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Lisboa. A cidade Onde os pés pisam arte

Lisboa. A cidade Onde os pés pisam arte

Rita Pereira Carvalho 16/06/2019 09:16

Em Lisboa, especialmente nos bairros da zona da Baixa, não é preciso dar mais do que três passos para ouvir uma língua diferente. E é precisamente da língua que todos falam. “Antes de chegarmos a Portugal, a primeira coisa que nos disseram foi que todos falam inglês. Era o único medo que tínhamos, porque não sabemos falar português”, diz-nos Elizabeth Thomsen, que chegou a Portugal há três dias para aproveitar a época das festividades dos santos populares.

Arte espalhada pelos cantos da capital As línguas são, de facto, uma arte que os portugueses dominam, mas não a única. Elizabeth está junto às escadas da Graça e não esconde o fascínio pela calçada portuguesa – essa simetria desenhada a preto e branco espalhada por toda a cidade. “Já deve ter ouvido isto, mas vocês andam em cima de arte todos os dias e isso nunca vi noutro país”, diz a inglesa de 47 anos. 

Arte e monumentos são das principais atrações dos turistas – desde o Mosteiro dos Jerónimos ao Castelo de São Jorge, sem esquecer o Museu Nacional de Arqueologia ou o Museu Nacional dos Coches. Os números falam por si:de acordo com a Pordata, desde 2012 até 2017 o número de visitantes estrangeiros duplicou – passando de dois milhões para mais de quatro milhões de entradas registadas só em espaços museológicos na área metropolitana de Lisboa.

Francisco Silva, professor na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, explicou ao i que “Lisboa é uma cidade que tem uma cultura muito enraizada e muito antiga”. E isso tem muito peso na escolha do destino de férias. A par da grande variedade dos museus, há outra grande questão que convence os turistas: é que “Lisboa é uma cidade muito pequenina e tem tudo muito próximo – muitas facetas, muitas realidades diferentes. Cada vez mais os turistas procuram a história, a diversão, a autenticidade, a experiência”, explica Francisco Silva. Por exemplo, comparando Atenas com Lisboa, as diferenças saltam à vista. “Atenas tem o centro e depois o resto é tudo muito agreste, muito pouco acolhedor. Em Lisboa, as pessoas chegam e têm as colinas de um lado e do outro, com as vistas magnificas”, diz o especialista em turismo.

É da facilidade nas deslocações que os turistas também falam. Sentados junto ao Tejo, no Terreiro do Paço, Myriam e Patrick Barone, um casal francês, confessa que os transportes em Lisboa são muito bons. Recordam a viagem que fizeram no dia anterior de comboio até Sintra e garantem que “Sintra é uma cidade magnífica e muito perto de Lisboa” – outro fator a favor da capital, já que não é preciso andar muito para encontrar realidades completamente diferentes. Francisco Silva fala também da versatilidade da cidade, razão pela qual este sítio está a conquistar os estrangeiros: “Muito próximo de Lisboa há uma variedade de coisas muito diferentes, como praia, a zona de Cascais, Sintra, a Arrábida, ou Óbidos”.

“Por exemplo, alguém que vai visitar Paris, não sai de Paris, alguém que vai visitar Londres, não sai de Londres, porque para sair é preciso percorrer grandes distâncias, enquanto em Lisboa basta apanhar a linha de comboio, e só a linha de comboio em si é simpática de fazer”, aponta o especialista.

“Um país tão pequenino com tanta diversidade” Sentadas numas pequenas escadas junto ao Terreiro do Paço estão cinco jovens inglesas. Apanham sol e recuperam da noite anterior – que foi a festejar o Santo António. “Viemos porque os voos são muito baratos e quando chegámos ao Airbnb disseram-nos que havia festas na cidade”, dizem. Os preços em Portugal ajudam a somar pontos na lista de preferências dos estrangeiros. Para os jovens, isso é muito importante e, claro, a cidade de Lisboa tem inúmeros Airbnbs – casas que se alugam ao dia e é muito mais barato do que ficar num hotel. “Os preços aqui são fantásticos, as bebidas são muito mais baratas do que em Londres”, diz uma das jovens de 23 anos. Sair à noite na capital é muito mais barato do que no norte da Europa – seja em bares, restaurantes ou discotecas. 

Turismo visto de dentro Em Lisboa, as opiniões dividem-se – há quem goste de receber turistas e há quem ache que o turismo está a atingir limites que já não são consideráveis. Os hotéis vivem do turismo e, por isso, quem lá trabalha agradece a chegada de pessoas dos quatro cantos do mundo todos os dias. Ana Abreu trabalha no bar de um hotel nos Restauradores e garante que os turistas adoram a cidade, mas que tenta sempre encaminhá-los para sítios que não constam nos roteiros. “Como é óbvio, recebo bem os clientes, gosto muito de falar e acho que é isso que os turistas gostam nos portugueses – a comunicação”, diz a jovem de 24 anos. 

Além das gorjetas que recebe diariamente, Ana recebe todos os dias propostas de trabalho e alguns clientes “são tão simpáticos” que até já lhe ofereceram “casa para ir passar férias em Manhattan”, conta. Por ser um hotel de cinco estrelas, os preços ultrapassam os 200 euros por noite. Ainda assim, “os estrangeiros acham barato e dizem que em Portugal se faz muito com pouco dinheiro”. “Uma vez disse-lhes que um quarto custa mais ou menos 300 euros e eles ficaram muito admirados e disseram que era muito barato e que era por motivos como o dinheiro que eles não se importavam de ficar cá a viver”. 

Os números relativos aos hotéis traduzem a adoração dos estrangeiros por Portugal. O Observatório do Turismo de Lisboa fez as contas e, segundo o relatório dos primeiros três meses do ano, as receitas turísticas cresceram 5,3% face ao período homólogo de 2017 e atingiram os 2733 milhões de euros. 

Nos hotéis, os turistas sentem-se bem, mas é fora das quatro paredes que se descobre a cidade. “A luz e o azul da cidade de Lisboa tornam a paisagem muito apelativa. É uma cidade que se fecha nas colinas e ao mesmo tempo se abre para o mar”, diz Francisco Silva.

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