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Crise no PSD. Pinto Luz dá o tiro de partida, Moreira da Silva já está no terreno

Crise no PSD. Pinto Luz dá o tiro de partida, Moreira da Silva já está no terreno

Miguel Silva José Cabrita Saraiva 03/06/2019 14:38

Alerta de Marcelo sobre crise na direita precipitou contagem de espingardas. Miguel Pinto Luz e, de forma mais discreta, Jorge Moreira da Silva já iniciaram movimentações para apear Rui Rio após as legislativas.

O vice-presidente da Câmara de Cascais e ex-líder da distrital de Lisboa dos sociais-democratas atacou a oposição frouxa do presidente do PSD, considerando, porém, que Rio deve conduzir o partido até às legislativas de outubro próximo.

Miguel Pinto Luz, que conta com o apoio de Miguel Relvas, marcou terreno na corrida à liderança dos sociais-democratas. Não é a primeira vez que o faz. Já manifestara a intenção de concorrer aquando do anúncio da saída de Pedro Passos Coelho, mas acabaria por não concretizar a candidatura nas diretas que colocaram frente-a-frente Rui Rio e Pedro Santana Lopes.

Em janeiro, quando Luís Montenegro, secundado pelo ex-líder parlamentar Hugo Soares, pôs em causa a liderança de Rio e o líder apresentou uma moção de confiança no Conselho Nacional do partido, Pinto Luz manteve-se à margem.

E só agora quebrou o silêncio, com uma entrevista ao DN/TSF em que considerou o desempenho do PSD nas eleições europeias do passado dia 26 de maio “muito fraco”.

Questionado sobre o assunto, o vice-presidente da Câmara de Cascais disse que “não esperava que o resultado fosse tão baixo”, até porque considera Paulo Rangel, “de todos os cabeças-de-lista que se apresentaram nestas eleições, o mais bem preparado para desempenhar o lugar”.

No seu entender, o problema do PSD não é contudo meramente conjuntural, mas de fundo. Visando sobretudo o Governo, Pinto Luz não deixou de lançar farpas à direção de Rui Rio: “O PSD, de alguma forma, não tem sido capaz de dizer bem alto e de tornar clara a desgovernação deste governo socialista. Tem sido, de facto, um desgoverno para este país, e o PSD tem sido parco, tímido, diria eu, em tornar clara essa má governação”.

Moreira da silva intensifica contactos

Entretanto, se Paulo Rangel hipotecou, com a derrota nas europeias, todo o capital que tinha para concorrer à liderança do partido nos próximos tempos e se Luís Montenegro tem estado remetido também a prudente recato desde o Conselho Nacional de janeiro, quem tem feito trabalho de terreno e intensificado os contactos com as bases sociais-democratas, ainda que de forma sempre discreta, é o ex-ministro Jorge Moreira da Silva.

Sucessor de Pedro Passos Coelho na liderança da JSD, Moreira da Silva foi ministro do Ambiente do Governo Passos-Portas e tem a seu favor o discurso e o vasto currículo internacional em torno das questões ambientais, em que os sociais-democratas reivindicam uma liderança histórica – desde os tempos de Carlos Pimenta e de Macário Correia – mas que tem sido totalmente desconsiderada pela direção de Rio. Com as alterações climáticas a ganharem cada vez maior protagonismo mediático e espaço político – como ainda agora se viu nas europeias, com a subida das forças ecologistas –, a experiência do antigo presidente da JSD dá-lhe uma mais-valia de relevo.

O favorito de Marcelo

Outra personalidade que não afasta a hipótese de uma candidatura à sucessão de Rui Rio é o ainda comissário europeu, Carlos Moedas, uma das poucas figuras de destaque do partido que estiveram no quartel-general social-democrata na noite das eleições, num hotel no Porto.

Moedas é um dos nomes de que se fala. Há mesmo quem diga que é o comissario em fim de mandato era o homem que Marcelo Rebelo de Sousa gostaria de ver a liderar o próximo ciclo do centro-direita.

Nesta sexta-feira, numa conferência na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) – agora presidida pela ex-chefe de gabinete de Antonio Costa, Rita Faden –, o Presidente da República comentou os resultados das eleições europeias, considerando que a esquerda ficou “muito mais forte do que a direita”. Marcelo antecipa mesmo uma forte crise para o centro-direita e para a direita “nos próximos anos”, falou da crise interna que atravessa o principal partido da oposição e da “impossibilidade de diálogo” entre PSD e CDS. Rio não perdeu tempo a reagir ao comentário: “A crise não está só à direita, a crise está no regime como um todo”.

Para os sociais-democratas ouvidos pelo i, a análise do Presidente – que muitos consideram ter-se excedido – precipitou a contagem de espingardas para o dia seguinte às legislativas de outubro. Na entrevista ao DN e TSF Pinto Luz disse que Rio “tem condições para ganhar as próximas legislativas”. Mas a verdade é que ninguém na direita parece estar realmente convencido disso.

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