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Gigante farmacêutica recusa investir em medicamento que reduz risco de alzheimer em 64%

Gigante farmacêutica recusa investir em medicamento que reduz risco de alzheimer em 64%

Dreamstime Jornal i 06/06/2019 16:16

Verificar com exatidão os efeitos secundários do Enbrel, custaria quase 71 milhões de euros. Após anos de discussão, a farmacêutica decidiu que investigação futura não devia ser feita.

Uma equipa de investigadores da farmacêutica Pfizer fez uma descoberta inédita há quatro anos: um medicamento usado para tratar a artrite reumatoide ativa moderada a grave, em adultos, e a artrite idiopática juvenil reduz o risco da doença de Alzheimer em 64%.

Os resultados são oriundos da análise de milhares de reclamações de seguros. Sublinhe-se que, verificar com exatidão os efeitos secundários do Enbrel, custaria cerca de 80 milhões de dólares (quase 71 milhões de euros). Após anos de discussão, a farmacêutica decidiu que investigação futura não devia ser feita e que os dados recolhidos, acerca dos benefícios do fármaco para quem padece de Alzheimer, não deviam ser divulgados.

De acordo com o Washington Post, investigadores da divisão de inflamação e imunologia da empresa pediram à mesma que conduzisse variados ensaios clínicos. Mas, depois de três anos de “revisão interna”, a Pfizer concluiu que “o medicamento não atinge diretamente o tecido cerebral” e, deste modo, a probabilidade de sucesso “seria reduzida”. Para além disso, explicou também ao órgão de comunicação norte-americano que as descobertas estavam preparadas para divulgação científica, porém, “não correspondiam a critérios científicos rigorosos”.

Ao Washington Post, o porta-voz da companhia, Ed Harnaga, avançou que “a ciência foi o fator determinante para que as investigações não seguissem em frente”. “Claro que devem continuar. Porque não?” esta é a opinião de Rudolph E. Tanzi, professor na Universidade de Harvard, sobre o término do trabalho na medida em que podem surgir pistas relevantes no que diz respeito ao combate à doença. Por outro lado, Keenan Walker, professor assistente na Universidade Johns Hopkins, esclareceu que “independentemente dos resultados serem positivos ou negativos, a investigação pode conferir informação para que se tomem decisões mais informadas”.

No ano passado, a Pfizer anunciou que encerraria a sua divisão de neurologia, onde trabalhavam 300 investigadores.  Segundo estimativas da Alzheimer Europe, existem cerca de 182.526 pessoas com demência, em Portugal. Por outro lado, 7 milhões e 300 mil europeus sofrem de uma das várias formas de demência. Anualmente, 1 milhão e 400 mil europeus desenvolvem demência – a cada 24 segundos, um novo caso é diagnosticado.

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