10/4/20
 
 
Luís Newton 28/04/2019
Luís Newton
Opinião

opinião@ionline.pt

Futuro de Espanha (e da Europa)

No dia em que o país vizinho se prepara para as terceiras legislativas em menos de quatro anos, importa fazer uma reflexão sobre as enormes mudanças, e eventuais lições, que podem representar.

Desde logo existe uma quebra da aparente estabilidade da governação assente exclusivamente em partidos moderados (PSOE ou PP).

Primeiro assistimos a um forte crescimento da extrema esquerda (já nas últimas eleições), que trouxeram um governo do PSOE profundamente condicionado.

Agora, assistimos a um enfraquecimento do PP e ao surgimento de uma força de extrema direita (o VOX) que parece ter o mesmo efeito à direita que o PODEMOS teve à esquerda.
Muitos defendem que o esmorecimento das forças políticas tradicionais que bipolarizaram o panorama político espanhol pós-Franco, se deve aos escândalos e ao descrédito que as ações desses partidos originaram.
Eu entendo que outros fatores foram mais determinantes.

À esquerda o PSOE perdeu rumo ideológico, muito na senda dos dramas do desvanecimento do socialismo Europeu que a Terceira Via acabou por não solucionar. Isto deu força às vozes mais extremistas com visões de Estado mais intervencionista e mais pesado.
À direita funcionou um mecanismo de reação. Primeiro tentaram dar força ao PP, mas perante a incapacidade deste em mobilizar uma maioria da Sociedade e eleger um Presidente do Governo, resignaram-se à expectativa de uma governação moderada do PSOE.

Porém essa governação não foi moderada, sempre em intenso confronto, e tentou mexer com um episódio da história recente de Espanha que ainda gera emoções. Para mim, a transladação de Franco, que não cumpria nenhum desígnio legislativo, transformou-se no rastilho para a explosão do nacionalismo espanhol e do discurso populista de extrema direita do VOX.

E para estas eleições temos sondagens que dão pesos significativos aos extremistas da esquerda e da direita, que condicionarão qualquer governo, acentuando a crispação política.
Por isso, o futuro que hoje se pode discutir em Espanha é mais do que saber se ganha o PSOE ou o PP. É mais do que perceber se há uma maioria à esquerda ou à direita.

Hoje o que se pode discutir em Espanha é se todos compreendem que o paradigma mudou e que o mais importante é o confronto entre moderados e extremistas.

E este é o futuro em Espanha e no resto da Europa: os partidos tradicionais compreenderem que devem trabalhar em conjunto para isolar os extremos, porque se ao invés quiserem continuar a governar apoiados na extrema esquerda ou na extrema direita, só perpetuarão o reforço desses extremos no sistema político, conduzindo-os, paulatinamente, ao Poder.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×