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Eleições. É preciso mudar o modelo de campanha?

Eleições. É preciso mudar o modelo de campanha?

Dreamstime Cristina Rita 22/05/2019 09:23

As caravanas dos partidos seguem a mesma fórmula há décadas e nem sempre resulta. No PSD admite-se que é preciso encontrar formas mais atrativas. No PS a ordem é o contacto com as populações.

Não há dia de campanha eleitoral sem um histórico de visitas a feiras ou as chamadas arruadas, a solução dos partidos para percorrer, subir e descer ruas, cumprimentar lojistas, transeuntes, e medir o pulso à mobilização de um partido. O modelo é, mais ou menos, replicado por todas as forças políticas, conforme o perfil do candidato e a dimensão da força política. É o chamado teste da rua na caça ao voto dos eleitores. Para isso, os partidos fazem quilómetros de norte a sul do país. Vale a pena? Segundo o diretor de campanha das eleições europeias do PS, João Azevedo, sim, e o modelo de campanha que se repete há mais de 30 anos deve prosseguir.

 “As campanhas clássicas têm de ser mantidas”, explica João Azevedo que está na estrada há largas semanas. Quantos quilómetros são? “Não sei dizer, são milhares”, afiança ao i.

O mesmo se aplica ao PSD. O diretor de campanha social-democrata, José Silvano, também já lhes perdeu a conta. “São tantos que nem tenho essa ideia”, afiança ao i o também secretário-geral social-democrata.

Nas campanhas de todas as forças políticas, há sempre aquele momento em que os transeuntes se mostram indiferentes à passagem da caravana política, ou preferem estar mais atentos ao aparato mediático em torno de um determinado candidato.

Mas, apesar das vicissitudes das campanhas (nem sempre controláveis por quem as prepara), João Azevedo, o diretor da equipa de Pedro Marques, considera que se deve continuar a reforçar o contacto com as pessoas. “Os agentes políticos têm de estar sempre junto das populações. E, portanto, esse trabalho tem sempre de ser feito. No momento em que nós deixarmos de o fazer, e fizermos isto tudo de uma forma virtual, com contactos nas redes digitais, é contraproducente. Na minha opinião, devemos estar na rua, junto das pessoas, a falar com as pessoas”. Isto mesmo que a fórmula revele apatia ou desinteresse das pessoas. “Há momentos melhores ou piores”, sintetiza João Azevedo, insistindo na mesma tónica: “Defendo as campanhas pessoais e muito intimistas”.

Do lado do PSD, por exemplo, José Silvano admite algumas mudanças no futuro. Mas as contas só se fazem no final. “Pelo menos há que pensar em novas formas que sejam mais atrativas. Penso que os partidos só vão fazer essa reflexão depois de terminadas as eleições europeias”, declarou ao i.

O dirigente nacional social-democrata considera, contudo, que a campanha das europeias é também um bocado diferente das legislativas. “A campanha das legislativas é, por natureza, diferente, porque cada distrito tem os deputados candidatos e eles próprios dinamizam todos os dias da campanha. Têm uma campanha própria de contacto direto com o eleitorado e, portanto, os líderes passam pelos distritos para mobilizar a campanha já feita pelos candidatos do respetivo distrito”. Ou seja, há maior proximidade nas legislativas do que nas europeias, onde a abstenção atinge, de facto, níveis superiores, acima dos 60%.

O debate sobre o modelo de campanha usado pelos partidos foi lançado na semana passada quando o presidente do partido Aliança, Pedro Santana Lopes, e o cabeça-de-lista, Paulo Sande, tiveram um acidente de viação na A1. O cansaço de Santana Lopes, que ia ao volante, chegou a ser apontado como possível motivo do acidente por Paulo Sande. Afinal, só naquele dia, a comitiva do Aliança tinha saído dos Açores manhã cedo de avião e feito o percurso de autoestrada de Lisboa a Coimbra.

Ao que apurou o i o cabeça-de-lista do Aliança já fez 30 mil quilómetros para apresentar as suas propostas. O conta-quilómetros dos partidos faz-se no dia 26 de maio.

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