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PAN. Passo a passo, o partido das causas vai crescendo

PAN. Passo a passo, o partido das causas vai crescendo

Bruno Gonçalves Beatriz Dias Coelho 27/05/2019 13:30

Na noite passada, a sede do PAN em Lisboa estava cheia. Todos queriam ver se o partido ultrapassava fronteiras, como as sondagens previam.

A mensagem à porta desvenda logo à partida a filosofia: “Permitida a entrada a todos”, adianta uma placa ilustrada com as figuras de humanos – homens, mulheres, idosos, crianças –, animais e até mesmo plantas. Lá dentro, na pequena sede do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), no número 81 da Avenida Almirante Reis, em Lisboa, somos recebidos com “algumas delícias veganas”, apontam-nos. Há copos descartáveis e os recipientes também o são, mas em cartão e não em plástico. Nas paredes, quatro cartazes complementam a mensagem: “Muda o sistema, pensa ecossistema”, “come mais feijão”, “exporta pepinos e deixa os bovinos”, “os animais não são mercadoria”, lê-se. Pouco depois das 18h, o espaço do partido liderado por André Silva estava ainda vazio. Foi preciso mais de uma hora para o cenário começar a mudar: à porta, pelas 19h30, membros e militantes do partido começaram, enfim, a juntar-se. Não querem deixar passar a oportunidade de assistir, ao vivo e a cores, à possibilidade de eleger Francisco Guerreiro para o Parlamento Europeu, depois de há quatro anos André Silva ter sentado o PAN, formado em 2009, na Assembleia da República (AR).

Às 19h40 chegam os protagonistas: de camisa e calças de ganga, André Silva e Francisco Guerreiro surgem acompanhados pelas famílias – o candidato a eurodeputado tem uma filha com poucos meses, que vem no carrinho de bebé. Distribuem abraços e beijinhos à cerca de uma dezena de membros e militantes do partido que os esperam à porta. “Boa tarde”, dizem aos jornalistas. André Silva segue para o púlpito para a primeira intervenção da noite. “Vamos aguardar, esperar que os resultados se formalizem, mas a verificar-se o aumento da abstenção, é uma derrota para a democracia e para os partidos – acima de tudo os convencionais, que não têm conseguido passar a mensagem”, começa por dizer, perante o olhar atento dos apoiantes que o ouvem à sua esquerda, junto aos comes e bebes. “Em Portugal privilegia-se a guerrilha política e isso afasta a maioria das pessoas. Vamos esperar que nas próximas eleições isso se altere”, continua.

E ainda existe esperança quanto à eleição de Francisco Guerreiro? “Continuamos a acreditar que é possível. Aliás, a campanha na rua assim nos disse. Sentimos que somos cada vez mais conhecidos e reconhecidos. A expectativa é conseguir eleger o eurodeputado”, conclui.

O andar de cima, invadido por jornalistas, não chega para todos. Nas cerca de 20 cadeiras sobra espaço para perto de uma dezena de apoiantes, por isso, a maioria dos membros e militantes do PAN reúne-se na sala do andar debaixo. Entretanto, uma sondagem da Universidade Católica à boca das urnas dá conta de que o PAN elege um eurodeputado. Outra, do ISCTE, prevê a eleição de um ou dois eurodeputados. Nos dias anteriores, a eleição de um, sequer, era dada como remota. Ouvem-se gritos de alegria vindos do piso inferior.

Minutos depois, por fim, uma reação: Inês Sousa Real a deputada da assembleia Municipal e número seis da lista de candidatos às eleições europeias, sobe ao púlpito. “As projeções iniciais são otimistas para o PAN. Já revelam uma confiança dos portugueses e portuguesas no trabalho feito pelo PAN, que vai ao encontro daquilo que é a expectativa das pessoas e deixam-nos bastante felizes, mas vamos aguardar”, declara. “Sentimos na rua a confiança nas pessoas. Reevem-se na nossa forma de fazer política. O PAN não se identifica com a direita ou a esquerda, é um partido de causas”, continua Inês Sousa Real. E deixa uma nota quanto à abstenção – estimada entre 65% e 70,5% –, não só para a noite que está ainda longe de terminar, mas para o futuro: “É pena que as pessoas continuem à margem da vida política”.

A expectativa é grande. Irão as sondagens confirmar-se? O entusiasmo na sala, cada vez mais composta, é evidente. Na fila da frente, hasteiam-se bandeiras do partido com as cores do arco-íris, enquanto se trocam palavras – em português, mas também em língua gestual portuguesa. “Ficámos em terceiro na Amadora, à frente da CDU”, ouve-se lá fora. Cá dentro, os olhos fixos na tela presa na parede junto ao púlpito denunciam a ansiedade. São 21h30. Já falta pouco, mas já se grita EURO PAN!

 

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