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Dias(s) do Trabalhador com mais saúde e bem-estar?

Dias(s) do Trabalhador com mais saúde e bem-estar?

Francisco Miranda Rodrigues 01/05/2019 08:45

O dia 1 de Maio celebra e homenageia a luta iniciada em Chicago, em 1886, pela melhoria das condições de trabalho, como a redução do horário de trabalho para 8 horas diárias (podia chegar às 17 à época). No período entre guerras, a duração máxima da jornada de trabalho passou para as 8 horas em boa parte dos países industrializados. Neste caminho ao longo da história recente da humanidade muito tem mudado na organização do trabalho e na forma como o vivemos, embora de um modo muito desigual à volta do mundo e por vezes até no mesmo país. Guy Ryder, director-geral da Organização Internacional do Trabalho, afirmou que “quando estas três chaves se juntam - governos, empregadores e trabalhadores - abrem-se portas e a justiça social avança”. Assim, enquanto em certas zonas do planeta ainda se luta por ultrapassar a pobreza extrema, noutras, por vezes lado a lado, alguns tentam transformar as condições de segurança, higiene ou saúde no trabalho e outros ainda procuram no trabalho a realização, satisfação e bem-estar por vezes esquecido da definição da Organização Mundial da Saúde - “bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”.

Se é verdade que, cada vez mais, a segurança e higiene no trabalho não é discutível, embora ainda se morra por acidentes de trabalho em Portugal, hoje estamos mais longe das situações em que era considerado uma “fraqueza” ou “esquisitice” exigir segurança e higiene num local de trabalho. Todavia, quando falamos de assédio, stresse ou mesmo burnout, parece que voltamos ao passado e continuamos a ver os estereótipos e o estigma acima do bom senso e do conhecimento científico sobre os impactos do trabalho na saúde e da saúde do trabalhador na sua produtividade. Parecem “esquisitices”. Como as botas e os capacetes já foram acessórios para “fracos”, a conciliação da vida profissional com a vida pessoal, o contacto social com presença física, o sono e o descanso nas doses recomendadas, o exercício físico e o contacto com a natureza têm de ser possíveis para além do horário de trabalho, onde desligar (dos ecrãs) é hoje tão necessário ensinar como a lavar as mãos antes das refeições.

Assim, a organização do trabalho e outros valores e prioridades devem coexistir para além da concorrência e do lucro (a todo o custo). É que, se é verdade que a evidência científica demonstra que a situação de desemprego é perniciosa para a saúde, também é verdade que dias de trabalho como muitos têm, meses ou anos a fio, sem conseguirem equilibrar a vida pessoal e profissional, também fazem parte das “esquisitices” e “fraquezas” de hoje. Horta Osório, CEO do Lloyds Bank, em discurso no lançamento da iniciativa Mental Health at Work, disse que “enfrentar este assunto fará uma grande diferença para a produtividade e prosperidade do país mas, antes do mais, para as vidas das pessoas e o seu bem-estar”.

 

Bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses

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