20/1/20
 
 
José António Saraiva 10/06/2019
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Tudo está bem quando acaba bem?

De facto, só os últimos cinco minutos de jogo foram bons. Durante o resto do tempo, a seleção portuguesa fez uma exibição medíocre, desgarrada, e aos 85 minutos mereceria estar a perder o jogo. 

PORTUGAL disputou ontem a final da Liga das Nações, num jogo a que não pude assistir por razões profissionais.

Espero que se tenha repetido o que aconteceu na meia-final contra a Suíça e que pode resumir-se na frase “Tudo está bem quando acaba bem”. De facto, só os últimos cinco minutos de jogo foram bons. Durante o resto do tempo, a seleção portuguesa fez uma exibição medíocre, desgarrada, e aos 85 minutos mereceria estar a perder o jogo. Dois golos de Ronaldo ao cair do pano salvaram a noite – e deram para que as televisões passassem o resto do serão a falar de Ronaldo, numa idolatria que roçou a infantilidade.

FERNANDO SANTOS ATÉ FOI CORAJOSO, contra o seu costume. Apostou numa equipa jovem e virada para a frente, dando a titularidade a Bruno Fernandes e João Félix, mas estes e os outros nunca se entenderam. A seleção nunca pareceu uma equipa – assemelhando-se antes a um bando de jogadores perdidos no campo, buscando uma bola que quase sempre lhes fugia. E, quando a conquistavam, depressa a voltavam a perder.

A meio da primeira parte, um livre bem pontapeado por Ronaldo ditou um resultado que ao intervalo era injusto para os suíços.

Na segunda parte, o árbitro fez justiça pelas próprias mãos, assinalando um penálti esquisitíssimo contra Portugal que deu o empate. E tudo se encaminhava para o prolongamento quando Ronaldo, com dois remates exemplares, fez o 3-1 e acabou com os suíços.

NUM JOGO EM QUE TODA A GENTE queria ver João Félix e Bruno Fernandes, quem apareceu foi Cristiano Ronaldo. Que também não teve uma “noite de sonho”, como se disse. Falhou muitos passes e até receções de bola – mas marcar três golos num jogo é sempre um feito. Terão sido três pontapés de raiva, vingando-se talvez da acusação de “violação” nos EUA, conhecida nesse dia.

Quanto aos dois novatos, Bruno Fernandes esteve muito abaixo do seu normal, falhando inacreditavelmente passes e centros mas, ainda assim, procurou meter-se dentro do jogo e puxar pela equipa. Mas Félix nem isso: o benjamim foi uma nulidade. A sua exibição deve ter posto os cabelos em pé ao empresário Jorge Mendes, que o quer vender por 120 milhões.

ORA, A PRETENSÃO ou é uma loucura ou é uma mentira. Quem dá 120 milhões por um jovem de 19 anos que só jogou metade da época na equipa principal e, ainda assim, num campeonato pouco qualificado como o português? Se alguém o fizer, é um ato de má gestão. Aliás, a apagadíssima exibição de Félix contra a Suíça lança esta dúvida: será que ele se encaixa num sistema de jogo diferente daquele que o Benfica usa? Será que ele rende noutro campeonato e noutra equipa, com uma maneira diferente de jogar?

É uma pergunta inquietante, mas legítima. Devo dizer que ficaria surpreendido se o Benfica o vendesse por mais de 70 milhões. Seria muito bem vendido…

 

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