19/9/19
 
 
José Cabrita Saraiva 01/05/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Guaidó: tão corajoso como irresponsável

Além da coragem, Guaidó mostrou também irresponsabilidade ao pedir ao povo para sair contra o regime.

O mundo está de olhos postos na Venezuela, onde ontem Juan Guaidó desencadeou um golpe de Estado para derrubar Nicolas Maduro. Às primeiras horas da manhã, o Presidente interino convocou o povo para a rua e pediu “o cessar definitivo da usurpação”. Nas horas seguintes, os rebeldes e os que se mantiveram leais ao poder mediram forças nas ruas de Caracas.

Guaidó, cujo estilo faz lembrar e muito o de Obama - ontem ouvimo-lo a perguntar “Podemos ou não podemos?”, com os seus apoiantes a responderem em uníssono “Sim, podemos” -, mostrou coragem ao avançar. Disso não há dúvida. Inversamente, ao permanecer em localização incerta, Maduro deu a impressão de querer esconder-se durante as horas decisivas em que se jogava o destino da nação.

Mas, além da coragem, Guaidó mostrou também irresponsabilidade ao pedir ao povo para sair contra o regime. E quando começaram a surgir notícias de que civis tinham sido atropelados por veículos das forças de segurança, ficou o receio de que estas podiam ser as primeiras vítimas do apelo do Presidente interino, que, ao fazer dos populares o seu exército, de certo modo colocou-os na posição ingrata de escudo humano. Estaria ele pronto para assumir as culpas no caso de um banho de sangue?

A declaração de Guaidó mostrou com muita clareza ainda outra coisa: que o pretendente avançou sem ter ainda reunido a força necessária para derrubar o regime. Não tendo os militares, como se percebeu, do seu lado, precisava desesperadamente de engrossar as suas fileiras. De outro modo, qual o sentido de anunciar o assalto ao poder, deixando assim os opositores de sobreaviso e preparados para o embate? 

Uma nota final para os pedidos de contenção e de fim da violência de António Guterres. As declarações bem intencionadas do secretário-geral da ONU parecem quase infalivelmente destinadas a cair em saco roto, a serem completamente ignoradas pelos protagonistas. E isso retira peso e respeitabilidade ao cargo.

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