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Venda de combustíveis em Angola começa a regressar à normalidade

Venda de combustíveis em Angola começa a regressar à normalidade

Daniela Soares Ferreira 13/05/2019 15:09

Aos poucos, o dia-a-dia da população volta ao normal depois da crise nos combustíveis. Mas os primeiros dias da semana passada não foram fáceis, garante ao i Raul Vaz, jornalista em Luanda.

A venda de combustíveis em Angola está aos poucos a voltar à normalidade, garante ao i o jornalista Raul Vaz, em Luanda. “A situação está normalizada. Começou a ficar normalizada na passada quinta-feira”, disse.

Ainda assim, os picos da greve, que se registaram na segunda e terça-feira, foram complicados. “Segunda e terça-feira foram dias muito difíceis. A cidade esteve mesmo paralisada. Houve pessoas que nem foram trabalhar porque não conseguiam”, acrescentou Raul Vaz.

A Sonangol – Sociedade de Combustíveis de Angola – confessou há quase duas semanas estar a registar alguns constrangimentos no abastecimento de combustíveis. Dificuldades no acesso às divisas para a cobertura dos custos com a importação de produtos refinados, elevada dívida dos principais clientes no segmento industrial e avarias sistemáticas nos navios de cabotagem foram os principais fatores apontados pela Sonangol para justificar esta situação.

Ao i, o especialista Nuno Mello explicou as principais causas da falta de combustíveis no chamado país do petróleo. “A principal causa é o facto de apenas 20% do petróleo produzido pela Sonangol ser refinado na refinaria de Luanda. Os restantes 80% de petróleo refinado têm de ser importados”, disse.

Para o especialista, “quando a Sonangol se encontra com dificuldades de tesouraria, ou seja, escassez de cuanzas por atrasos no pagamento dos seus principais clientes, isso cria complicações no acesso a divisas no mercado internacional e, portanto, atrasos no pagamento das importações de petróleo refinado, dado que os 20% que a refinaria de Luanda produz não são suficientes para o abastecimento interno”, disse.

 

Consequências económicas

A situação está agora a normalizar-se, mas a verdade é que pode trazer consequências para o país. “A paralisação gradual de todos os setores produtivos em Angola, problemas na distribuição de energia elétrica no interior do país (com muitas centrais dependentes do combustível) e aumento da economia paralela, onde o litro de gasolina chega a ser vendido cinco vezes mais caro”, são as principais consequências apontadas pelo especialista Nuno Mello.

Já para os países que usam petróleo proveniente de Angola é pouco provável que as consequências sejam notadas, garante o especialista: “O petróleo angolano é vendido internacionalmente, refinado e depois vendido o produto final. Por isso, não terão problemas, dado que o petróleo da Sonangol continua a ser produzido a um ritmo médio de 1,5 milhões de barris por dia”, garante.

 

Mudança de direção

Alegando “conveniência de serviço público” e “apoiado na Lei de Base do Setor Empresarial Público”, o presidente angolano exonerou por decreto, na passada quarta-feira, todas as entidades que faziam parte do conselho de administração. Assim, Carlos Saturnino foi afastado e substituído no cargo por Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, que até então fazia parte do concelho de administração da petrolífera.

“Com a mudança da direção da Sonangol, João Lourenço tenta que haja maior comunicação entre a direção da Sonangol e o governo, de modo a tentar evitar que situações destas se repitam no futuro”, considera Nuno Mello.

 

Falta de refinarias

A falta de refinarias num país como Angola é vista por muitos como um grave problema. “É um absurdo que um país produtor de petróleo há mais de 40 anos não tenha uma refinaria suficientemente grande para dar resposta pelo menos à autossuficiência do país. Uma das explicações para a Sonangol não ter feito ainda esse investimento é a sua dívida astronómica, superior a 2500 milhões de dólares”, frisa o analista, acrescentando que, se fosse feito, esse investimento “iria reduzir muito os custos operacionais da petrolífera estatal”. Esta medida só traria benefícios, uma vez que “Angola poderia também passar a exportar petróleo refinado e, portanto, aumentar muito as margens do negócio”, considera Nuno Mello.

 

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