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Top secret. Há eventos secretos para todos os gostos

Top secret. Há eventos secretos para todos os gostos

Dreamstime Joana Marques Alves 20/05/2019 20:44

A moda do secretismo está a crescer em Portugal e há iniciativas cada vez mais surpreendentes por todo o país.

Ir jantar fora sem saber onde? Preparar--se para uma festa sobre a qual não tem informação nenhuma? Os eventos secretos estão na moda e há cada vez mais portugueses a participarem neste tipo de iniciativas.

Parece uma cena de uma série policial: é marcado um encontro na Praça do Giraldo. À hora marcada recebemos uma imitação de uma disquete – são os bilhetes para a entrada na festa. Só mais tarde é que se ouve o toque de um SMS, que revela o local e a hora do espetáculo. Só assim é possível ter acesso a mais um espetáculo Revenge of the 90’s, desta vez em Évora. A partir daqui, passamos de uma cena que parece tirada do Rex, o Cão Polícia para outra de Beverly Hills, 90210 – centenas de miúdas com as mom jeans e o lenço com cornucópias na cabeça, eles com a T-shirt larga dentro das calças e o blusão de ganga. Só tiveram umas horas para pensar no look, mas o que mais lhes interessa é poderem voltar a comer Peta Zetas e dançar na Praça de Touros de Évora ao som da música de abertura das Navegantes da Lua, desenhos animados que faziam as delícias de quem está hoje na casa dos 30. Às 04h00 já não se ouve D’Artacão nem Dragon Ball – de repente estamos numa verdadeira boîte da década de 90 a dançar ao som de Scatman e Pump Up the Jam.

O Revenge of the 90’s tornou-se um fenómeno em Portugal. De norte a sul do país, as salas enchem-se de noventeiros que, durante umas horas, regressam à infância. Em Lisboa já tiveram espetáculos especiais para os Santos Populares e para a passagem de ano. Porto, Leiria, Portimão, Madeira e Açores, este espetáculo já esteve em todo o lado. A razão do sucesso? O fator nostálgico, claro, a dimensão da produção e precisamente o fator surpresa.

“Mais do que o saudosismo de uma época, mais do que o fenómeno, é a forma como acontece. Depois, o conteúdo é saudosista. Entre uma festa dos anos 90 com um DJ e a forma como apresentamos, a diferença é clara”, disse André Henriques, um dos criadores do evento, numa entrevista ao Sol.

“O nosso marketing é emocional e a nossa produção de eventos é emocional. Trabalhamos o evento desde o momento zero. Quando o bilhete é comprado, ainda não se sabe onde a festa vai ser. Começa aí o turbilhão. O que vamos vestir? Como vamos para lá? Onde é que jantamos perto? Qual será o artista surpresa? O que vai acontecer? Às dez da manhã chega um SMS com o local da festa que dispara a adrenalina”, acrescenta Paulo Silver, outro dos fundadores.

Com o sucesso do Revenge, os dois amigos decidiram investir num outro formato parecido: o Turb’Ó Baile. A chegada é feita em grande, ao som do rei dos bailaricos: Quim Barreiros. Enquanto se ouve falar muito da garagem da vizinha, toca a aproveitar o bar aberto de tremoços; apanha-se o comboio que lá vai a apitar até ao campeonato de matraquilhos; se a discussão sobre a paternidade da criança não interessar, aposta-se num jogo de setas; e se sentir abandonada como a Ágata, nada melhor do que parar na tasca para comer uns enchidos e beber umas imperiais.

Basicamente, esta festa é a recriação do baile de verão que todos adoram. Ficam ansiosos para que chegue o querido mês de agosto para poderem ouvir uma boa concertina e mostrar os dotes de bailarino. Só há uma diferença: a festa é num centro urbano e pode até ser marcada para dezembro.

Este Bingo não é para velhos 

Mas estes não foram os primeiros eventos do género organizados por Paulo, que trouxe para a península Ibérica o Rebel Bingo, uma festa que ia muito para além do jogo. O secretismo associado ao evento era um dos seus pontos fortes. Tal como na festa dos anos 90, só poucas horas antes do início é que os participantes recebiam as coordenadas do local. Para ajudar mais à festa, não se devia revelar a ninguém que se ia participar neste jogo, muito menos revelar o que por lá se passava.

Sim, porque o Rebel Bingo ia muito além dos números e dos cartões. Havia música aos altos berros, dança, pessoas a escreverem nos corpos umas das outras e muito álcool à mistura. Em 2012, esta era a festa do momento não só em Portugal, mas um pouco por todo o mundo: Espanha, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos da América e Brasil são apenas alguns dos sítios onde foi organizada. O que se passou dentro do recinto? Só quem lá esteve é que sabe…

Jantares secretos e viagens surpresa

 negócio do secretismo já vai muito além das festas. A Fever, aplicação de entretenimento, experiências e eventos, começou a organizar jantares secretos.

“Já organizámos um em março, que foi um sucesso. Os bilhetes esgotaram rapidamente. Agora estamos a preparar outro do género. O que temos percebido é que as pessoas gostam muito desta componente secreta, exclusiva, de surpresa. O feedback tem sido ótimo”, explicou ao i Diana Branco, da Fever.

Na primeira edição, a empresa organizou um jantar secreto para 70 pessoas. A refeição foi confecionada pelo chefe Chakall, o que atraiu muitas pessoas. Mas o que mais saltou à vista foi o anúncio de que a localização era secreta e só seria anunciada um dia antes do evento. Diana Branco conta que as pessoas acabaram por jantar numa sala num palacete no centro de Lisboa, que foi cedida exclusivamente para este evento e que, de outra forma, não poderia ser visitada.

Desta segunda edição, também pouco se sabe: a Fever anuncia apenas que se trata de um jantar secreto com direito a dois cocktails. O chefe e o menu serão revelados em breve e o local do jantar só será conhecido no próprio dia. Face à adesão registada no primeiro evento, a organização acredita que os bilhetes esgotem rapidamente.

Tendo em conta o sucesso destas iniciativas, a Fever está a ponderar apostar noutro tipo de eventos: “Ainda não temos nada marcado, mas durante as próximas semanas deveremos anunciar novas iniciativas, como festas e concertos secretos”, disse Diana Branco ao i.

E tinha coragem de entrar num avião sem saber para onde ia? A empresa FlyKube entrou em março deste ano em Portugal e propõe pacotes surpreendentes… literalmente.

Com esta empresa, é possível marcar viagens a partir de Lisboa, Porto e Faro para um destino desconhecido. A plataforma tem pacotes surpresa a partir de 129 euros. Pode selecionar alguns dos destinos para onde não gostava mesmo de ir mas, de resto, tudo fica a cargo da empresa. O destino é revelado dois dias antes da partida. Se gosta de ter tudo organizado com antecedência, é preparar as malas para todos os cenários possíveis.

 

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