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Taça de África. Palancas Negras e Mabecos à sombra das pirâmides

Taça de África. Palancas Negras e Mabecos à sombra das pirâmides

Afonso De Melo 12/06/2019 19:15

Angola e Guiné-Bissau são os representantes da língua portuguesa na CAN-2019, que se inicia no Egito no próximo dia 21. Partem com ambições diferentes para uma festa de futebol colorido que não tem semelhante no mundo.

Tem o seu quê De estranho, é bem verdade, mas até os africanos se viram obrigados a obedecer à ditadura dos campeonatos dos grandes países da Europa, abandonando um isolamento de calendário que mantinham há anos e anos, como uma espécie de teimosia contra aqueles que foram os seus velhos colonizadores. Mas dinheiro é dinheiro e, no futebol, o dinheiro manda mais do que qualquer tipo de tradição, os próprios ingleses que o reconheçam, a despeito da sua farronca e arrogância que tantas vezes nos faz passar dos carretos, como gosta de dizer o povoléu, de Castro Roupal a Bensafrim.

Por isso, no dia 21 de junho, primórdios do verão, a 32.a edição da Taça de África das Nações, que lá por fora gostam de reduzir ao acrónimo de CAN (Coupe d’Afrique des Nations), será posta em marcha, com aquele colorido e alegria que poucas outras competições internacionais têm, e olhem que sei do que falo porque já estive presente em algumas nos mais diversos lugares, da Tunísia ao Mali.

A modernidade atingiu igualmente o esquema da competição, com uma fase final agora alargada a 24 equipas, com a final marcada para o dia 19 de julho, no Cairo. Inicialmente agendada para se realizar nos Camarões, a Taça de África foi entregue ao Egito pela CAF (Confederação Africana de Futebol) neste último mês de janeiro por via dos atrasos recorrentes no cumprimento dos cadernos de encargos pelos camaroneses. Isso não deixou os Leões Indomáveis, como são conhecidos, de fora de uma prova na qual surgem, geralmente, entre o grupo de favoritos, tal como acontece com o Egito (de Mohamed Salah, do Liverpool), o grande açambarcador de títulos continentais, com sete vitórias no bornal. Aliás, acrescente-se que em relação aos Camarões, estamos a falar dos campeões em título, já que conquistaram a última CAN, no Gabão, em 2017, batendo na final de Libreville os inevitáveis Faraós.

Claro que de cada vez que a Taça de África se disputa, os portugueses espreitam com maior curiosidade aquilo que fazem ou deixam de fazer os países de língua portuguesa, para não estar aqui a carregar o crapaud dessa tal CPLP que se dá ao luxo de ver Moçambique escapar pela porta da Commonwealth e continua a aceitar, sem rebuço, a estranhíssima presença de uma Guiné Equatorial que vive ainda na Idade Média da pena de morte.

Desta vez serão Angola e Guiné-Bissau os representantes do falar lusitano. Os angolanos estão encaixados no grupo E, juntamente com a Tunísia, o Mali e a Mauritânia; os guineenses, no grupo F, com Camarões, Gana e Benim.

Sortes diferentes É evidente que para a Guiné-Bissau, comandada por um natural de Catió, Baciro Candé, que passou como jogador pelo futebol português na posição de defesa central, no Estoril, Estrela da Amadora e Amora, por exemplo, e que conta com gente como Nadjack (Rio Ave), Nanú (Marítimo), Mamadu Candé (Santa Clara), Embaló (Palermo) ou Mendy (Vitória de Setúbal), a missão é mais do que complicada, havendo-se com dois gigantes como são os Camarões e o Gana.

Para os angolanos, vencedores do seu grupo da fase de qualificação, há suaves esperanças. Srjan Vasiljevic, o selecionador, também tem ao seu dispor jogadores com experiência de i Liga. Os avançados Mateus Galiano (Boavista), Gelson (Rio Ave) e Fredy (Belenenses) são, certamente, os mais facilmente reconhecíveis. Mas ainda há Vá, do Leixões, e o defesa Bastos, de nome completo Bartolomeu Jacinto Quissanga, que faz parte dos quadros da Lazio desde 2016. De resto, a grande maioria dos convocados divide-se entre o 1.o de Agosto e o Petro de Luanda.

Com o jogo de estreia marcado para o Estádio de Suez, no Suez, no dia 24 de junho, face à Tunísia, muitas das expetativas dos Palancas Negras assentam naquilo que poderão tirar desse primeiro confronto: qualquer ponto os deixaria na luta pelos oitavos-de-final. Com a Copa América a arrancar neste fim de semana, junho e julho irão ferver de futebol pelo menos exótico. Valha-nos isso.

 

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