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Algarve. O paraíso das areias douradas e águas turquesa a preço de saldo

Algarve. O paraíso das areias douradas e águas turquesa a preço de saldo

Bruno Venâncio 16/06/2019 09:57

Das quatro dezenas de prémios conquistados por Portugal nos World Travel Awards, dois foram especificamente para a região mais a sul do país: o Algarve. Famosa pela ampla oferta balnear, foi precisamente esse um dos troféus conquistados pela região algarvia: o de Melhor Destino de Praia Europeu; o outro, de Melhor Resort de Praia Europeu, teve como destinatário o Hotel Quinta do Lago, situado em Almancil, concelho de Loulé.

Se procurarmos no seio de um grupo de habitantes de qualquer cidade algarvia – principalmente nas zonas mais litorais –, é quase impossível não encontrar pelo menos um que contacte diretamente com turistas no seu local de trabalho. E são muitos os que têm mesmo a atividade profissional ligada diretamente ao turismo, nomeadamente no setor da restauração, da hotelaria e do comércio. 

Por essa razão, o i foi ouvir alguns testemunhos de quem lida diariamente com visitantes de todas as partes do mundo – com especial predominância para o Reino Unido, mas não só – e tentar perceber o que leva tantos milhares de turistas a procurar os prazeres da região algarvia. Convidamo-lo, caro leitor, a reservar o seu lugar nesta viagem.

O fator primordial é claramente o clima. “O bom tempo (quente e relativamente constante), ao contrário do que acontece na maior parte dos seus países, é decisivo para a sua escolha. Por vezes dizem-me que o tempo não está tão agradável como eles achavam que seria durante todo o ano, mas mesmo estando mais ‘frio’, isso não afeta a sua visita, pois nos países deles está ainda mais frio e chuva, pelo que acabam por aproveitar as suas férias na mesma”, ressalva Joana Martins, rececionista no Praia Verde Boutique Hotel, em Altura.

Hugo Jesus, cozinheiro no Restaurante Willie’s, em Vilamoura, corrobora e acrescenta o fator “gastronomia”, “bastante rica em termos de pescado e baixa em calorias”. “Temos como exemplo a evolução da dieta mediterrânica”, salienta, considerando também que a região tem “conseguido acolher turistas de todo o mundo e de diversas culturas sem perder a identidade”: “Esse é o nosso maior valor e é também uma das fortes razões para termos ganho este prémio mais um ano”.
As paisagens naturais são também outro dos aspetos decisivos para o fascínio que o Algarve exerce nos turistas. “Temos uma vasta costa, bastante diversificada, praias com falésias de paisagens dignas de postais e grandes extensões de areia fina e branca, com água com temperaturas razoáveis. Assemelha-se muito aos países tropicais, mas com preços mais atrativos”, considera Cátia Luís, lojista na Kozii, na Praia Verde, revelando a diversidade de oferta existente. “Portugal é um país rico em história, cultura e gastronomia, e acessível a todos os gostos e carteiras. Do mar à serra, do desporto ao descanso, a oferta noturna... esta região foi-se adaptando à evolução e necessidades do turista, ganhando cada vez mais nome e procura”, completa.

Joana Martins concorda e frisa a influência da publicidade, seja através de fotografias ou vídeos promocionais. “Ficam deslumbrados com as nossas praias, grutas, montanhas na parte mais interior”, refere, garantindo esperar mais clientes este ano do que em 2018, em que o mês de junho “mais frio e chuvoso” originou diversos cancelamentos nas reservas.
no topo da lista As praias, como não podia deixar de ser, foram outro dos aspetos mais salientados – caso contrário, como justificar o tal “Óscar” de Melhor Destino de Praia Europeu? “Temos das melhores praias a nível mundial”, dispara Vítor Calado, empregado de mesa no Restaurante Polvo & Companhia, em Santa Luzia (Tavira). A frase pode soar a pretensiosa, mas é partilhada por quem veste, de facto, a pele de turista no Algarve. “As praias são extensas e maravilhosas, com areia dourada e águas turquesa, e também com as formações rochosas, que são muito bonitas. Além disso, não me parece que sejam tão demasiado frequentadas como acontece em Espanha, por exemplo”, afirma Tora Abbott.

Tora tem 35 anos, é natural de Somerset, no sul de Inglaterra, e pode dizer-se que já viajou por este mundo... e o outro, tantos foram os países que visitou: Espanha, França, Holanda, Croácia, Bósnia, Itália, Malta, Gibraltar, Suécia, Dinamarca, Alemanha, País de Gales, Irlanda, Áustria, Bélgica, República Checa, Grécia, Eslováquia, Escócia, Polónia, Islândia, Tunísia, Marrocos, Estados Unidos, Canadá, China, Austrália, Tailândia e República Dominicana. E ainda vêm aí Hungria em julho e Roménia em outubro... “Trabalho como assistente social de crianças e tenho também um pequeno negócio de impressões. Sou eu que faço os meus horários e organizo-me de modo a conseguir fazer as horas necessárias antes ou depois dos dias para os quais reservei as férias. Tenho de ter cuidado com a escola das minhas filhas [16 e 14 anos], pois se faltarem mais de cinco dias pago uma multa de 60 libras [67 euros]; por isso, normalmente viajamos nas férias da Páscoa ou do verão, ou noutra altura que envolva faltarem só um ou dois dias”, explica ao nosso jornal.

Apesar de já conhecer 32 países, alguns dos quais já visitados várias vezes, Tora continua a colocar Portugal (e em especial o Algarve) no topo da lista. E revela porquê. “Estive em Vale de Carros há cinco anos e na Balaia [hotéis situados em Albufeira] em abril passado, e voltarei lá no próximo ano. Para mim, o principal motivo é o preço: é o destino mais barato e com garantia praticamente certa de bom tempo em qualquer altura do ano”, assume, dando um exemplo prático: “As férias que reservei para abril do próximo ano, com quatro noites para dois adultos e uma criança, voos, hotel e transfers de e para o aeroporto ficaram-me por 489 libras [550 euros]. É uma pechincha!”

Diversidade na oferta

A afluência mantém-se em alta, seja na zona mais oriental (Sotavento), seja na mais ocidental (Barlavento). “Sempre trabalhei mais com clientes ingleses ou alemães, mas agora há cada vez mais franceses, italianos, norte-americanos ou até canadianos. Cada dia se nota mais isso”, assegura Vítor Calado. Duarte Martins, funcionário do grupo Sonae em Loulé, confirma: “Noto cada vez mais turistas, e não só numa altura do ano. Não se arrependem da experiência porque supera as expetativas a nível da gastronomia, da paisagem, das praias e da simpatia que encontram nos portugueses, o que os leva a voltar ou transmitir esse feedback a familiares e amigos”.

“Nos últimos anos temos evoluído bastante no acolhimento, com uma oferta variada de turismo, seja rural ou balnear. Os turistas adoram o nosso país: as paisagens naturais, as pessoas, que são bastante acolhedoras, o clima e, acima de tudo, a gastronomia. Em tudo pensam que somos uns privilegiados e o desejo antes de partirem é o de voltar”, frisa Hugo Jesus, que espera este ano uma maior afluência de turistas “diferentes”. “Cada vez mais existe o turista que em vez de querer ir para um hotel e experienciar o luxo, quer estar inserido na nossa cultura, aprender os nossos costumes e aproximar-se da nossa tradição, que acredito ser a nossa maior riqueza”, salienta.

Há vários anos a tocar para os turistas nos bares da marina de Vilamoura, Tiago Lopes está bastante familiarizado com as razões que levam ingleses e irlandeses, acima de tudo, a procurar aquela zona de Portugal. “A diversidade de coisas que o nosso país tem para oferecer e com altíssima qualidade, tanto a nível gastronómico como paisagístico, o clima... se formos pensar bem, quantos países têm tudo isto para oferecer, com a qualidade que nós temos, em tantos parâmetros?”, realça, completando a ideia: “Vir para o nosso país, digamos que é um pack completo de tudo aquilo que se procura para férias, seja para um grupo de amigos ou para famílias com filhos”. 

Não será, por isso, de estranhar ouvir/ler frases como esta, do francês Laurent Chevalier, de 42 anos, cliente do Praia Verde Boutique Hotel pelo terceiro ano consecutivo: “Venho a Portugal todos os anos porque é um país lindo e seguro, com paisagem tão bela e tanto para ver. Há sempre alguma coisa nova para descobrir, o tempo está sempre tão agradável que é impossível sentirmo-nos tristes ou aborrecidos. Como ficar muito tempo longe do paraíso?”

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