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Liga dos Campeões. O gigante adormecido e o provocador silencioso

Liga dos Campeões. O gigante adormecido e o provocador silencioso

DR Bruno Venâncio 31/05/2019 20:34

O Liverpool soma cinco conquistas, mas nenhuma desde 2005 – e Klopp já perdeu duas finais; o Tottenham está pela primeira vez no jogo decisivo e sem qualquer pressão.

Está aí a tão desejada final, aquela por que todos os profissionals de futebol anseiam e sonham. Frente a frente, duas equipas inglesas, ambas protagonistas de reviravoltas inacreditáveis nas eliminatórias anteriores: o Liverpool frente ao Barcelona (4-0 depois de perder por 3-0 na primeira mão, no Camp Nou), o Tottenham perante o Ajax (2-3 em Amesterdão, após um desaire por 1-2 em Londres). Responsabilidade maior para os reds, que repetem a presença no jogo decisivo um ano depois de ter caído em Kiev aos pés do Real Madrid (1-3); expetativa para ver a resposta dos spurs, completos underdogs que foram etapa a etapa afastando favoritos até chegar pela primeira vez na sua história ao momento de todas as decisões.

Em Madrid, no Metropolitano (casa do Atlético), o foco incidirá principalmente no carismático Jurgen Klopp, técnico que chega à final da Liga dos Campeões pela terceira vez na carreira. Antes da época passada, tinha já sido finalista em 2012/13, então ainda ao comando do Borussia Dortmund – curiosamente também numa final entre equipas do mesmo país. Na altura, o Bayern Munique venceu por 2-1, pelo que dois ditados populares surgem agora na mente do técnico: não há duas sem três, ou à terceira é de vez?

Tudo indica que Klopp já poderá contar com Roberto Firmino, de fora dos relvados há precisamente um mês, devido a uma lesão numa virilha que o fez sair logo aos 12 minutos no desaire por 3-0 no Camp Nou, na primeira mão das meias-finais – nessa altura, provavelmente nem o mais fanático dos adeptos reds acreditaria que o clube viria a estar nesta final. “O Bobby tem participado nos treinos e vai trabalhar novamente amanhã. Do que vimos até agora, ele parece bem. Vai estar bem, tenho a certeza”, salientou esta quinta-feira o técnico alemão, descartando por outro lado a utilização do médio guineense Naby Keita.

Nos spurs, a esperança na recuperação de Harry Kane é também total. Ainda assim, o técnico Mauricio Pochettino lembra que o Tottenham chegou à final sem contar com o contributo do internacional inglês nos quartos-de-final nem nas meias-finais. “Era como o Barcelona estar na final sem ter tido o Messi nos quartos e nas meias, porque o Kane é o nosso Messi, tem um valor enorme para nós”, ressalvou Pochettino, que ainda procura o primeiro troféu na carreira de treinador – e pode até começar com o mais desejado por todos.

Reds esmagam no historial As estatísticas e o histórico, já se sabe, não ganham jogos nem competições por si só. Mas ajudam certamente a fazer algumas análises e, porque não, a obter uma melhor perceção da realidade. Desde logo, de referir que este será o segundo encontro de sempre entre Liverpool e Tottenham nas provas europeias: o primeiro aconteceu na já longínqua temporada de 1972/73, nas meias-finais da Taça UEFA, com os reds a levarem a melhor – acabariam mesmo por conquistar a prova.

Ao todo, foram já 170 os confrontos entre as duas equipas em todas as competições. O Liverpool soma 79 triunfos, contra 48 do Tottenham (e 43 empates). Na única vez em que se defrontaram numa final (em 1982, para a Taça da Liga), os de Anfield levaram a melhor, vencendo por 3-1 após prolongamento. As duas partidas da Premier League nesta temporada foram igualmente ganhas pelos reds, ambas por 2-1 e com Firmino a marcar.

O Liverpool, com cinco conquistas em oito finais, é uma das equipas mais tituladas da prova, tendo saído vitorioso pela última vez em 2004/05, numa das mais épicas finais da história: depois de sair para o intervalo a perder por 3-0 com o AC Milan, conseguiu o empate a três golos no tempo regulamentar, acabando por celebrar no desempate por grandes penalidades. Antes dos reds, só duas equipas perderam finais da Champions de forma consecutiva: a Juventus, em 1997 e 1998, e o Valência, em 2000 e 2001.

O Tottenham, por seu lado, teve o ponto mais alto da sua história na principal competição europeia de clubes em 1961/62, quando chegou pela primeira vez (e única, até agora) às meias-finais. Perdeu com o Benfica, que viria depois a conquistar a segunda Taça dos Campeões Europeus consecutiva. Esta época, os spurs tornaram-se o 40.º clube a chegar à final e os primeiros estreantes desde o Chelsea, em 2007/08 – no que foi a única final inteiramente inglesa até agora, com o Manchester United a bater os blues no desempate por grandes penalidades. Podem, ainda, ser o 23.º clube a vencer o troféu, e o primeiro a ver o nome inscrito no mesmo pela primeira vez desde o Chelsea em 2012.

Curiosamente, o conjunto londrino já disputou uma final europeia com uma equipa inglesa. Aconteceu em 1971/72, na Taça UEFA, e redundou num triunfo por 3-2 sobre o Wolves (2-1 fora de casa e 1-1 em casa, numa altura em que a final era jogada a duas mãos). O Tottenham pode ainda orgulhar-se de ter sido o primeiro clube inglês a vencer uma prova europeia – a Taça das Taças, em 1962/63 –, concorrendo ainda para um lugar num lote muito restrito: o de equipas que venceram os três grandes troféus da UEFA, neste momento ocupado apenas pela Juventus, o Ajax, o Bayern Munique, o Chelsea e o Manchester United.

Milhões, tantos milhões É claro que, nestas contas europeias, não é só o prestígio desportivo que está em jogo: a questão financeira também pesa – e muito. E é fácil perceber isso se atendermos aos valores que estão em jogo: só pela vitória nesta partida, o conjunto que triunfar recebe 19 milhões de euros, com o derrotado a arrecadar 15, naquela que é a edição com os maiores prémios de sempre na história da liga milionária.

Para se ter uma melhor perceção das realidades, o Chelsea, vencedor da Liga Europa (ver página 46), arrecadou 19,77 milhões de euros... no total de toda a competição. No caso da Liga dos Campeões, o vencedor pode chegar ao valor máximo de 82,5 milhões. O FC Porto, por exemplo, amealhou 39,5 milhões por ter caído apenas nos quartos-de-final, com o Benfica, que não passou da fase de grupos, a somar 21,55 milhões, aos quais juntou 1,6 referentes às partidas que disputou e eliminatórias que superou na Liga Europa.

 

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