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Gulbenkian. Petrolífera Partex vendida por 555 milhões de euros

Gulbenkian. Petrolífera Partex vendida por 555 milhões de euros

Bruno Gonçalves Sónia Peres Pinto 17/06/2019 16:07

Empresa tailandesa comprometeu-se a manter gestão, colaboradores e marca. Negócio foi concluído mais de um ano depois de fracasso com chineses. 

A Fundação Gulbenkian assinou um acordo para a venda da Partex com a PTT Exploration and Production (PTTEP), empresa pública tailandesa de exploração e produção de petróleo, por 622 milhões de dólares (cerca de 555 milhões de euros). A operação terá agora de ser “ser sujeita aos ajustes habituais nestas transações”, sendo que “o acordo seguirá agora o habitual processo de autorizações, que deverá estar concluído até final do ano”, revelou a fundação, em comunicado.

A ideia de alienação não é nova. A Fundação Gulbenkian já tinha anunciado a intenção de sair do negócio da exploração de petróleo, com ativos avaliados em cerca de 457 milhões de euros, para ser mais sustentável, um negócio criado em 1938 pelo seu fundador, Calouste Gulbenkian. A fundação chegou a avançar para um processo de venda a uma companhia chinesa, mas o negócio acabou por cair.

De acordo com o mesmo comunicado, a empresa tailandesa “compromete-se a manter a gestão e restantes colaboradores da empresa, bem como o escritório em Lisboa segundo os termos acordados para a transação”, bem como a manter a marca Partex.

António Costa e Silva, presidente da Partex, falou numa “mudança de ciclo”. “Estamos orgulhosos do passado, mas agora estamos com os olhos postos no futuro. Vamos trabalhar com o novo acionista com a mesma dedicação, lealdade e entusiasmo, para responder a todos os desafios e participar na transição energética contando sempre com a ajuda inestimável da nossa equipa”, aponta o gestor.

Já a presidente do conselho de administração da Fundação Gulbenkian garantiu que “a energia não pode estar fora de questão” dos planos de investimento ao defender que “é uma das questões de futuro”, afirmou Isabel Mota, em conferência de imprensa. 

Segundo a Fundação Calouste Gulbenkian, a PTT Exploration and Production (PTTEP) comprometeu-se a manter a gestão e os restantes colaboradores da empresa. “Valoriza a história única da Partex, a elevada qualidade do seu portefólio e a solidez da sua gestão e do seu ‘staff’”, tendo como objetivo “utilizar a Partex como uma plataforma de crescimento, alargando as relações que a empresa hoje detém nos países em que opera”, acrescenta no comunicado a fundação liderada por Isabel Mota.

A PTTEP é uma empresa pública, cotada na Bolsa da Tailândia, que integra o índice Dow Jones Sustainability. A operar desde 1985, tem 46 projetos petrolíferos em 12 países.

Negócio fracassado

A petrolífera Partex – detida a 100% pela fundação, representava em 2017 cerca de 18% dos ativos da Gulbenkian – esteve a ser negociada com o grupo chinês CEFC, mas em abril de 2018 foi anunciado o fracasso das negociações por “falta de condições”, anunciou, na altura.

No entanto, admitiu que ficava “inalterada a sua opção estratégica relativamente à nova matriz energética”, pelo que daria “continuidade ao processo de venda da Partex, tendo em conta os melhores interesses da Fundação e da empresa”.

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