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Carro usado. Saiba se compensa e veja os cuidados que deve ter

Carro usado. Saiba se compensa e veja os cuidados que deve ter

Dreamstime Sónia Peres Pinto 27/05/2019 19:25

Pagar menos no ato da compra é a razão principal para esta escolha. A explicação é simples: um carro desvaloriza, em média 15% a 25% por ano, mas cuidado com as fraudes.

Evitar uma rápida desvalorização do carro e, acima de tudo, pagar menos no momento da compra são os principais motivos que levam os portugueses a optar por comprar um veículo usado. Em alguns casos, basta ser mais velho poucos meses para a poupança ultrapassar os quatro mil euros. Aliás, este segmento é, muitas vezes, visto como o principal dinamizador do comércio automóvel em Portugal e da atividade financeira ligada ao setor.

Se por um lado a compra de um carro novo pode significar despreocupação – liberta os consumidores de inquietações como o historial de um carro, por exemplo –, por outro penaliza mais o orçamento familiar. Isto porque a aquisição de um automóvel novo não é acessível a todas as carteiras e a ideia da desvalorização constante pode também assustar alguns consumidores. Em média, uma viatura nova perde entre 15% e 25% do seu valor por ano.

Face a este facto, adquirir um carro com poucos anos poderá representar uma solução tentadora para a maioria dos potenciais compradores.

A verdade é que a aquisição de um automóvel com um, dois ou até mesmo três anos implica sempre ter um cuidado redobrado para evitar desagradáveis surpresas, principalmente se o negócio for realizado entre particulares ou pela internet. A explicação é simples: há situações em que é difícil de detetar alguns problemas: acidentes, avarias frequentes, quilometragem adulterada e outras fraudes.

Outra questão que se impõe é a quem comprar: a um particular ou a um stand? Em qualquer destes cenários há vantagens e desvantagens. O primeiro consegue vender mais barato e tem também maior margem de manobra para negociar e baixar o preço. O segundo pode apresentar valores mais elevados, mas está próximo das grandes marcas e, como tal, oferece uma garantia mais alargada.

De olho na garantia Qualquer que seja o automóvel que pretende comprar, tenha sempre especial atenção à garantia oferecida. Tal como os novos, também os usados têm direito a dois anos de proteção. No entanto, há muitos estabelecimentos que dão apenas garantia por um ano ou fazem desconto no preço se o cliente prescindir de qualquer garantia, o que é ilegal. Contudo, a lei admite a redução da garantia até um ano, caso exista um acordo entre vendedor e comprador, mas nunca para um prazo inferior.

Caso o negócio seja realizado entre particulares não existe garantia, o que torna o investimento mais arriscado. Mas mesmo assim continua a existir alguma proteção. Durante os seis meses seguintes à entrega do automóvel, o comprador pode provar que este não tem as características anunciadas para exigir uma reparação ou anular o contrato.

Além de reduzirem o prazo, vários stands ainda excluem da garantia peças ou componentes. É o caso do leitor de CD, do ar condicionado, da embraiagem, da correia de distribuição ou da bateria. Outros limitam-na a uma determinada quilometragem ou a um valor máximo por reparação. Qualquer uma destas alterações é ilegal.

Mas nem tudo são facilidades. É frequente os consumidores serem confrontados com a proposta de assinar um contrato que prolongue a garantia, mediante um valor de pagamento. No entanto, na maioria dos casos esta situação não apresenta qualquer vantagem para o cliente. A maioria destes contratos são assegurados por empresas externas ao stand e apresentam tantas restrições que poucos ou nenhuns benefícios oferecem. E a menos que estas garantias contratuais sejam mais abrangentes do que a garantia legal, esta solução não é compensadora. Como tal, o consumidor pode recusá-las, sem perder o que a lei prevê.

Se detetar um defeito dentro do período de garantia, o consumidor dispõe de dois meses para apresentar a fatura e acionar a garantia. A partir daí, terá dois anos para avançar com uma ação em tribunal ou num julgado de paz, caso o assunto não seja resolvido pelo vendedor. Geralmente pode optar pela reparação, pela substituição por outro veículo com as mesmas características – também poderá ser diferente, mas para isso é necessário existir um ajustamento do preço – ou mesmo pela anulação do contrato, se for essa a sua vontade.

A verdade é que a lei não impõe qualquer decisão. A palavra final caberá sempre ao consumidor. Não se esqueça que, se optar por mudar de carro, este passa a gozar de uma nova garantia com a duração de dois anos, a contar da data em que lhe é entregue.

Importados subiram Outra hipótese passa por adquirir um carro importado. O código do Imposto Único de Circulação (IUC) entrou em vigor há 12 anos e aos donos de carros importados é cobrado um valor mais elevado pois é tributado com base no ano da matrícula portuguesa (a data da entrada no país, mesmo que o veículo seja mais antigo) em vez da matrícula estrangeira.

No entanto, segundo o secretário-geral da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), Hélder Pedro, as matrículas de veículos importados dispararam no ano passado. De acordo com dados da associação, assistiu-se a um aumento de 17% neste segmento, ultrapassando as 17 mil unidade vendidas. “Portugal, infelizmente, é o grande destino destes carros” usados, referiu. As principais origens foram Alemanha, França, Bélgica e Espanha.

Mas não se esqueça de fazer muito bem as contas e ver se realmente o negócio compensa. Por vezes, além do valor que é apresentado tem de acrescentar alguns custos, como a logística com serviços e documentação: por exemplo, seguro internacional, matrículas de trânsito, inspeções, etc.

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