24/5/19
 
 
Vítor Rainho 26/04/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

As crianças que pagarão a reforma dos pais

O anúncio do aumento do número de nascimentos em Portugal é uma excelente notícia, mas é preciso fazer muito mais para que o país consiga evitar a morte lenta. Como já se percebeu, muitos casais optam por ter filhos de acordo com a sua situação financeira, e quando há o sentimento de que se consegue alimentar mais um descendente nascem mais crianças. Por isso, não se percebe como os partidos não entendem que em vez de lutarem pelo fim total das propinas no ensino superior - que iria beneficiar muitas famílias que não precisam dessa ajuda - devem lutar antes pela abertura de creches gratuitas para a maioria da população. É um investimento que faz todo o sentido e que irá ser excelente no futuro, pois serão essas crianças que irão pagar as reformas dos seus pais.

Mas as câmaras e os grandes empresários que não pensam a médio prazo devem fomentar a política de natalidade. Há que criar condições para tirar pessoas das grandes cidades e levá-las para o interior, e isso não se faz só com boas intenções. É preciso apostar nas isenções fiscais, ter bons hospitais e boas escolas, além de deslocalizar para essas zonas muitos serviços estatais - esperando que os empresários sigam essa tendência.

A Europa está a ficar velha e gasta, o que tem provocado um aumento dos extremismos, e a vinda sem controlo de migrantes tem dado azo ao crescimento dos populismos que se manifestam contra a chegada de tantos milhões de pessoas à procura de uma vida melhor. Hoje, as pessoas são muito mais exigentes, não querem ter privações por causa da chegada de mais um filho, e as facilidades dadas, nalguns casos, a migrantes provoca os tais descontentamentos nos extremistas. Cabe, pois, ao Estado e aos grandes empresários facilitarem a vida aos casais que querem ter filhos mas que não os têm por razões económicas. A Europa não se pode tornar xenófoba e tem de arranjar forma de acolher um número de estrangeiros que virão representar uma mais-valia para todos, devidamente enquadrados. Inclusivamente para eles.
 

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