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Cerveja. Um negócio na mão de três gigantes que dominam mercado

Cerveja. Um negócio na mão de três gigantes que dominam mercado

Dreamstime Sónia Peres Pinto 09/05/2019 19:42

Operações de fusão e movimentos de consolidação têm sido a regra máxima seguida pelas mais variadas empresas desta indústria nos últimos anos.

Marcas de cervejas há muitas, mas empresas, não. O setor está nas mãos de três grandes gigantes que dominam o mercado mundial. Este movimento de consolidação não é novo, mas ganhou um novo fôlego depois da fusão, em 2016, entre a SABMiller, dona das cervejas Grolsch ou Peroni, e a empresa belgo-brasileira AB InBev, que detém a Budweiser, Stella Artois, Beck e Leffe - um negócio que foi avaliado, na altura, em cerca de 92 mil milhões de euros (79 mil milhões de libras). 

Devido à dimensão da operação, o processo de fusão das duas empresas exigiu a aprovação de vários reguladores, dada a dominância da companhia resultante. Resultado? Estima-se que a AB InBev tenha ficado com mais de 30% da quota de mercado face ao seu portefólio variado, com marcas como a Budweiser, Stella Artois, Grolsch e Pilsner Urquell. 

A verdade é que estes movimentos de consolidação foram, nos últimos anos, a regra máxima seguida pelas mais variadas empresas desta indústria. Aliás, estas operações de aquisição têm sido a solução encontrada pela indústria, refletindo não só as oscilações do consumo como o nascimento de novos negócios, como o das cervejas artesanais, e outros hábitos dos consumidores (ver texto ao lado). 

A própria AB InBev nasceu em 2004 da junção da brasileira Ambev e da belga Interbrew, que detinha a Stella Artois. 

Feitas as contas, o mercado mundial de cervejas é dominado por poucos fabricantes, ou seja, é constituído por três multinacionais e centenas de empresas cervejeiras. Também a Heineken (dona da Central de Cervejas, que produz a cerveja Sagres) anunciou em 2015 a compra de participações da Diageo em duas cervejeiras: a jamaicana Desnoes & Geddes e a GAPL, dona da Guinness Anchor Berhad, da Malásia. O negócio de quase 700 milhões de euros (cerca de 780,5 milhões de dólares) também incluiu a compra por parte da Diageo - a maior empresa de bebidas espirituosas do mundo - de uma participação de 20% na Guinness Ghana Breweries. 

Já a Super Bock deixou há muito de ser uma empresa de capital maioritariamente português. A Viacer, holding que detém 56% do capital da cervejeira portuguesa, é maioritariamente detida pelo grupo Violas, com 71,5%, mas a Carlsberg comprou 28,5% da Viacer, passando a deter, direta e indiretamente, 60% da companhia. Este reforço foi realizado no final do ano passado. “Estamos satisfeitos por termos aumentado a nossa participação indireta no Super Bock Group. É um negócio muito forte, com uma posição de liderança no mercado português, oferecendo oportunidades atraentes a longo prazo”, disse na altura em comunicado, o CEO da Carlsberg, Cees ’t Hart.

Produção de cerveja

Os últimos dados revelam que foram produzidos mais de 41 mil milhões de litros de cerveja em 2017 na União Europeia - um aumento de mais de 2,5 mil milhões em relação ao ano anterior, o que corresponde a quase 81 litros desta bebida por cada cidadão europeu. A Holanda foi o país dos 28 em que a produção mais aumentou nesse ano, ao crescer 48% face ao ano anterior. 

Mas, apesar desta subida, Portugal está longe de liderar a lista de maiores produtores de cerveja, cujo ranking é liderado pela Alemanha, que gera 8,1 mil milhões de litros e é responsável por 20% da produção comunitária. Isto significa que um em cada cinco litros da bebida produzidos na Europa tem origem nas fábricas alemãs. No segundo lugar da tabela surge o Reino Unido (5,6 mil milhões de litros ou 14%), seguido pela Polónia (4 mil milhões ou 10%), Holanda (3,9 mil milhões ou 9%), Espanha (3,6 mil milhões ou 9%) e Bélgica (2,4 mil milhões ou 6%).

Os restantes Estados-membros produziram 13,6 mil milhões de litros, o equivalente a 33% do total.

Quase uma em cada três cervejas com álcool exportadas pelo bloco comunitário em 2017 foi para os Estados Unidos (1,1 mil milhões de litros), seguindo-se a China (520 milhões), o Canadá (210 milhões) e a Coreia do Sul (175 milhões).

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