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Acidentes nas estradas são primeira causa de morte a partir dos 5 anos

Acidentes nas estradas são primeira causa de morte a partir dos 5 anos

Dreamstime Carlos Diogo Santos 21/05/2019 14:03

Acidentes fatais para crianças estão a cair drasticamente nos últimos anos. APSI lembra, porém, que ainda são a principal causa de morte a partir dos cinco anos.

Uma criança de dez anos morreu na madrugada de domingo num acidente em Manique, Cascais. Mariana viajava na bagageira de um carro juntamente com outro menor que ficou apenas ferido. Nos últimos anos o panorama tem vindo a mudar e são cada vez menos os condutores que arriscam a vida dos filhos na estrada. O uso de cadeirinha ronda já os 90% e são cada vez menos os casos de crianças a viajar nas bagageiras. E apesar de os resultados estarem à vista, é preciso fazer mais. Até porque os acidentes na estrada continuam a ser a primeira causa de morte a partir dos cinco anos, segundo explicou ao i a secretária geral da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), Helena Sacadura Botte.

No ano passado, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, até novembro, tinham morrido em colisões 18 crianças e jovens (metodologia de mortos a 24 horas) – três com menos de 14 anos e os restantes com idades entre os 15 e os 19. Só a PSP registou em 2018 a morte de três menores.

Até abril deste ano, porém, a PSP não registou qualquer morte de menores. A GNR contactada ontem pelo i não enviou qualquer resposta até à hora de fecho desta edição.

Uma redução drástica de mortes nas estradas Mas se ainda não existem dados gerais de 2018 para a frente, a análise dos acidentes até 2017 é suficiente para se perceber que a tendência de mortos é de decréscimo. Segundo dados do Instituo Nacional de Estatística em 1991 morreram 554 crianças e jovens (até aos 19 anos) nas estradas portuguesas, um número que tem vindo a cair a pique. Em 1995 registaram-se 406 mortes e no ano 2000 o número cai para os 155. Em 2005 a realidade não foi muito diferente, com o registo de 153 mortos, mas cinco anos depois tinha caído para cerca de um terço: 59 mortos.

Esta evolução positiva continuou, com o registo de 45 mortos em 2015 e 34 em 2017.

“As mortes por acidente rodoviário têm diminuído ao longo dos anos, mas neste momento ainda continuam a ser a primeira causa de morte a partir dos 5 anos até aos 40 anos. Era até há uns anos a partir do primeiro ano de vida, agora é só a partir dos cinco anos, porque entre o nascimento e os quatro anos morrem mais por doenças do que por acidentes”, afirma Helena Sacadura Botte, lembrando que existe uma maior incidência de mortes sobre os passageiros

“Hoje viaja-se muito e muitas vezes as pessoas não podem evitar um acidente rodoviário, não depende delas, enquanto que evitar um acidente em casa depende, no ambiente rodoviário há menos hipóteses, porque há uma interligação de fatores que provoca o acidente e não dominamos todos: o nosso carro, o carro dos outros, a estrada, a sinalização, animais peões...”, continua.

Segundo a análise feita pela APSI é mais comum haver acidentes e mortes em estradas nacionais, ainda que quando estes acontecem em autoestrada sejam mais violentos.

Pais mais conscientes de perigos de viajar na bagageira Até há uns anos havia muitos casos de crianças que viajavam nos porta bagagens para que houvesse mais lugares no carro. Hoje a situação mudou. Quem o afirma é a secretária geral da APSI, que diz sentir nas estradas outra consciencialização: “Era uma coisa muito frequente há uns dez, quinze anos e agora é pouco frequente”.

Helena Sacadura Botte recorda ainda que “uma utilização mais cuidadosa dos cintos e dos sistemas de retenção pode fazer a diferença”: “As pessoas desvalorizam que num acidente a 45 km/hora tudo o que está dentro do automóvel solto é projetado num choque frontal com uma força de 20 vezes o seu peso. Uma criança de 30 quilos vai ficar a pesar 600 quilos”.

E há um outro conselho para os mais novos: “Nunca pôr o braço por cima do cinto, isso pode provocar lesões em órgãos internos como rutura do fígado ou do baço em caso de acidente”.

Acidentes que custam vidas que estão a começar Na madrugada do último domingo, uma criança de dez anos morreu quando o carro em que seguia – dentro do porta-bagagens com outra criança – chocou de frente com outro veículo. Mariana ia no carro da mãe, que estava com 0,5% de álcool no sangue e circulava em sentido contrário e com o carro sobrelotado.

O acidente ocorreu na Estrada Municipal 589, perto da Sociedade de Manique. Além da vítima mortal do acidente resultaram outros sete feridos.

Segundo o pai da criança referiu ontem à SIC quando chegou ao local do acidente ainda ouviu a filha chamar por si, mas esta acabou por morrer de seguida. “Há culpados? Há. Todos cometemos erros. A minha mulher cometeu um erro? Cometeu. Perdeu a vida da filha. Acha que precisa de justiça? De alguém a apontar o dedo? Eu acho que não. Como é que eu explico aos irmãos que a irmã não volta? Sim, tivemos culpa. Ela vai carregar esta culpa até ao fim dos dias dela, vai carregá-la e dez vezes mais do que eu ou qualquer outra pessoa”, disse, recordando o cenário de horror que encontrou no local.

Há poucos dias foi notícia um pai que foi condenado a três anos de pena suspensa pela morte da filha de dois anos num acidente. João Costa foi condenado por homicídio negligente – a cadeirinha não estava presa e além disso acusou 0,75 gramas de álcool no sangue.

 

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