16/6/19
 
 
Vítor Rainho 31/05/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Os ricos safam-se com grandes advogados

Vem esta conversa a propósito do que ouvimos e lemos em Portugal, onde a maioria dos causídicos de políticos e empresários acusados de corrupção defendem que a investigação não obedeceu a todos os trâmites legais. Que não pode ser o DIAP a conduzir a investigação, que os inspetores cometeram erros constitucionais e por aí fora. 

Os advogados desempenham o seu papel e defendem até à exaustão os seus constituintes. Um dos casos mais mediáticos leva-nos para os EUA, onde O. J. Simpson, um dos melhores jogadores de futebol americano, foi detido depois de supostamente ter morto a mulher e seu amante. As provas eram mais do que evidentes, mas uma fantástica equipa de advogados - e um clima de cortar à faca por questões raciais - acabou por determinar a inocência do jogador. Sem os milhões para gastar numa equipa de advogados, Simpson teria sido condenado facilmente.

Vem esta conversa a propósito do que ouvimos e lemos em Portugal, onde a maioria dos causídicos de políticos e empresários acusados de corrupção defendem que a investigação não obedeceu a todos os trâmites legais. Que não pode ser o DIAP a conduzir a investigação, que os inspetores cometeram erros constitucionais e por aí fora. Raramente, nos casos mais escandalosos, ouvimos alguém dizer que tudo não passa de uma grande cabala para tramar o seu cliente - isto se excluirmos o patusco João Araújo, já que muitos optam por apontar erros processuais à investigação. Outros falam na forma ilegal como se obtiveram as provas para levar a julgamento o arguido. Para quem já cá anda há alguns anos, é fácil perceber que muita coisa mudou no Ministério Público nos últimos anos e que a célebre justiça para pobres e outra para ricos só se aplica em tribunal, onde melhores advogados poderão fazer um trabalho diferenciador. De resto, se olharmos para o que se tem passado nos últimos anos, percebemos facilmente que ninguém está livre de ser preso e acusado dos crimes que supostamente cometeu. Longe vão os tempos em que os políticos e empresários nunca eram incomodados pela justiça, devido a forças superiores. Fossem governamentais, maçónicas, do Opus ou de outros interesses. Esperemos que os tempos de antigamente não voltem e que a justiça possa continuar a fazer o trabalho de uma forma justa e cega. E, já agora, célere.

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