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Clube dos 30. É favor limpar as chuteiras no tapete da entrada

Clube dos 30. É favor limpar as chuteiras no tapete da entrada

DR Afonso de Melo 15/05/2019 22:23

Só existem na Europa 13 clubes com mais de 30 títulos nacionais conquistados. O Benfica é, ganhe o campeonato ou não, o sexto na lista dos maiores açambarcadores, onde nem há espaço para o Bayern.

Escorraçado da Liga dos Campeões em Liverpool como se fosse um cão com sarna, o Barcelona bem pode retouçar com o seu 26.o título de campeão de Espanha e com a possibilidade de conquistar a sua 26.a Copa do Rei, mas ainda se encontra a quatro vitórias no campeonato para entrar no exclusivo Clube dos 30. Sim porque, em Espanha, apenas o Real Madrid tem o cartão que lhe permite enfrentar o façanhudo porteiro desta casa onde se juntam os clubes da Europa com mais de 30 títulos nacionais. Já o Bayern, que está em fase comemorativa da sétima vitória consecutiva na Bundesliga, pode muito bem preencher os papéis para a candidatura. Afinal, atinge agora o 29.o e fica ali na fase de quem já vai limpando as solas dos sapatos no capacho da entrada.

Bem se pode dizer que este é, realmente, um clube com tiques de exclusividade. Em toda a história do futebol europeu, apenas 13 clubes somaram, até agora, mais de 30 troféus de campeão nacional. Claro que, no meio de algum snobismo – compreensível, aliás –, o caso dos dois grandes de Glasgow é paradigmático. Reparem bem no exagero. Tendo tido início no já longínquo ano de 1890, a Escócia só teve 11 campeões diferentes, mas Rangers (54) e Celtic (50, já contando com o desta época) abafam de tal forma a concorrência que só deixaram 18 cair em mãos alheias. Uma barbaridade. “For God’s sake!”

Mas se julgam que Rangers e Celtic são os dois maiores açambarcadores de títulos de campeão que existem no Velho Continente, estão a diminuir a existência de um tal Linfield Football Club, fundado em Belfast no ano de 1886, atual campeão da Irlanda do Norte e que soma a bonita marca de 53 campeonatos nacionais. O seu grande rival fica à distância muito considerável de menos 30. Isto é, 23.

Claro que, se em vez de falarmos de um Clube dos 30 nos dedicarmos à existência de um Grupo dos 50, teríamos de fechar aqui a loja. Só estes três têm lugar nele. Como também só um clube, o Olympiacos, da Grécia, entra no Grupo dos 40. Bem pode ter deixado os dois últimos campeonatos entregues a AEK de Atenas e PAOK Salónica. Vinha de uma série inconcebível: desde a época de 1996-97 até 2016-17 só não foi campeão em 2003-04 e 2009-10 (Panathinaikos). Um domínio sobrenatural e muitas vezes posto em causa por acusações de corrupção lançadas sobre o presidente Evangelos Marinakis que, pelo caminho, cometeu o desplante de comprar os ingleses do Nottingham Forest por mero capricho de milionário.

Confuso Os títulos da Juventus, única equipa italiana que faz parte do Clube dos 30, não perfazem a soma de 37, como muitos dos seus adeptos pretendem, mas apenas de 35, já com o desta época incluído. Em 2006, a grande bomba dos resultados combinados na Série A atingiu a Velha Senhora em cheio na cabeça. A Juve perdeu na secretaria os “scudettos” de 2005 e 2006 e foi parar com os costados na ii Divisão. Reergueu-se, como todos assistimos. É agora a sexta classificada entre os campeões dos campeões, logo à frente do Anderlecht, da Bélgica, que tem 34.

Não deixa de ser curioso reparar que muitos dos tidos como grandes do futebol mundial, e que o são por motivos que ultrapassam a mera contabilidade, fiquem tão longe dos seus rivais. O Feyenoord, com 15 campeonatos ganhos, faz sombra ao Ajax? O FC Brugge, igualmente com 15 campeonatos no bornal, é verdadeiro émulo do Anderlecht? Na Alemanha, por exemplo, depois dos 29 títulos do Bayern, segue-se o Nuremberga com 9!!!

A Áustria está a contas com uma nova situação: o Red Bull Salzburgo veio alterar o equilíbrio de forças. O Rapid de Viena, que não é campeão desde 2007-08, tem 32 ganhos. E com o pormenor extraordinário de, de entre esses 32 troféus, estar o de campeão da Áustria e Alemanha unificadas da época de 1941. Por outro lado, o Sparta de Praga tem um estatuto especial neste tal Clube dos 30. Vinte e um campeonatos ganhos eram da antiga Checoslováquia. Em cima deles, empilhou 12 de campeão da República Checa. Algo de pleno direito, como está bem de ver.

Sobram ainda três membros. Um é o CSKA de Sófia, 31 vezes campeão da Bulgária ainda que, durante as convulsões políticas que se seguiram ao desmantelamento da União Soviética, tenha mudado de nome por curtos períodos. O outro é o mais recente sócio: o velho Ferencváros, da Hungria, que acaba de ganhar cartão de ingresso ao conquistar o campeonato da Hungria, o seu 30.o. Número redondinho!

Finalmente, o único representante de Portugal, o Benfica, lá do alto dos seus 36 títulos que estão apenas a um ponto de passar a 37. Um posição de força que só é ultrapassada por Rangers, Linfield, Celtic e Olympiacos. O FC Porto também está quase a bater à porta do clube trintanário. Se for campeão no sábado, passa a somar 29. Algo nos faz crer que, mais cedo ou mais tarde, lá chegará.

 

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