “questões que têm de ser colocadas à administração da TAP”, recordando que “a presença de elementos da administração na comissão de Economia já foi requerida e [que] aí haverá oportunidade de confrontá-los com aquilo que está a ser noticiado”. 

O prémio foi dado antes ou depois e foi ou não para a TAP? A questão fundamental, para o PS, é saber se o prémio foi mesmo usado por David Neeleman para comprar a sua parte da TAP ou se o prémio foi atribuído à própria companhia. Luís Testa afirma que, caso Neeleman tenha usado o dinheiro do prémio para comprar a companhia portuguesa, não tem “expressão para adjetivar a operação”. “Outra coisa diferente é, havendo um compromisso por parte do comprador da TAP perante o fornecedor de aviões, a atribuição de um prémio à TAP”, explica.

Concluindo que o PS tem de ter uma posição responsável em neste caso, dado que o objetivo é manter a estabilidade da TAP, o deputado esclarece que é preciso saber o que aconteceu. “Aquilo em que estamos concentrados é em fazer vingar o projeto da TAP. A AR, como órgão fiscalizador, deve saber o que aconteceu e nós estamos empenhados nisso”.
E aproveitou para deixar uma crítica ao CDS que, ontem, através do deputado Hélder Amaral, disse desconhecer esta operação e prometeu que irá questionar a administração da TAP: “Estranho é muitos dos que corroboraram essa tese virem agora indignar-se, como já tive oportunidade de ler no jornal i. Talvez seja uma questão de má consciência”.
Sobre a importância da TAP para Portugal e para o PS, bem como a necessidade de preservá-la, Luís Testa recordou até as palavras de António Costa. “O primeiro-ministro já teve oportunidade de dizer que, tendo em conta a sua posição geográfica, Portugal não tem condições de hoje terminar a TAP e amanhã abrir-se ao lado de uma outra companhia qualquer, como aconteceu no caso da Brussels Airlines”.  

Sindicato vai pedir esclarecimentos à tutela O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes da Área Metropolitana do Porto (STTAMP) reagiu também ontem à atribuição de um prémio por parte da Airbus a Neeleman, referindo que apesar das melhorias no que toca aos recursos humanos desde que a nova administração tomou posse, é preciso esclarecer a legalidade do processo de compra. 

“Entendemos que o Estado Português, por um lado enquanto acionista, por outro enquanto defensor do interesse público, tem a obrigação de fiscalizar e impedir práticas criativas desta natureza”, começa por referir o sindicato ao i, acrescentando que tendo em conta o que foi tornado público, é preciso acautelar que não aconteça à TAP o que aconteceu a outras empresas – “empresas que, no decurso dos processos de privatização, viram o património material, financeiro e de know-how delapidados com sérios e incomensuráveis prejuízos para o erário público e, por consequência, para os portugueses”. 

“O STTAMP, em natural sintonia com os trabalhadores da TAP, seus associados, considera de superior importância uma investigação séria e imparcial com vista ao apuramento de toda a verdade e verificação da legalidade e da legitimidade desta operação, sendo certo que, caso se verifique alguma irregularidade e/ou prejuízos para a empresa, tem de haver responsáveis pelos danos causados, o que deverá passar por uma reversão da privatização ou elaboração de um novo concurso com novos intervenientes”, refere a direção do sindicato.

Diz ainda o STTAMP que “nos últimos tempos [tem] vindo a assistir com muita preocupação à passividade com que o acionista Estado tem lidado com esta e outras situações do domínio público e estes factos”, deixando um aviso: “O STTAMP irá solicitar os devidos esclarecimentos à tutela”.

Tal como o i noticiou ontem, o CDS anunciou que vai também questionar o acionista privado da TAP e o PCP também já reagiu de forma crítica. 

A Atlantic Gateway pagou 354 milhões por 61% da empresa (dos quais só 10 milhões foram parar ao Estado). O atual Executivo conseguiu retomar uma posição de controlo na empresa, passando a deter 50% do capital, passando a Atlantic Gateway a deter apenas 45%.

O i pediu na terça feira uma reação ao BE e ao PSD sobre a utilização do prémio da Airbus na compra da TAP que, até ao fecho desta edição, não enviaram qualquer resposta.

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