20/8/19
 
 
José Cabrita Saraiva 03/06/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Maldita velocidade

Não faria sentido as autoridades, em vez de fazerem operações stop para cobrarem dívidas ao fisco e outras coisas do género, andarem mais na rua para apanharem estes homicidas em potência? É que só não os vê quem não quer.

A final da Liga dos Campeões deste ano, uma das mais aborrecidas de que há memória, começou com um momento emocionante - porventura o mais emocionante da noite: a despedida a José Antonio Reyes, antigo jogador do Benfica e do Atlético Madrid, que morreu na estrada precisamente no sábado. Reyes não foi a primeira nem a última vítima da sacramental apetência dos futebolistas por carros desportivos.

Há 16 anos, pouco depois de ter protagonizado a transferência mais cara da história do futebol, Gianluigi Lentini sofreu um aparatoso acidente quando o seu Porsche 911 se despistou a alta velocidade nos arredores de Turim. Apesar do seu apelido, Lentini não era lento, pelo contrário. O seu treinador, Fabio Capello, descreveu-o como “rápido, forte, físico”. Mas o acidente deixou-o numa cadeira de rodas.

Se o excesso de velocidade é um problema quase generalizado, por cá assume proporções preocupantes. Na semana que passou quase todos os dias foram noticiados acidentes brutais, sendo o mais impressionante o de um jovem estudante que invadiu a faixa contrária num despique com outro carro, na Covilhã. Na sequência de um choque frontal, o seu BMW ficou literalmente partido em dois.

Quem anda na estrada a velocidades moderadas vê com frequência situações deste género, acidentes à espera de acontecer, automóveis que seguem claramente à margem da lei, a velocidades, por exemplo, na ordem dos 150/160 km/h em zonas onde o limite é de 80. Não faria sentido as autoridades, em vez de fazerem operações stop para cobrarem dívidas ao fisco e outras coisas do género, andarem mais na rua para apanharem estes homicidas em potência? É que só não os vê quem não quer.

Ainda há dias fiquei arrepiado quando, numa estradinha fora de Lisboa, um carro “kitado” passou por mim em sentido contrário a uma velocidade em que qualquer deslize seria fatal... para ele e para quem tivesse a infelicidade de estar no seu caminho.

José Antonio Reyes também não estava sozinho no carro quando um pneu rebentou. Com ele iam dois primos, que obviamente morreram. A 237 km/h dificilmente o desfecho podia ter sido outro.

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