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Turismo. Falta de mão-de-obra já leva hotéis a adiar inaugurações

Turismo. Falta de mão-de-obra já leva hotéis a adiar inaugurações

Sónia Peres Pinto 06/05/2019 12:17

Para este ano, está previsto surgir 65 novos hotéis – a maioria em Lisboa e no Porto – e 15 remodelações. No total vão nascer mais 1556 quartos.

A falta de mão-de-obra no turismo continua a penalizar o setor e já há hotéis que são obrigados a adiar a sua inauguração por falta de trabalhadores. A garantia foi dada ao SOL pela presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, Cristina Siza Vieira. Uma questão que ganha novos contornos quando está prevista a abertura de mais 65 novas unidades este ano – só em Lisboa são esperados 22 hotéis e o Porto deverá receber 15 –, traduzindo-se num aumento de mais de 570 quartos. Estão previstas ainda 15 remodelações, com a capital a ser alvo de quatro, reforçando a oferta em mais 986 quartos.

Ainda que o foco esteja nas grandes cidades, o resto do país não fica esquecido. Estão previstos, além de sete novas unidades hoteleiras e uma remodelação no Centro, cinco novos hotéis para o Alentejo e duas remodelações. Também os Açores e a Madeira vão ser reforçados com mais uma e três unidades, respetivamente.

“Há muitos anos que temos vindo a alertar para a escassez de trabalhadores no setor”. Um problema que, de acordo com a responsável, não é exclusivo deste mercado, mas que ganha maiores proporções face ao crescimento deste negócio face a outros. “Há falta de trabalhadores desde o staff até ao serviço de apoio, no fundo é transversal em todos os serviços”, esclarece. O cenário “de aumento de oferta e melhores taxas de ocupação exigem mais profissionais na hotelaria”. E lembra que “às vezes nem sequer há as pessoas necessárias para abrir um hotel que já está pronto em termos de infraestruturas”.

A preocupação é partilhada por Ana Jacinto, secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) que chega a admitir que o setor precisa, pelo menos, de 40 mil trabalhadores. “No ano passado fizemos uma grande reflexão sobre o mercado de trabalho e em janeiro de 2018 fizemos um inquérito aos empresários do setor, e já nessa altura diziam que, se tivessem 40 mil trabalhadores disponíveis, teriam absorvido esse número de trabalhadores”, revelou em entrevista ao i.

Entraves na captação A rotatividade, os horários noturnos e, até mesmo a sazonalidade em determinadas zonas do país – como é o caso do Algarve que, apesar de ter assistido a uma redução, continua a sofrer desse problema – são apontadas pelas responsáveis do setor como os principais entraves de captação de profissionais para este mercado. Ainda assim, mesmo em época baixa, as empresas estão a contratar, o que significa que estamos no “bom caminho no que respeita ao combate da sazonalidade”.

No entanto, a opinião é unânime: “É um trabalho exigente e penoso”, mas compensado em termos salariais e de progressão de carreira.

Peso na economia A verdade é que, apesar destes entraves – abrandamento do crescimento do turismo e da dificuldade de contratação de mão de obra – o setor tem vindo a contribuir para a criação de novos postos de trabalho. Entre 2015 a 2017, no canal Horeca, ou seja restauração e hotelaria, foram criados 64.600 postos de trabalho. Mas a este número há que acrescentar ainda os novos referentes a 2018 e ao início do ano.

Mas os números não ficam por aí. O setor do turismo, no final de 2017, registava mais de 146.600 empresas, que empregavam mais de 440 mil trabalhadores, de acordo com os últimos dados do INE. No entanto, tendo em conta apenas o canal Horeca, existiam, no final de 2017, 104.800 empresas e, no final do ano seguinte, empregava 328.500 trabalhadores.

Em 2019 a meta dos 400 mil trabalhadores já foi ultrapassada, de acordo com as contas da secretária de Estado do Turismo. “Ainda não temos números finais do mês de abril de 2019, mas já em meados de abril ultrapassámos pela primeira vez o número de 400 mil trabalhadores a trabalhar no turismo. Nunca tivemos esse valor, em nenhum mês do ano, e é ainda mais importante isto acontecer no mês de abril”, referiu Ana Mendes Godinho.

 

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