16/9/19
 
 
José Cabrita Saraiva 23/05/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Quanto mais se esforçam, menos convencem

Esta campanha para as europeias – umas eleições já de si tradicionalmente mornas – tem sido de uma pobreza quase confrangedora. Os protagonistas bem se esforçam por alertar para a importância decisiva do que está em causa. Mas quer parecer-me que, quanto mais se esforçam e mais esbracejam, menos convencidos ficamos.

No que toca aos suspeitos do costume, de uma forma geral o discurso tem sido tão oco e repetitivo que só agrava o nosso ceticismo.

Se o PSD insiste em tentar fazer do resultado destas eleições um protesto contra o Governo – e vai-se dar mal com isso, porque o PS seguramente será o partido mais votado –, os socialistas, por seu turno, arvoram-se em defensores do povo e da democracia, se necessário ressuscitando os fantasmas dos tempos da troika. Ouvir os argumentos de Pedro Marques ou pôr a tocar uma cassete com os discursos mais estafados dos últimos tempos não é muito diferente.
E depois há os ataques recíprocos, a cereja no topo do bolo e a prova provada da falta de argumentos estimulantes.

O que pensarão os eleitores já cansados da política? Eu sei o que penso e não é simpático.

Marcelo Rebelo de Sousa apelou ontem ao voto, dizendo, com algum dramatismo, “Não deitem fora a Europa”. Tem razão para estar preocupado. Mas também
é legítimo questionarmo-nos se serão estes candidatos, com os seus lugares-comuns desprovidos de significado, as pessoas certas para salvar o projeto europeu. Afinal de contas, eles são os herdeiros das forças que construíram a União Europeia, mas pertencem à geração que a lançou no descrédito.

Pela minha parte, cumprirei o meu dever cívico este domingo. Mas deverão ser muito poucos os que se darão a essa maçada. Principalmente se estiver bom tempo. Entre Bruxelas e a praia, os eleitores não terão dificuldade em escolher.

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