26/6/19
 
 
Marta F. Reis 17/05/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

O nosso parque jurássico

De uma visita ao parque da Lourinhã ao muito que ainda está por fazer.

Há uns anos, numa visita ao Museu da Lourinhã, o paleontólogo Octávio Mateus contou-nos a certa altura que, por quilómetro quadrado, devíamos ser o país com mais dinossauros do mundo. Não sei se entretanto o ensinam nas escolas, mas não me lembro de ter ouvido falar deste património em miúda, da existência do Lourinhanosaurus antunesi e de outras espécies descobertas na zona Oeste ou de relíquias como um ninho com mais de cem ovos, dos maiores exemplares do mundo.

Na altura, a ideia de criar um “parque jurássico” era um projeto na gaveta há anos. O Dino Parque abriu no ano passado. Ainda não tinha ido lá e segui o conselho de um amigo. É uma lufada de ar fresco ver como um pinhal se pode transformar num espaço de divulgação, preservação de património e de lazer, a pensar nos curiosos mas também nas famílias – sobretudo nos mais pequenos, que dificilmente aguentam concentrados muito tempo se não houver umas brincadeiras pelo meio, espaço para correr, parque infantil, uns fósseis para descobrir debaixo da areia. No primeiro ano tiveram 350 mil visitantes, há uma nova exposição, anunciaram que vão duplicar os postos de trabalho permanente. “A Lourinhã não estava no mapa dos destinos a visitar e passou a estar”, disse à Lusa o responsável pelo projeto.

No sossego do recinto é possível deambular por entre as réplicas de dinossauros à escala real, imaginar como seria o mundo há 300 milhões de anos. Sempre me fascinou como é possível reconstituir essa época, como pegadas e ossos caídos em pântanos que há muito não existem chegaram de alguma forma até nós para nos lembrar que somos, enquanto espécie, um instante numa história muito mais antiga. Fechamos os olhos e estamos nesse vale encantado em que as coisas não deviam ser nada pacíficas, mas já não temos de nos apoquentar com isso.

Enquanto passeava pela Lourinhã lembrei-me do apelo feito há umas semanas por um grupo de alunos da Escola Básica Galopim de Carvalho, que se uniu para chamar a atenção para as pegadas de dinossauros de Carenque, um trilho com 132 metros, explicou na altura Galopim de Carvalho, salvas na altura da construção da estrada mas que continuam sem ter valorização museológica. No regresso a casa da Lourinhã, pela CREL, passei pela estação de serviço onde há uma anta esquecida, tudo abandonado. Não é a única na zona. Até quando continuaremos a deixar o património ser consumido pelo tempo? Quando em museus nacionais falta dinheiro e autonomia para trocar lâmpadas, percebe-se que é um caminho árduo, uma questão também de maior envolvimento municipal, das empresas, da sociedade civil. Uma coisa é certa: entusiasma ver o resultado do investimento.

 

Jornalista

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