25/6/19
 
 
Alexandra Duarte 20/05/2019
Alexandra Duarte

opiniao@newsplex.pt

Desvalorizamos o projeto europeu porque já passou muito tempo

Precisamos de combatentes, de representantes que dominem a arte de esgrimir argumentos pró-Europa e pró-Portugal.

No próximo domingo, dia 26, realiza-se mais um ato eleitoral em Portugal: as eleições para o Parlamento Europeu, que irão eleger os representantes dos vários Estados para um mandato de cinco anos que, conforme os tratados em vigor, terão de tomar decisões fundamentais, não só para o projeto europeu, mas também no que diz respeito a outras decisões essenciais para o futuro coletivo de cada povo.

Normalmente, os portugueses e a generalidade dos europeus consideram que este ato eleitoral não justifica uma participação alta. Mas estão enganados. Cada vez mais e com as sucessivas alterações aos tratados europeus, sobretudo na última década e meia, a política europeia tem fortes implicações na política doméstica. Muitas das decisões que os governos dos Estados que compõem a União Europeia têm de tomar assentam em orientações que decorrem da codecisão com as instituições europeias, seja o Conselho Europeu, a Comissão Europeia ou o Parlamento Europeu.

Nesse sentido, as próximas eleições são muito importantes para todos nós. Nos cinco anos seguintes, a Europa terá de decidir como irá tratar várias questões complexas como, por exemplo, como irá lidar com a administração dos EUA, à data presidida por Donald Trump, que cada vez mais reclama que os EUA não podem suportar o orçamento de instituições que trabalham lado a lado com a UE, como é o caso da NATO. A dependência dos Estados europeus das forças de segurança da NATO deve ser objeto de reflexão obrigatória, equacionando a criação de uma força de segurança exclusivamente ao serviço do projeto europeu e dos seus Estados-membros – uma problemática que se adia sine die e que poucos ousaram colocar em cima da mesa, como indispensável à prossecução das condições de manutenção da paz e da segurança no espaço europeu.

Outra questão incontornável e de maior sensibilidade, porque é sempre maliciosamente discutida pelos partidos mais extremistas que colocam a tónica da discussão em motivações populistas e sensacionalistas, prende-se com o posicionamento da União Europeia nas relações de vizinhança com os países a leste e com os países integrantes da bacia do Mediterrâneo ocidental e oriental.

Além destas preocupações imediatas e emergentes, a estabilidade do pilar económico e social europeu, mediante a pressão das novas economias asiáticas e dos blocos económicos tradicionais, que influenciam o volume das nossas trocas comerciais e condicionam os investimentos internos de cada Estado, mantém-se como o elemento determinante da coesão europeia e como princípio fundamental exigível para a continuação do projeto que se iniciou em 1951, com o Tratado de Paris, que instituiu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço.

Um país como Portugal deve eleger deputados que estejam sintonizados com o que é essencial para os interesses europeus, num quadro em que a extrema-direita, manifestamente anti- -Europa, tem tido espaço para germinar movimentos nacionalistas. Estes eleitos serão os defensores dos interesses nacionais inseridos no contexto europeu, na primeira linha de todas: o Parlamento Europeu.

A importância de uma participação massiva nas eleições europeias é tão mais necessária que em eleições futuras, como um sinal que devemos transmitir aos que deixaram de acreditar, ou aos que não se interessam pelas questões europeias, de que o caminho para a manutenção de uma Europa pacificada e economicamente forte só pode ser o de aprofundamento dos princípios gerais que uniram homens visionários após uma guerra devastadora e que custou décadas de recuperação.

António Costa nacionalizou estas eleições porque valoriza a importância primordial deste ato, mas também porque compreendeu que a sua escolha para o cabeça-de-lista não foi afortunada. Nos próximos dias, o primeiro-ministro irá apelar ao voto em si próprio, já que é notório que o seu candidato não reúne a força necessária para o palco europeu e para os seus desafios. Precisamos de combatentes, de representantes que dominem a arte de esgrimir argumentos pró-Europa e pró-Portugal, que conheçam os meandros dos corredores europeus e das ameaças que aí se escondem, silenciosamente, à espera da oportunidade certa para assaltarem o espólio que tem mais de seis décadas.

Também nós, portugueses, temos uma herança que nos foi deixada pelos governos de Cavaco Silva, que negociaram com a comissão de Jacques Delors os fundos comunitários e os apoios para Portugal e que conduziram os portugueses para o desenvolvimento económico e estrutural, e de Durão Barroso, que durante dez anos foi o responsável pelas decisões da União Europeia em matérias de alargamento e de aprofundamento.

Não há partido político que mais tenha defendido o projeto europeu do que o PSD. E que continue a acreditar, sem reservas, nos benefícios que Portugal e os portugueses têm ao serem parte integrante desta comunidade.

 

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