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Paris FC. “Paris somos nós!!!” é um grito contra o esquecimento

Paris FC. “Paris somos nós!!!” é um grito contra o esquecimento

Afonso de Melo 03/05/2019 15:22

Podem viver na sombra do seu rico irmão mais novo, mas recusam-se a entrar em revisionismos. O Saint--Germain era Stade, não Paris. Ganhou o nome da cidade por causa do Football Club e da fusão de 1970. Além do mais, é dos subúrbios. De Yvelines. “Paris sera toujours Paris!”

Dizem os próprios parisienses que há tanto para ver e fazer em Paris que não há espaço sequer para que o futebol seja a coisa mais importante das coisas menos importantes. Seja. Se pensarmos que o Paris Saint-Germain, agora transformado numa espécie de campeão inevitável de França, nasceu apenas em 1970, não podemos deixar de lhes dar uma certa razão.

Maurice Chevallier cantava: “Chambouler les Champs Élysées/ Emmailloter de terre battue/ Toutes les beautés de nos statues/ Voiler le soir les réverbères/ Plonger dans le noir la ville lumière”. Ah, essa face negra da Cidade-Luz. Nomes que o tempo foi perdendo e a memória esqueceu: Club Français, US Suisse Paris, Standart Athletic Club, Racing, Paris-Charenton, Red Star FC, Stade Français, Gallia Club Paris, Aubervilliers, Athletic Club de Boulogne-Billancourt, UJA Maccabi Paris Métropole, Olympique de Paris, US Créteil, FC Versailles... Não é por falta de opções que o futebol não faz dos adeptos parisienses uns fanáticos. Nunca foi. É dessa filosofia meio etérea de uma cidade feminina como nenhuma outra, nos seus requebros e caprichos, na sua incomparável forma de fazer charme a quem a visita e habita, minuto a minuto, hora a hora, ano após ano, década após década. “Paris sera toujours Paris!/ La plus belle ville du monde/ Malgré l’obscurité profonde/ Son éclat ne peut être assombri/ Paris sera toujours Paris!”

 

O FC

Não há apenas Paris no Saint-Germain. Há também no seu irmão mais novo, fundado um ano antes, o Paris Football Club, que foi também seu pai porque se transformou em Paris Saint-Germain até que voltou a ganhar a sua independência, tornando-se um dissidente e recuperando o nome anterior. Ligeiramente estranho? Sim. E depois? Já leram Victor Hugo? Não há nele uma Paris misteriosa como em nenhum outro?

O Paris FC viveu para ser o parente pobre do Paris Saint-Germain. E é-o com orgulho, e não com ressentimento. Comemora agora os seus 50 anos de existência e comemora também 40 anos sobre a sua última presença na i Divisão francesa. Os seus aficionados mais fervorosos não permitem que a História caia na mão dos revisionistas, geralmente tão desonestos quanto incómodos. O Paris do Saint-Germain nasceu do Paris Football Club ao tempo da unificação. O Saint- -Germain não era Paris, era Stade Saint--Germain. Depois ficou com o Paris mesmo depois do Paris já ter abandonado a fusão. Mais ainda: o Saint-Germain era natural de Saint-Germain-en-Laye, e qualquer bom parisiense sabe de cor e salteado que Saint-Germain-en-Laye fica, no mínimo, a 20 quilómetros de distância do centro de Paris e que os saint-germanois não podem ser considerados verdadeiros parisienses, parisienses de gema. São do departamento de Yvelines, lamentavelmente suburbanos para os centralistas que os observam à distância. “O Paris somos nós!”, reclamam os do Football Club. “Os outros podem ter Paris no nome, mas porque lho demos”.

 

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