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Mundial sub-20. “Não há duas sem três”: nunca um ditado fez tanto sentido

Mundial sub-20. “Não há duas sem três”: nunca um ditado fez tanto sentido

Bruno Venâncio 23/05/2019 19:12

Portugal tem dois Mundiais no currículo, graças aos meninos de Carlos Queiroz – agora já homens feitos. Mas os rapazes de Hélio também já levam dois Europeus na bagagem, dando margem ao sonho do tri.

É fatal como o destino: de dois em dois anos, uma nova leva de meninos ainda borbulhentos e cheios de ilusões reúne-se para disputar o Mundial de sub-20. E aí está a 22.ª edição da competição, desta feita na Polónia e a começar já hoje, com quatro partidas agendadas. Portugal, todavia, só entra em ação no sábado, a partir das 14h30, diante da sua congénere da Coreia do Sul.

Falávamos acima de ilusões. E há várias razões para as alimentarmos no campeonato polaco – bem mais do que se poderia sequer pensar em 1989, por exemplo, naquela caminhada gloriosa na Arábia Saudita que terminou com o ouro, seguida de nova vitória passados dois anos, essa já em território lusitano e ainda sob o comando de Carlos Queiroz, com vários desses elementos a formar aquela que se viria a denominar a Geração de Ouro do futebol português.

De 1991 para cá, os motivos de festa para Portugal foram escasseando progressivamente: houve um terceiro lugar em 1995, um vice-campeonato em 2011... e pouco mais. Há dois anos, por exemplo, a seleção nacional liderada por Emílio Peixe caiu nos quartos-de-final da prova realizada na Coreia do Sul, perdendo nos penáltis contra o Uruguai. Dessa lista (ainda mais jovem que o habitual), faziam já parte alguns dos convocados por Hélio Sousa para o torneio que hoje se inicia – Diogo Costa e Diogo Dalot, por exemplo, foram titulares nessa partida, com Florentino Luís e Gedson Fernandes a entrar no decorrer do encontro e Luís Maximiano e Miguel Luís a serem suplentes não utilizados.

Residirá aí, porventura, uma das maiores armas da seleção nacional: o conhecimento mútuo e familiaridade que existe entre os convocados – e o treinador, já agora. É que a grande maioria do grupo esteve presente nas campanhas que culminaram com as conquistas do Europeu de sub-17, em 2016, e de sub-19, no ano passado.

A juntar a esse dado, há o facto de crónicos candidatos como Brasil (quatro títulos) ou Inglaterra (campeã na última edição) não se terem apurado para a competição, tal como Espanha, Alemanha ou Holanda. Razões mais do que suficientes para evocar o velho ditado: “Não há duas sem três”.

O mister que sabe do que fala No seio do grupo, refira-se, ninguém foge do sonho. “Acho que Portugal pode ser considerado um dos favoritos, por tudo o que fizemos nos últimos anos. Este ano fomos a primeira equipa no ranking de sub-19, vamos ter uma quarta presença consecutiva num Europeu de sub-19 e esta é a quinta presença consecutiva num Mundial de sub-20. Com este historial, é normal que nos considerem favoritos, ainda mais tendo esta geração conseguido um feito único na Europa, ao conquistar dois Europeus. Isso eleva ainda mais a fasquia para nós”, assumiu Hélio Sousa, o timoneiro da nau lusitana – e também ele um campeão mundial, pois fazia parte da equipa que conquistou o mundo em 1989.

Além da Coreia do Sul, vice-campeã asiática, Portugal terá de enfrentar no grupo F a Argentina (a equipa mais titulada, com seis triunfos) e a África do Sul, que tem na lista Kobamelo Kodisang, jovem extremo da Sanjoanense. Para já, o foco está na partida com os sul-coreanos, que Hélio Sousa considera “essencial” para o desenrolar da caminhada lusa. “Estas competições são curtas, por isso o primeiro jogo na fase de grupos é essencial. É importantíssimo estarmos na fase seguinte da competição, para continuarmos à procura de um sonho. Os três primeiros jogos é que nos poderão dar hipótese de conquistar algo mais”, realçou o técnico, que não chamou João Félix – tudo indica que o jovem avançado benfiquista vá ser convocado por Fernando Santos para a final-four da Liga das Nações –, descrevendo ao pormenor os adversários: “A Argentina [é um dos favoritos] por todo o historial que tem, e tem uma geração com muita qualidade. A Coreia do Sul também tem uma excelente equipa e a África do Sul representa o futebol africano, que é cheio de surpresas e com magia”.

Para já, o treinador – que após a prova irá assumir o comando da seleção principal do Barém – só não pode contar com Diogo Costa. O guardião portista vai juntar-se à comitiva mais tarde, pois ainda está ao serviço do FC Porto, que no sábado disputa a final da Taça de Portugal frente ao Sporting.

No que respeita aos outros participantes, destaque para a ausência de Moise Kean, a pérola da Juventus – que inclusive bisou na final do Europeu de sub-19 contra Portugal –, que ficou fora dos eleitos da seleção italiana (terceira classificada no último Mundial). No grupo B encontra-se ainda o Equador, campeão sul-americano que tem na lista o júnior sportinguista Gonzalo Plata. Já o grupo D integra o Catar, orientado pelo técnico português Bruno Pinheiro, e os Estados Unidos, que chamaram o guarda-redes Carlos dos Santos, que alinha nos juniores do Benfica.

O Mundial irá decorrer até ao dia 15 de junho. Depois do jogo deste sábado, Portugal defronta a Argentina no dia 28 e a África do Sul a 31, sendo os três encontros disputados em Bielsko-Biala. Apuram-se para os oitavos-de-final os dois primeiros classificados de cada um dos seis grupos, bem como os quatro melhores terceiros.

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