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Tiananmen. UE pede libertação dos presos e condena silêncio

Tiananmen. UE pede libertação dos presos e condena silêncio

AFP Sónia Peres Pinto 05/06/2019 09:37

Também Mike Pompeo recordou, 30 anos depois, os “heróis do povo chinês”. A declaração foi mal recebida e levou a China a considerá-la uma “afronta e uma grave violação do direito internacional”.

Trinta anos depois do massacre de Tiananmen, a União Europeia veio reclamar a libertação das pessoas detidas durante “os protestos pacíficos pela democracia” na Praça de Tiananmen, em Pequim, e lamentou o silêncio das autoridades chinesas sobre os acontecimentos de 1989.

A alta representante da UE para a Política Externa revelou que “os números exatos daqueles que morreram e que foram detidos em 4 de junho de 1989 e na repressão que se seguiu nunca foram confirmados e poderão nunca vir a ser conhecidos”, lamentando que, ainda hoje, Pequim não reconheça estes acontecimentos. “O reconhecimento desses eventos e dos mortos, detidos ou desaparecidos em ligação com os protestos de Tiananmen é importante para as gerações futuras e para a memória coletiva”, disse Federica Mogherini no comunicado divulgado em Bruxelas por ocasião do 30.o aniversário da repressão sangrenta dos protestos.

Mogherini diz então que “a UE espera a libertação imediata dos defensores dos direitos humanos e advogados detidos ou condenados por ligações a esses eventos ou às suas atividades em defesa do Estado de direito e democracia, incluindo Huang Qi, Gao Zhisheng, Ge Jueping, o pastor Wang Yi, Xu Lin e Chen Jiahong”. E foi mais longe: “Continuamos hoje a assistir a uma repressão da liberdade de expressão e de associação e da liberdade de imprensa na China”, chamando ainda a atenção para o facto de os direitos humanos serem “universais, indivisíveis e interdependentes”.

China aponta dedo Também ontem, a China acusou Mike Pompeo de se intrometer na política interna chinesa, depois de o secretário de Estado norte-americano ter recordado o 30.o aniversário da sangrenta repressão do movimento pró- -democracia de Tiananmen. Um porta-voz chinês afirmou em comunicado que a declaração de Pompeo “interfere grosseiramente” nos assuntos internos da China e é “uma afronta ao povo chinês e uma grave violação do direito internacional”.

O secretário de Estado norte--americano recordou os “heróis do povo chinês que se levantaram corajosamente há 30 anos na Praça Tiananmen” para exigir reformas políticas e pediu a Pequim que publique um balanço dos mortos e dos desaparecidos, afirmando que, “nas décadas que se seguiram, os EUA esperavam que a integração da China na comunidade internacional levasse a uma sociedade mais aberta e tolerante”. No entanto, garantiu, “essas esperanças desapareceram”.

O certo é que o número exato de pessoas mortas continua a ser segredo de Estado mas, segundo as Mães de Tiananmen – associação não governamental constituída por mulheres que perderam os filhos naquela altura –, já se identificaram mais de 200.

Ainda esta terça-feira, um jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) sugeriu que a sangrenta repressão do movimento pró-democracia de Tian-anmen tornou a China “imune” à agitação política, numa rara referência sobre os eventos ocorridos há 30 anos.

Recorde-se que, na noite de 3 para 4 de junho de 1989, os tanques do exército chinês irromperam pela Praça Tiananmen e acabaram com sete semanas de protestos pró-democracia, liderados por estudantes. Os protestos ganharam força durante maio de 1989, pouco após a morte do líder reformista Hu Yaobang, que dividiu a hierarquia do Partido Comunista (PCC) em fações.

O Global Times, no seu editorial, considerou que o massacre representa um “evento histórico esquecido”, face ao espetacular desenvolvimento económico do país. “Desde aquele incidente, a China tornou-se a segunda maior economia do mundo, com acelerada melhoria dos padrões de vida”, afirmou.

 

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