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Caça. PAN acusado de ser “radical”, “totalitário” e “populista”

Caça. PAN acusado de ser “radical”, “totalitário” e “populista”

Luís Claro 30/05/2019 12:53

Parlamento discutiu fim da caça com matilhas. Direita atirou-se ao PAN. Socialistas recusam transformar “cães de caça em cães de casa”

Os deputados discutiram ontem a proibição de matilhas na caça, mas é quase certo que os projetos de lei do Bloco de Esquerda e do PAN vão ser chumbados perante a oposição dos socialistas, PSD, CDS e PCP.

Bloquistas e PAN argumentam que “os cães acabam por funcionar como arma contra o animal” e muitas vezes ficam “gravemente feridos”. André Silva, deputado do PAN, lamentou que os caçadores resistam “a fazer uma evolução nos seus métodos e nas suas práticas mais anacrónicas” e desafiou os deputados a decidirem se “estão do lado do caminho do progresso ou ao lado dos setores mais violentos da nossa sociedade”.

As maiores críticas às duas iniciativas vieram do lado dos partidos de direita. O PAN, que surpreendeu nas eleições europeias ao eleger um eurodeputado com 5,1% dos votos, foi particularmente visado. O deputado social--democrata Nuno Serra acusou o PAN de ser um partido “populista” que “unicamente pensa nos votos”. Serra defendeu que o verdadeiro objetivo do PAN e do Bloco de Esquerda é “acabar com a caça” e “atacar o mundo rural” por “um mero preconceito ideológico”.

Para o PSD, os 250 mil caçadores que existem em Portugal são “os verdadeiros curadores do meio ambiente. São eles que detetam as pragas, as doenças animais e são eles que, muitas vezes, detetam os incêndios”.

O CDS também fez duras críticas. Patrícia Fonseca acusou os autores das iniciativas de não se preocuparem com “a importância que a caça tem para a economia rural”, porque “não têm qualquer tipo de sensibilidade para o mundo rural”.

A deputada dirigiu-se especificamente a André Silva para acusar o PAN de se afirmar como um partido ecologista, mas apresentar propostas para acabar com “a única forma eficaz de controlar espécies que estão em desequilíbrio na natureza”. Pelo meio, a centrista acusou o PAN de ser um partido “radical” e “totalitário”.

O PS foi mais suave, mas deixou claro que não viabilizará as iniciativas. Pedro do Carmo afirmou que “o PS não está disponível para transformar cães de caça em cães de casa” porque não seria “bom para o homem nem para o cão”.

O deputado socialista alertou que “neste momento, existe um aumento da população de javalis, com graves problemas para o mundo rural”, e não é possível resolver o problema “sem recurso às matilhas, sem recurso aos cães, e só pode afirmar isso quem desconhece esta realidade”.

O PCP também se mostrou contra o fim do uso de matilhas na caça. “Defender o fim da caça, que é aquilo a que temos assistido hoje, não é defender o mundo rural”, afirmou o comunista João Dias. O deputado rejeitou juntar-se aos partidos que “estão a destruir o mundo rural, aos que mandaram encerrar linhas de comboio, estações de correios, centros de saúde, escolas e juntas de freguesia”. Os diplomas deverão ser votados na sexta-feira, mas serão reprovados por uma larga maioria dos deputados.

Um partido criado por “vegans e budistas new-age” Daniel Oliveira, comentador político e ex-militante do Bloco de Esquerda, define o PAN com “um partido com uma agenda radical” que foi criado por “vegans e budistas new--age”. Numa crónica na TSF, Daniel Oliveira faz duras críticas ao PAN por ser um partido que “pretende impor pela via política modos de vida e hábitos pessoais”. O ex-militante bloquista questiona ainda o funcionamento interno do PAN. “É o único partido português que faz os seus congressos à porta fechada”. O partido de André Silva foi a surpresa da noite eleitoral e conseguiu eleger um eurodeputado, com mais de 5% dos votos. Nasceu em 2009 e elegeu pela primeira vez um deputado para a Assembleia da República em 2015. As posições sobre a caça ou as touradas têm gerado muito polémica. Miguel Sousa Tavares classificou recentemente o PAN como “o partido dos urbano-depressivos” que comem “alface e verduras” porque acham que “os animaizinhos não se podem comer”. Em resposta, o deputado André Silva considerou que o comentador da TVI “lida mal com a existência do PAN”. Nas redes sociais, o deputado defendeu que “Sousa Tavares, cego pelas suas emoções negativas, não está a ser leal nem honesto” quando afirma que “o PAN nunca se pronunciou sobre as grandes questões ambientais em Portugal”. E deu o exemplo de temas como “a barragem da EDP” ou “a central nuclear de Almaraz”. 

 

 

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