22/11/19
 
 
Vítor Rainho 06/06/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Loja do Cidadão e transportes. Pobre país

Caos nos transportes públicos? “Isso é um disparate”, responde Matos Fernandes, estando de certeza a referir-se às bicicletas elétricas ou às trotinetas.

Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética, é um homem que tem lidado muito com o primeiro-ministro e, por isso, é natural que seja um otimista convicto. Caos nos transportes públicos? “Isso é um disparate”, responde Matos Fernandes, estando de certeza a referir-se às bicicletas elétricas ou às trotinetas, pois no que diz respeito aos transportes públicos propriamente ditos, o ministro deve viver noutro país e goza com os utentes e com o seu colega de Governo que pediu desculpa às pessoas pelo péssimo serviço prestado pelos barcos que ligam a Margem Sul à capital. Quando os responsáveis da Fertagus, empresa detentora dos comboios que ligam as duas margens, já admitiram publicamente que tiveram de retirar bancos para caberem mais utentes, o ministro continua na sua.

“Não é por dizer que há o caos que há o caos. Não há caos coisíssima nenhuma”, respondeu Matos Fernandes a André Silva no Parlamento, depois de o deputado do PAN ter afirmado o contrário. Matos Fernandes pode perceber muito de ambiente mas de transportes, pelos vistos, percebe muito pouco e bem pode querer dizer muitas vezes a mesma mentira que ela não vai tornar-se verdade. Digamos que Matos Fernandes está na mesma camisa-de-forças que as ministras da Justiça, Presidência e da Saúde, que se debatem também com problemas gravíssimos. Portugal, por muito que doa a muito boa gente, faz lembrar um país do terceiro mundo no que diz respeito aos serviços públicos. Renovar a carta de condução ou o cartão de cidadão é um verdadeiro inferno, e nem mesmo os avanços tecnológicos que avisam os interessados de que devem antecipar a renovação em dois meses trazem grandes benefícios. Alguém já contabilizou os milhares de euros que se perdem por causa deste caos? De negócios que não são feitos por falta de documentação em dia, de pessoas que perdem dias de trabalho à espera nas imensas filas?Quanto à saúde, talvez Marta Temido possa copiar o seu colega Matos Fernandes e dizer que não existe nenhum caos. Pode ser que algum médico os ajude nesse delírio. 

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