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Uma segunda “machadada” da PJ nos Hells Angels

Uma segunda “machadada” da PJ nos Hells Angels

AFP Carlos Diogo Santos 22/05/2019 09:18

No ano passado, a PJ disse que diligências tinham sido uma machadada no grupo de motards. Mas agora suspeita que a atividade criminosa continuou.

No ano passado foram detidos dezenas de elementos do grupo de motociclistas Hells Angels por suspeitas de associação criminosa, tentativa de homicídio, roubo e posse de armas e tráfico de droga, mas não foi suficiente. Vários elementos do grupo que não foram detidos nas diligências de 2018 acabaram por dar continuidade à atividade criminosa, o que desencadeou a operação de ontem. E foi por isso que ontem foram detidas outras 17 pessoas, suspeitas do crime de associação criminosa.

Neste momento, além destes detidos, estão em prisão preventiva 41 elementos detidos em julho do ano passado. Essas detenções aconteceram depois de um ataque dos Hells Angels a um grupo ligado a Mário Machado num restaurante no Prior Velho, Loures.

Segundo a Polícia Judiciária, as diligências de ontem foram realizadas em vários pontos do território nacional e contaram com “a participação de 150 operacionais de várias Unidades da Polícia Judiciária”.

“Esta operação teve como objetivo a execução de dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias, bem como o cumprimento de vários Mandados de Detenção”, refere a mesma fonte, adiantando que os detidos são todos “do sexo masculino, de nacionalidade portuguesa, com idades compreendidas entre os 29 e os 52 anos”.

A PJ anunciou ainda que está prevista para hoje a apresentação dos suspeitos a primeiro interrogatório judicial para que possam ser aplicadas as medidas de coação. 

Suspeitos são considerados perigosos pelas autoridades Em julho de 2018, uma megaoperação acordou o país. Mais de 600 elementos da Polícia Judiciária, divididos por 80 equipas, fizeram buscas de norte a sul do país, com enfoque na sede do grupo de motards.

Num comunicado enviado, a Polícia Judiciária referia mesmo que os detidos eram muito perigosos: “Foram cumpridas dezenas de mandados de detenção de suspeitos de integrarem esta estrutura criminosa, constituída por indivíduos extremamente perigosos, com vastos antecedentes criminais e larga experiencia na área da criminalidade violenta e organizada”.

No dia da operação foram detidos 56 suspeitos, entre os quais quatro alemães e um finlandês.

Numa conferência de imprensa dada após as detenções, a coordenadora da PJ Manuela Santos disse considerar que a operação foi uma “machadada no grupo” e acrescentou que todas as diligências permitiram identificar pessoas que apoiam o grupo e que têm comportamentos idênticos.

Mas a machadada estava longe de ter sido suficiente para travar a associação criminosa, uma vez que muitos dos que ficaram em liberdade começaram a ocupar o lugar dos detidos, tendo ficado claro para as autoridades que o objetivo era manter a estrutura criminosa.

As guerras entre os Hells Angels e o grupo Red & Gold Não é de agora que a Polícia Judiciária tem os Hells Angels debaixo de olho, mas os incidentes com o grupo de Mário Machado, ligado ao grupo de motards americanos Los Bandidos (rivais dos Hells Angels) fez com que fosse preciso atuar. No ano passado, as detenções aconteceram dias antes do início do festival de motards de Faro, altura em que elementos dos dois grupos iriam cruzar-se e para onde já estariam a ser preparados alguns atos de violência.

As autoridades não tinham outra hipótese senão agir, até porque meses antes, em março, já havia sido feito o primeiro ataque, no restaurante do Prior Velho.

Mas se, por um lado, muitos foram os que acabaram detidos, por outro, a investigação não conseguiu deter alguns elementos que se encontravam no exterior à data da operação.

Em janeiro deste ano foi decidido manter a prisão preventiva aplicada aos arguidos, que foi justificada com a especial complexidade do caso. 

Juíza considera que caso é de especial complexidade “Tendo em conta a natureza dos factos em investigação, designadamente o número de arguidos, já identificados e constituídos como tal nos autos, e de suspeitos que importa ainda localizar, bem como os exames periciais a realizar/concluir, a forma e modo como se indicia era levada a cabo a prática dos factos, designadamente de caráter altamente organizado dos crimes em investigação, e sofisticação da prática dos factos, e os meios que se indicia foram utilizados, torna excecionalmente complexa a investigação em curso”, deixou claro a juíza de instrução criminal do TIC de Lisboa no seu despacho.

É que o MP, numa situação normal, tinha de ter proferido uma acusação até 18 de janeiro, altura em que os arguidos cumpriam seis meses de prisão preventiva.

“Pese embora o tempo decorrido desde o início da investigação e após a realização dos primeiros interrogatórios judiciais de arguidos detidos, encontra--se ainda em curso no inquérito a realização de várias diligências que se mostram imprescindíveis ao cabal esclarecimento dos factos e à obtenção de prova, bem como à localização e identificação de todos os envolvidos na prática dos factos que constituem o objeto do inquérito”, acrescentou a magistrada.

Em janeiro, o processo contava com 66 arguidos, estando um deles detido na Alemanha.

Ao que o i apurou, as autoridades não excluem para já a hipótese de novas detenções, ainda que contem deduzir uma acusação até ao verão deste ano.

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