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Passagens de nível. 2019 trágico está a ser exceção na redução das mortes

Passagens de nível. 2019 trágico está a ser exceção na redução das mortes

Carlos Diogo Santos 20/06/2019 10:41

Nos primeiros seis meses do ano, o número de mortos nas passagens de nível em Portugal duplicou face aos 12 meses de 2018. A tendência dos últimos anos é de redução da sinistralidade.

Os primeiros seis meses de 2019 foram trágicos no que toca a acidentes com vítimas mortais em passagens de nível. Desde o início do ano, as mortes já duplicaram as que foram registadas em todo o ano de 2018. E o número de feridos também já é o mesmo.

Segundo os dados oficiais da Infraestruturas de Portugal a que o i teve acesso, entre os dias 1 de janeiro e 19 de junho contabilizaram-se oito vítimas mortais e seis feridos. Do total de feridos, três foram classificados como graves e os restantes como ligeiros.

Os dados mostram que as vítimas mortais em sinistros nas passagens de nível aumentaram quando comparadas com as registadas em anos como 2018 e 2010. 

Este aumento contrasta com a redução da sinistralidade e do número de mortos que vinha a registar-se nos últimos anos.
No ano passado morreram quatro pessoas e houve seis feridos – num total de 22 acidentes. Em 2010, o número de mortos tinha sido bastante superior, havendo registo de 38 acidentes, dos quais resultaram 11 vítimas mortais e sete feridos. A tendência de decréscimo pode ainda ser reforçada se se olhar para o ano de 2000, em que o número de sinistros foi 124, tendo causado 28 mortos e quase meia centena de feridos.

Importa ressalvar que a contabilização do número de mortes tem em conta critérios idênticos aos dos acidentes rodoviários, ou seja, incluem as vítimas que morrem nos 30 dias após a ocorrência do acidente.

Redução de passagens de nível explica menos sinistros Em parte, esta diminuição de acidentes e vítimas pode atribuir-se a diversos fatores, entre os quais a diminuição do número de passagens de nível e as melhorias nas condições das que continuam a existir. Ao i, fonte oficial da Infraestruturas de Portugal afirma que a diminuição de passagens tem sido drástica.

“A Infraestruturas de Portugal tem vindo a fazer, ao longo dos anos, um trabalho continuado na supressão e/ou melhoria e reforço das condições de segurança nas passagens de nível”, refere, acrescentando que “em 2000, o total de passagens de nível na rede ferroviária era de 2494 e, em 2010, este valor foi reduzido para menos de metade (1107 passagens de nível)” 

Atualmente existem no território nacional 839 passagens de nível, ou seja, cerca de um terço das que existiam há 19 anos.

A análise dos acidentes feita pela Infraestruturas de Portugal não permite concluir que os mesmos tenham algum grau de relação com períodos do ano em que o fluxo automóvel aumenta, como é o caso de épocas festivas ou de meses em que, por força do regresso dos emigrantes, se regista um maior tráfego em determinadas zonas do país.

“Não foi identificada nenhuma relação direta entre o período do ano e o aumento ou diminuição do número de incidentes em passagens de nível”, explicou ontem ao i fonte oficial.

Os números oficiais apresentados referem-se apenas a casos de acidentes e mortes ou feridos decorrentes dos mesmos, sendo excluídas situações de suicídio.

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