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Braga. Um triângulo vencedor

Braga. Um triângulo vencedor

Joaquim Gomes 16/06/2019 10:11

O turismo está a mudar a face de Braga, não só da cidade e do seu centro histórico, como a zona envolvente do concelho, com destaque para o triângulo turístico-religioso do Bom Jesus, Sameiro e Falperra, alargando-se mesmo a concelhos vizinhos, na zona do Cávado.

Braga, a exemplo de Guimarães, deu um passo de gigante na captação de turistas, sendo o próximo desafio captar pelo menos uma dormida por cada turista que visita a cidade dos arcebispos, porque a regra é o visitante, hospedado no Porto, deslocar-se diariamente a cada uma das principais cidades periféricas.

O facto de a estação ferroviária desembocar ao fundo da área mais comercial de Braga, com acesso pedonal direto e em poucos minutos até ao centro histórico da cidade, tem facilitado as visitas curtas de quem dorme no Porto. A ligação rodoviária, que leva da autoestrada à principal artéria de Braga, ajudou a colocar já o concelho no mapa turístico, sempre com o Bom Jesus como um ponto de passagem quase obrigatório, para “ver Braga por um canudo”.

Com o aumento da procura turística, em grande parte devido a eventos no renovado Altice Forum Braga, além do alojamento local na cidade e do turismo de habitação rural à volta, estão agora prestes a ser construídos novos hotéis no centro. Ao mesmo tempo, restaurantes que ainda não há muitos anos tinham tendência a fechar à noite, passaram a ter no período noturno mais rentabilidade.

A Associação Comercial de Braga tem promovido o comércio tradicional, complementar aos centros comerciais, com concursos de gastronomia e iniciativas constantes, em articulação com o Turismo do Porto e Norte de Portugal, a par da Câmara Municipal de Braga, que aposta neste momento nas Festas de São João. A Semana Santa, porém, é um dos pontos altos, atraindo muitos forasteiros, com destaque para os espanhóis e em particular da vizinha região autonómica da Galiza.

Comerciantes satisfeitos

Luísa Moreira, do clássico quiosque situado na esquina junto à entrada principal da Sé Catedral de Braga, diz que o boom é notório. “O turismo tem crescido muito em Braga, especialmente de há um ano para cá, quase todos os dias temos aqui muitos polacos e muitos russos, muitos brasileiros em grupo. Os espanhóis também são muitos, mas vêm individualmente, param calmamente, enquanto os grupos é sempre a andar atrás de guias. Mas o importante é as pessoas visitarem a nossa cidade e animarem esta economia”.

Nem tudo são rosas. José Lopes, de 72 anos, natural e residente no casco urbano de Braga, não esconde a sua satisfação pelo crescente valor turístico da cidade e gosta de ver o interesse dos visitantes, mas chama a atenção “para a necessidade de evitar excessos, como os ruídos durante a noite, que incomodam quem aqui vive”.

Para este morador, Braga, que tem muitos moradores no centro, precisava de “mais vigilância policial, especialmente durante a noite, para prevenir os excessos e evitar que se entre em situações de rutura, como vemos noutras cidades, incluindo com o trânsito”. E dá um exemplo:“Ainda recentemente durante a noite o estacionamento era caótico e uma viatura dos Bombeiros Voluntários de Braga, em marcha de emergência, só não ficou retida porque os bombeiros saíram e arrastaram o carro que estava mal estacionado. São coisas que não se podem repetir”.

A PSP de Braga tem vindo a intensificar o patrulhamento, também no centro de Braga. Nesta época de verão, estão na rua agentes de bicicleta, que se deslocam com facilidade entre os fluxos pedonais e dão a assistência mais direta a quem precisa. Este mês de junho o Comando Distrital de Braga da PSP passará a ter no terreno pela primeira vez as Equipas de Prevenção e Reação Imediata (EPRI), com agentes que de uma forma mais musculada poderão acorrer a situações mais delicadas e permitir o reforço dos efetivos dos carros-patrulha.

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