19/9/19
 
 
Brexit. Começou a corrida à liderança dos conservadores

Brexit. Começou a corrida à liderança dos conservadores

Dreamstime João Campos Rodrigues 11/06/2019 10:10

Saiba quem são os 10 candidatos ao lugar de Theresa May. O vencedor poderá definir de que maneira o Reino Unido sairá – ou não – da União Europeia. A primeira ronda é dia 13 e os menos populares serão eliminados.

Boris Johnson Não há dúvidas que Boris Johnson é o candidato mais bem colocado para ganhar a liderança dos conservadores. O polémico ex-presidente da Câmara de Londres demitiu-se do seu posto como ministro dos Negócios Estrangeiros de Theresa May em protesto contra o acordo negociado entre a primeira-ministra e os líderes europeus. Não teve pudores em afirmar que defender o atual acordo “é tentar polir um cagalhão”, dado que este tornaria o Reino Unido um “Estado vassalo” da União Europeia. Johnson foi um dos principais promotores da campanha pelo ‘sim’ no referendo do Brexit, e diz que agora a melhor estratégia é aceitar a possibilidade de uma saída não negociada, de modo a pressionar a UE. Ameaçou não pagar a indemnização combinada, de mais de 40 mil milhões de euros, para cobrir o custos do Brexit. Garante que a probabilidade que esta abordagem leve a uma saída sem acordo é “muito, muito pequena”, apesar de haverem grandes dúvidas quanto a isso. Quanto à arena interna, Johnson já prometeu isenções para os escalões fiscais mais elevados, com um custo estimado de mais de 10 mil milhões de euros por ano.

Dominic Raab Além de Johnson, o outro grande campeão da ala mais eurocética do partido conservador é Dominic Raab, ex-ministro para o Brexit de May, pelos mesmos motivos de Johnson, criticando a suposta perda de soberania que vem com o acordo. Sob o mote: “Sou o Brexiteer em que podem confiar”, Raab colocou a possibilidade de pedir à Rainha o encerramento do Parlamento, caso este bloqueie uma saída não-negociada. Defende que neste cenário poderão usar os 40 mil milhões de euros que seriam pagos de indemnização para ultrapassar o período de transição. A sua abordagem à política interna é semelhante à de Johnson, representando a ala thacherista dos conservadores.

Michael Gove Desde o início que o ministro do Ambiente, Michael Gove, é visto como um candidato de compromisso. O facto de ter feito parte do Executivo de May, apesar de ter feito campanha pelo Leave, criou pontes com os apoiantes da primeira-ministra e os mais eurocéticos, algo essencial para minimizar os danos que as disputas internas têm causado ao partido. Contudo, a sua admissão de ter consumido cocaína (ver página ao lado) fragilizou a sua candidatura, bem como a crescente polarização causada pelo Brexit, que levou os hard-Brexiteers e os soft-Brexiteers a entrincheirar-se atrás dos seus candidatos preferenciais. A estratégia de Gove, de pedir mais um prolongamento do prazo limite da saída do Reino Unido da UE, marcado para 31 de outubro, de modo a tentar renegociar o acordo, foi rejeitado pelos líderes europeus repetidamente. Isto dificilmente agradará o público britânico, cada vez mais farto do caos em que o Brexit afundou o país. E muito menos agradará aos conservadores, que sofreram uma derrota humilhante nas eleições europeias na sequência desse caos.

Jeremy Hunt O ministro dos Negócios Estrangeiros de May, Jeremy Hunt, é outro dos proponentes de uma renegociação com Bruxelas. Assegura preferir uma saída com acordo, mas deixou claro que é melhor uma saída não acordada do que não haver saída. “Sem Brexit não haverá Governo conservador e talvez nem Partido Conservador”. Como é refletido no seu lema de campanha “unidos para vencer”, Hunt sempre foi crítico das tentativas de aproximação entre May e a oposição, preferindo olhar para a sua direita e negociar com os conservadores mais eurocéticos – que chumbaram sucessivamente o acordo de saída negociado pela primeira-ministra. Hunt mostra-se convencido que conseguirá que a UE aceite um acordo melhor que o de May – apesar de Bruxelas não dar nenhum sinal nesse sentido. A nível interno, é proponente de uma diminuição da taxação de grandes empresas, que quer baixar dos 17% previstos para 2020 para 12,5%.

Sajid Javid O foco do ministro do Interior de May, Sajid Javid, tem sido em conseguir alterações no acordo de saída negociado, em particular nas salvaguardas a uma fronteira terrestre na Irlanda. A manobra teria como objetivo seduzir os mais eurocéticos, que acusam as salvaguardas de ser uma maneira encapotada de que a política económica e comercial britânica continue a ser definida em Bruxelas. A grande proposta de Javid durante as negociações foi a de uma “fronteira digital”, com novas tecnologias como drones, que evitasse a necessidade de postos fronteiriços, algo que assegurou que poderia ser feito “num par de anos” – permitindo colocar nas salvaguardas um limite temporal ou mecanismos de saída unilateral. Para convencer os irlandeses, Javid propõe um “gesto grandioso”, como pagar pelas despesas, mas não é claro o que quer dizer com uma “fronteira digital”. Que de qualquer modo Bruxelas já rejeitou, não querendo pôr em causa o acordo de paz que pôs fim à guerra civil na Irlanda do Norte – que tem como condição a ausência de fronteiras físicas.

Andrea Leadsom Dois dias depois depois da demissão da líder parlamentar dos conservadores, Andrea Leadsom, May atirou a toalha ao chão e anunciou também sua demissão. Leadsom colocou em causa a vontade da primeira-ministra de levar a cabo o Brexit, devido à sua nova tentativa de aprovar um acordo de saída da UE no Parlamento, que incluía uma emenda que levaria a um segundo referendo, caso fosse aprovada. Agora, a antiga líder parlamentar dos conservadores promete um “Brexit gerido”, ou seja, aprovando apenas as medidas negociadas com a UE que possam passar no Parlamento. Está por saber se Bruxelas aceitará ou não um acordo aos pedaços – o que leva Leadsom a propor reforçar as contingências para uma saída não negociada, a 31 de outubro. No que toca à política doméstica, Leadsom rejeita as isenções fiscais propostas por outros conservadores.

Esther McVey A ex-ministra do Trabalho e das Pensões, Esther McVey, assegura que o Reino Unido precisa de uma “saída limpa” da União Europeia – um eufemismo para uma saída não acordada. Segundo McVey, essa saída seria nos termos da Organização Mundial do Comércio (OMG), apesar de praticamente nenhum país basear as relações comerciais apenas nas regras da OMG, dependendo de acordos bilaterais. Algo que o Reino Unido demoraria meses a conseguir após a saída, sem nenhuma garantia de ter condições vantajosas. Por isso, a ex-ministra não põe de lado escutar uma oferta vantajosa que seja feita pela UE, que segundo ela, caso seja “verdadeiramente confrontada com uma saída sem acordo”, poderá “afastar-se das suas posições fixas, ouvir, remover as salvaguardas e negociar um acordo de livre comércio”.

Mark Harper O ex-ministro da Imigração, Mark Harper, não tem o currículo isento de polémicas que seria de desejar. Demitindo-se do seu posto em 2014, quando se soube que empregava como empregada das limpezas uma imigrante sem documentos – apesar de ter levado a cabo uma política duríssima contra a imigração. Aliás, foi Harper que esteve por trás da polémica campanha contra a imigração ilegal que colocou anúncios em carrinhas a dizer “voltem para casa”. O ex-ministro já reconheceu que é um dos candidatos com menor probabilidade de chegar à liderança. Defende que se tente renegociar com a UE – mas que se saia sem acordo se não for possível.

Matt Hancock O ministro da Saúde rejeita a toda a linha a possibilidade de uma saída não negociada da União Europeia – portanto a escolha é entre sair com um acordo ou não sair de todo. Propõe uma saída com um acordo comercial já negociado entre Bruxelas e o Reino Unido, e o estabelecimento de uma comissão para procurar alternativas a uma fronteira física. Entretanto, recusou a proposta de suspender o Parlamento para conseguir o Brexit sugerida por Raab. “Não o aceitarei”, garantiu, notando que será o fim do Partido Conservador se optar por uma linha dura, à semelhança do Partido do Brexit, de Nigel Farage.

Rory Stewart A candidatura de Rory Stuart à liderança dos conservadores tanto é considerada uma demanda quixotesca, como sinal de caos e desintegração do partido. O ministro do Desenvolvimento Internacional é um reconhecido excêntrico, com um passado de diplomata no Iraque e no Afeganistão, mas também como aventureiro e autor de livros de viagem. Tem ganho um destaque inesperado nos media, em parte pela sua forma particular de fazer campanha, que envolve uma dose generosa de declamação de poesia, dirigindo-se aos cidadãos em comícios improvisados em locais públicos, convidando quem passe a debater com ele. Steward afirmou-se como opositor acérrimo de uma saída não-negociada, que considera “desnecessária” e até “catastrófica”. Propõe assembleias de cidadãos por todo o Reino Unido, para tentar chegar a uma solução. Se no Parlamento a discussão tem sido caótica, não é de esperar que seja diferente nessas assembleias, numa sociedade cada vez mais polarizada quanto ao Brexit. Contudo, a proposta de Stewart, de maior participação popular no processo do Brexit, tem ganho apoios face uma população cada vez mais preocupada como o seu futuro.

 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×