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Francisco Lacerda deixa liderança dos CTT

Francisco Lacerda deixa liderança dos CTT

Sónia Peres Pinto 10/05/2019 18:20

Cargo deverá ser assumido por João Bento, atual administrador não executivo, apurou o SOL.

Francisco Lacerda vai deixar a liderança dos CTT, apurou o SOL. O mandato terminava a 31 de dezembro, mas o responsável vai sair mais cedo. O cargo, ao que o SOL apurou, será ocupado por João Bento, atual administrador não executivo.

Entretanto a informação já foi oficializada pela empresa em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. “Os CTT – Correios de Portugal informam que o senhor Dr. Francisco de Lacerda, vice-presidente do Conselho de Administração e CEO [Presidente Executivo] da sociedade, apresentou nesta data renúncia a estes cargos com efeitos nos termos legais”, lê-se no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

De acordo com o mesmo comunicado, Francisco de Lacerda decidiu renunciar aos cargos “por entender ser do interesse da sociedade proceder a uma transição da liderança da equipa executiva dos CTT nesta fase, em que se encontram consolidados os três pilares críticos da estratégia aprovada para o mandato 2017/19”.

Lacerda entrou nos Correios a 22 de agosto de 2012, mas o último ano de liderança tem estado debaixo de fortes polémicas. A renacionalização dos Correios - o prazo de concessão termina em dezembro e o PS quer esperar até 2020 para avaliar a possibilidade de nacionalização da empresa – e as guerras com a Anacom têm ditado este último mandato de Lacerda à frente da empresa.

O mais recente braço de ferro entre a empresa e o regulador diz respeito ao chumbo da proposta dos CTT em relação ao reforço da rede postal no início deste mês. O regulador das Comunicações diz que proposta da empresa para resolver o problema do encerramento das estações em vários concelhos não é suficiente. Segundo a Anacom, todo os concelhos devem ter uma estação ou um posto com serviços equivalentes.

Nessa altura, Francisco Lacerda, assegurou que “os CTT não estão a abandonar as populações” e que a empresa cumpre o contrato de concessão, que obriga a ter um ponto de atendimento, seja posto ou estação, em cada concelho.

Mas os problemas não ficaram por aqui. Já em fevereiro, os Correios e o regulador não se entenderam com o número de reclamações da empresa. A entidade liderada por Cadete de Matos acusou a empresa de Francisco Lacerda de utilizar a nomenclatura “reclamações” para englobar as queixas e os pedidos de informação para que mostrar que tinham sido alvo de uma redução de 7% no ano passado, quando o regulador diz que aumentaram 43% nesse período. Uma acusação afastada por Francisco Lacerda ao garantir que a sua empresa “não mente”, acrescentando ainda que a empresa “não presta informação enganosa, nem mente às populações, nem às autoridades. Pautamo-nos por trabalhar em boa colaboração e de uma forma transparente, com a informação devidamente prestada”.

No primeiro trimestre do ano, os lucros dos CTT recuaram 38%, para 3,7 milhões de euros. Esta linha de queda de lucros já tinha sido seguida em anos anteriores. No ano passado, os Correios apresentaram uma quebra de resultado de 28%, para 19,6 milhões de euros. Mas, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, a empresa cortou na distribuição de dividendos: 10 cêntimos por ação, ou seja, nunca os CTT pagaram tão pouco aos seus acionistas, cortando com a política de distribuir mais do que os lucros registados, ficando apenas por 75% dos lucros.

Notícia actualizada com comunicado enviado à CMVM

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