25/8/19
 
 
Carlos Zorrinho 05/06/2019
Carlos Zorrinho
opiniao

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Cartão verde

O eleitorado atribuiu um cartão verde explícito ao projeto europeu e um cartão verde implícito à governação em Portugal.

Por ocasião das recentes eleições para o Parlamento Europeu, um pouco por toda a União Europeia, os populistas e os nacionalistas pediram um cartão vermelho à parceria europeia, enquanto os eurocéticos reivindicavam cartões amarelos de tonalidades diversas. Em Portugal foram também muitos os cartões amarelos pedidos ao eleitorado para enfraquecer o Governo em vésperas de legislativas. A soberania e a sabedoria dos eleitores atribuíram, contudo, em ambos os casos, um cartão diferente. Atribuíram um cartão verde explícito ao projeto europeu e um cartão verde implícito à governação em Portugal.

Um cartão verde é, à partida, algo positivo mas que constitui ao mesmo tempo uma enorme responsabilidade para quem o merece. Da forma como os líderes europeus e as suas instituições, por um lado, e o Governo português, por outro, souberem interpretar o cartão recebido dependerá muito do futuro próximo da parceria europeia e do nosso país.

No domínio nacional, o PS foi lesto ao definir as prioridades para a próxima legislatura e a lançar um debate alargado sobre as medidas para as concretizar. Os quatro D do desafio de ação lançado pelo Partido Socialista, focado na Descarbonização, na inversão Demográfica, na transição Digital para as pessoas e para a melhoria da qualidade dos serviços e no combate às Desigualdades, apoiado pelo capital de confiança adquirido ao longo da presente legislatura, torna possível, depois da ousada e inovadora abertura do arco da governabilidade a todo o hemiciclo, abrir agora o arco da participação cidadã alargada na preparação e na concretização do próximo ciclo governativo.

No plano europeu, a inexistência de um bloco maioritário óbvio segundo os padrões de leitura tradicionais abre possibilidades de soluções menos matizadas pelas arreatas do passado e mais ancoradas na afirmação da União Europeia como um árbitro e como um referencial no novo impulso de sustentabilidade de que o globo necessita e pelo qual a humanidade anseia.

Até à cimeira de líderes aprazada para 20 e 21 de junho, muitos nomes e combinações vão ser testados, noticiados, ponderados. O essencial, contudo, será o sumo político que verter do equilíbrio definido e a sua capacidade de responder ao que os europeus mostraram maioritariamente desejar: o fim da austeridade e a retoma do investimento sustentável focado na qualidade de vida, nas alterações climáticas e na descarbonização como mecanismos de afirmar a voz da União Europeia num mundo em conflito comercial e reconfiguração geopolítica.

Para uma União Europeia cristalizada por décadas de atrofia, sobretudo no plano da visão mobilizadora para o futuro, o cartão verde recebido é uma enorme oportunidade. Por isso, mais do que encontrar uma solução criativa e dinâmica de governação, os líderes europeus, em articulação com o Parlamento e com as instituições que serão renovadas, terão de ser capazes também de propor aos europeus uma visão de futuro capaz de juntar vontades e energias. Um cartão verde exige um desafio verde que conduza a uma resposta verde. A um futuro melhor e a uma nova esperança para a parceria europeia e para a humanidade.

 

Eurodeputado

 

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