20/9/20
 
 
Vítor Rainho 13/06/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Rota Final nas mãos de um procurador que já prendeu políticos

Portugal pode orgulhar-se dos novos ventos que sopram do Ministério Público, que não olha a quem para desmascarar os casos de corrupção. É natural que estas operações, no caso a Rota Final e a Teia, deem um retrato negativo dos políticos, mas se são acusados é por alguma razão, embora sejam inocentes até prova em contrário. 

No que diz respeito à Rota Final, eu, se estivesse na pele dos arguidos, ficava seriamente preocupado, já que o procurador que lidera as investigações é João Marques Vidal, o mesmo que conseguiu mandar para a cadeia Armando Vara e outros sucateiros na célebre Operação Face Oculta. O procurador que então se envolveu numa guerra com o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, não conseguiu que as escutas a Sócrates não fossem destruídas, mas levou ao banco dos réus muitas figuras, alguma das quais condenadas a penas efetivas, destacando-se os cinco anos de Armando_Vara, amigo do ex-primeiro-ministro. O principal suspeito, Manuel Godinho, veria a pena ser diminuída para 13 anos pelo Supremo Tribunal, mas teve tempo para se arrepender das tramoias que fez ao erário público.

Na Operação Rota Final, o nome mais sonante é o de Álvaro Amaro, eurodeputado do PSD e ex-presidente da Câmara da Guarda. É impressionante como, nos últimos tempos, autarcas do centrão, PS e PSD, são constituídos arguidos. Por essa razão, acredito que num futuro próximo esses dois partidos acabarão por ser penalizados nas urnas. Não será já nas próximas legislativas, mas estes supostos casos de corrupção corroem a credibilidade do PS e do PSD. Não significa isto que os outros sejam melhores – esperemos que todas as câmaras sejam investigadas de alto a baixo e que se comece um novo rumo neste país. A política precisa de novos ventos que acabem com as cunhas e compadrios. O Ministério Público, se não for amordaçado, poderá ter um papel fundamental nessa viragem de credibilidade, pois alguém que pense ir para a política para encher os bolsos poderá começar a pensar duas vezes antes de o fazer.

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