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Greve de trabalhadores pode encerrar supermercados hoje

Greve de trabalhadores pode encerrar supermercados hoje

Dreamstime Daniela Soares Ferreira 01/05/2019 00:00

O pré-aviso de greve foi emitido pelo Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, que exigem melhores condições de trabalho e acusam empresas. APED lamenta que a greve tenha sido convocada e diz que tem apresentado soluções. 

Está a pensar ir às compras hoje? Talvez não seja o melhor dia. O motivo? Os trabalhadores vão estar em greve. Ou pelo menos é isso que se espera.

O pré-aviso foi emitido pelo Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP, afeto à CGTP) que, apesar de não conseguir precisar a adesão dos trabalhadores, espera que seja grande. “A greve é em todo o país, naturalmente que há regiões onde a concentração de locais de trabalho é superior”, afirma a direção nacional do CESP ao i. “Contamos uma grande adesão dos trabalhadores, mas é impossível avançar números. Este setor tem mais de 130 mil trabalhadores em milhares de locais de trabalho”, acrescenta.

As reivindicações são claras. Os trabalhadores, segundo o CESP, pedem a negociação do contrato coletivo de trabalho com aumento dos salários de todos os trabalhadores, fim da precariedade, horários dignos e regulados e ainda o encerramento do comércio no dia 1 de maio e defesa do direito ao Dia do Trabalhador, e em todos os domingos e feriados. Pedem ainda a rejeição da proposta de lei de alteração ao Código do Trabalho e revogação das normas gravosas.

O que o CESP pretende com esta greve anunciada “é a consciencialização pelas empresas de que têm que respeitar e valorizar os seus trabalhadores”, em relação aos vários pontos anteriormente indicados.

“Pressionar, intimidar, aliciar” O CESP/Fepces avança ter convocado esta greve e ter contactado milhares de trabalhadores, “esclarecendo-os e mobilizando-os”. Mas deixa uma crítica às empresas. “Constatamos que as empresas, nomeadamente as grandes empresas de super e hipermercados como a Sonae, o Pingo Doce, a Auchan, etc., tudo fazem para pressionar, intimidar, aliciar os trabalhadores para não fazerem greve”. E deixa exemplos. “Veja-se a Sonae/Continente a sortear um voucher entre os trabalhadores que estejam nos seus locais de trabalho a cumprir o seu horário de trabalho no dia 1 de maio [hoje]. Ou o Jumbo/Auchan a organizar lanches e petiscos para os trabalhadores dentro dos locais de trabalho”, criticam.

Em relação à decisão da Sonae, o sindicato chegou mesmo a emitir um comunicado intitulando a atitude de “vergonha” e garantindo não acreditar em coincidências.

O sindicato frisa ainda que “os trabalhadores das empresas de distribuição, empresas que têm muitos milhões de euros de lucros, empresas que, como acontece no Pingo Doce, têm o seu CEO a receber mensalmente mais de 140 salários dos seus”. E acrescenta que em causa estão “salários de miséria - 600€ a 650€ na sua esmagadora maioria, mesmo que já tenham 10, 15, 20, 30 anos de serviço na empresa”.

Horários alargados e desregulados, “por incumprimento das empresas”, alterações de horários constantes que impedem a conciliação do trabalho com a vida pessoal, são alguns dos motivos pelos quais o CESP considera esta greve justa. 

“A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) e as empresas, em troca de um mísero aumento de 3,12€, querem desregular ainda mais os horários, com a introdução de banco de horas no Contrato Coletivo de Trabalho e querem baixar o valor do pagamento do trabalho extraordinário”, acusa o sindicato. 

“Os trabalhadores das empresas de supermercados - super e hipermercados, grandes armazéns e lojas especializadas, armazém e logísticas das empresas de distribuição têm muitas e justíssimas razões para fazer greve e exigir a valorização do seu trabalho”, defende.

APED lamenta greve Questionada pelo i sobre a greve, a APED relembra “que está a decorrer, em sede própria, a negociação dos termos e condições do Contrato Coletivo de Trabalho”. E, por esse motivo, a associação “lamenta que os sindicatos voltem a apelar à greve num momento em que se procura reforçar a tentativa de conciliação entre trabalhadores e empresas”. A APED garante ainda que tem vindo a apresentar soluções concretas de forma ativa, acusando que “o mesmo não se tem verificado por parte dos sindicatos”.

Apesar de concordar que o direito à greve é um ato reivindicativo que faz parte da vida em sociedade, a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição considera que, neste momento, “não contribui para um compromisso dos sindicatos para o diálogo necessário ao processo de negociação e conciliação em curso e para os reais interesses dos milhares de trabalhadores do setor, que não se revêm nesta forma de atuar”.

A APED reforça que “este instrumento tem sido utilizado de forma reiterada por algumas estruturas sindicais sem expressão”, o que se traduz em “fraca representatividade e mobilização”, junto dos trabalhadores do setor.

Descontos de 50% causaram o caos

1 de maio de 2012. Milhares de portugueses trocaram as celebrações do Dia do Trabalhador para se deslocar ao Pingo Doce mais próximo. O caos estava instalado. O supermercado do grupo Jerónimo Martins decidiu avançar com descontos de 50% em compras acima dos 100 euros.

A oportunidade para os clientes proporcionada por esta cadeia de supermercados tem até já uma página na Wikipédia, onde é possível ler que foram registadas 50 ocorrências pela PSP, inúmeros desacatos e ainda dois feridos com necessidade de transporte para o hospital.

Não havia memória de uma promoção assim nos supermercados nacionais e a medida trouxe vários benefícios ao grupo. Na altura, o presidente não executivo da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, anunciou que as vendas desse dia atingiram 27 milhões de euros.

Milhares foram às 369 lojas Pingo Doce de todo o país, mas a medida gerou controvérsia e nesse mesmo ano a Autoridade da Concorrência aplicou uma multa de cerca de 30 mil euros.

Apesar de não ter voltado a repetir uma promoção tão grande, o Pingo Doce tem presenteado os clientes no Dia do Trabalhador. Em 2014, uma promoção deste género valeu uma multa de 500 mil euros aplicada pela ASAE. 

Promoções continuam O Pingo Doce continua a celebrar o 1.º de Maio com promoções. Este ano, a cadeia de supermercados criou o ‘Festival da Poupança’, que tem a duração de nove dias e que teve início no passado sábado. Além das promoções semanais do folheto, o Pingo Doce apresenta, durante estes nove dias, todos os dias uma promoção diferente.

Hoje, os clientes Pingo Doce podem poupar duas vezes o valor do IVA - poupam na hora e ganham esse valor em cartão, para usar numa compra a partir de 35 euros entre os dias 8 e 21 deste mês, disse ao i fonte oficial do Pingo Doce. Esta é uma promoção que apenas é válida para os clientes que aderiram ao cartão ‘Poupa Mais’.

A mesma fonte considerou ainda que estas são “promoções fortes e boas”: “São descontos muito bons, que em vez de um dia, como é habitual nesta altura, abrangem nove”, rematou.
 

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