16/9/19
 
 
Marta F. Reis 07/05/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Num instante passaram dez anos

Vieram tempos em que se tornaria difícil para muitos portugueses, e também para nós, resistir. Uma viagem que foi muito mais do que uma questão económica, foi emocional. Passam dez anos. 

Sete de maio de 2009. Lembro-me como se fosse hoje da véspera em que fechámos a primeira edição, do nervoso miudinho, da adrenalina. Antes tinham sido uns meses de preparação de números zero, uma redação a conhecer-se, o entusiasmo dos mais novos a ir beber o que conseguiam sobre jornalismo aos mais velhos, pensar o que se poderia fazer diferente, refazer muitas vezes. “Num instante tudo muda”. Do frenesim desses primeiros tempos ao que viria a acontecer no país, com a terceira intervenção do FMI na história de Portugal, o slogan inicial do i não podia ter sido mais bem apanhado. Vieram tempos em que se tornaria difícil para muitos portugueses, e também para nós, resistir. Uma viagem que foi muito mais do que uma questão económica, foi emocional. Passam dez anos. Numa redação, o tempo é uma coisa estranha - parece menos e, ao mesmo tempo, muito mais que dez anos, em dias que se prolongam, em histórias que nos prendem, em pessoas que nos marcam, nas mudanças que testemunhamos no que nos rodeia e nas nossas vidas. De 24 em 24 horas recomeçamos, vamos de novo à procura. Os dez anos do i que hoje celebramos são de muita gente - dos leitores que nos acompanham, dos que passaram por estas páginas ao longo destas quase 3 mil edições e da equipa que fez e faz diariamente o jornal. O jornalismo está e estava numa encruzilhada, numa altura em que as opiniões tantas vezes se confundem com factos, em que apesar da apregoada modernização administrativa nem sempre é mais simples o acesso à informação, nem uma prioridade o exercício da transparência. É nisso que temos de insistir, é nisso que temos de fazer a diferença. Subir cortinas, contar histórias, persistir. O mundo acelerou e esse é também um desafio. Há dez anos, ensaiávamos os primeiros diretos no site - hoje, as redes sociais nunca adormecem, acabam por estar sempre lá, em qualquer sítio. Tudo é última hora e publicar um jornal em papel implica ter horários de fecho, saber que nem tudo caberá na edição do dia seguinte, reinventarmo-nos e lutar por um espaço no quotidiano também mais acelerado e ligado dos leitores. É um privilégio poder ter estado nos primeiros passos do i e estar hoje deste lado. Se tem ideias que poderiam ajudar-nos a melhorar, uma história que gostava de ver contada, escreva-nos. Estamos cá.

 

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