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Marcelo geriu silêncios e Alegre apoia Costa numa crise com fim à vista

Marcelo geriu silêncios e Alegre apoia Costa numa crise com fim à vista

Diana Tinoco Cristina Rita 08/05/2019 12:37

Votação final sobre a contagem de serviço pode acontecer sexta-feira. Fenprof ameaça com greves às avaliações.

O silêncio em Belém sobre a crise política provocada pelo descongelamento de carreiras dos professores dura há seis dias, mas o Presidente da República entendeu que o problema era entre o Parlamento e o Governo e a ordem foi mesmo essa: silêncio. Mais, terá ficado surpreendido com a posição do PSD (muito mais do que a do CDS) de dar a mão ao PCP e ao BE nesta matéria. Ontem, em Nápoles, Itália, Marcelo Rebelo de Sousa também não falou aos jornalistas sobre a situação interna, uma prática comum quando está no estrangeiro. Optou, antes, por discursar sobre a importância da digitalização nas reformas da Administração Pública, num encontro da COTEC.

De realçar que o Presidente da República nunca esteve tanto tempo calado sobre um tema, nem mesmo quando ficou hospitalizado para ser operado a uma hérnia umbilical no final de 2017.

No PS, a estratégia do primeiro-ministro, de ameaçar com a demissão, caso fosse aprovado o descongelamento integral das carreiras dos docentes – congeladas durante anos –não parece ter anticorpos. Bem pelo contrário. Mesmo quem já foi crítico no passado, de algumas medidas do Governo, dá o aval ao também secretário-geral do PS. É o caso do antigo deputado e poeta, Manuel Alegre.

Em declarações ao i, o histórico militante socialista elogia a atitude do primeiro-ministro. “Estou de acordo com António Costa que fez o que devia fazer para garantir [a sustentabilidade das] as contas públicas e a credibilidade do país”.

Questionado pelo i se a atitude de António Costa não compromete também acordos futuros à esquerda, Alegre afirma: “Em primeiro lugar, aquilo que se passou deixa em muito má situação os dois partidos da direita – o PSD e o CDS. Em segundo lugar, não posso responder a essa pergunta. Espero que não comprometa. Mas, acho que o primeiro-ministro, quando agiu, não esteve a pensar nessas contas. Agiu pensando no país. E eu, que várias vezes tenho sido crítico, dei-lhe todo o meu apoio”.

A partir de Bruxelas, Costa também ganhou adeptos. Pierre Moscovici, comissário para os Assuntos Económicos e Financeiros, deixou elogios ao primeiro-ministro por ter tido uma “posição sábia e firme”. O anúncio de crise política parece não ter passado a imagem de falta de credibilidade externa aventados à direita, com o argumento de potencial instabilidade política.

 

Fim da crise no dia 10?

A guerra de nervos e a ameaça real de demissão do Governo deverá cair por terra já no próximo dia 10, porque o Parlamento pode votar a versão final do diploma. Foi isso mesmo que ficou definido ontem na comissão parlamentar de Educação e Ciência, tendo o PSD e o CDS solicitado, apenas, algumas correções ou o retrato das votações espelhado no relatório que acompanha o texto que vai a votos.

Na versão final, os dois partidos que aprovaram com o PCP e o BE, a contagem integral de 3411 dias (9 anos, quatro meses e dois dias) no descongelamento de carreiras dos docentes, deverão, agora avocar a votação de algumas alíneas. O objetivo é acautelar que qualquer pagamento aos docentes se faça tendo em conta a sustentabilidade financeira das contas públicas, e o crescimento económico. Estas duas condições foram chumbadas na votação de especialidade que abriu a crise política, com o anúncio de demissão do primeiro-ministro e do Governo.

Ontem, a pressão aumentou do lado dos professores. O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, considerou que os argumentos de Costa, em relação aos professores, “são um chorrilho de mentiras” e acenou com greves dos professores às avaliações de alunos. Basta entregar o pré-aviso de greve até 22 de maio. Em conferência de imprensa, Mário Nogueira anunciou uma carta aberta a todos os partidos – que apresentaram propostas sobre o tema – para não entrarem “em politiquices”.

Do lado dos parceiros de esquerda do PS, tanto o BE como o PCP, procuram sacudir a pressão. Catarina Martins, coordenadora do BE, considerou que a “agitação política já desapareceu” e acrescentou que a crise política não passou de “um número de campanha”.

Jerónimo de Sousa, por seu turno, afirmou à Rádio Renascença que foi surpreendido pela dramatização do PS. “Não percebemos os fundamentos. Esta ideia de ou é como eu quero ou vou-me embora não foi apenas um grito de alma”, argumentou o líder comunista. O PCP, tal como já anunciado, não dará aval às propostas do PSD e do CDS. Se assim for, vingará o decreto do Governo que só contabiliza 2 anos, nove meses e dois dias de descongelamento de carreiras. Já António Costa fez o discurso de que não irá mudar uma vírgula, mesmo que os professores não votem nele, conforme admitiu à TVI.

 

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