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Arbitragem no feminino. História na Ligue 1 mas Bundesliga foi pioneira

Arbitragem no feminino. História na Ligue 1 mas Bundesliga foi pioneira

Laura Ramires 25/04/2019 15:45

Stéphanie Frappart viu o seu nome invadir os jornais desportivos ao tornar-se a primeira mulher nomeada para dirigir um encontro no principal escalão do futebol francês. Antes, em 2017, foi na Liga alemã que o passo foi dado pela primeira vez.

“Conheça o árbitro nomeado para a partida X”: uma notícia com que deve cruzar-se regularmente enquanto faz o habitual scroll no telemóvel, iPad ou mesmo no computador. Nada de estranho ou de novo. Mas e se a notícia passar a ter outro título? “Conheça a mulher que vai arbitrar o jogo Y”. Vai certamente despertar curiosidade, e com razão. Até porque se trata de um feito inédito. Histórico. Pelo menos, por enquanto. É cada vez mais notório o crescimento exponencial do futebol feminino nos últimos anos, em especial nas duas últimas épocas. Nesta temporada, esse crescimento traduz-se de várias formas, com destaque para as assistências nas partidas femininas, que têm batido recordes nas últimas semanas. Mas não é apenas nesta linha que é possível notar uma igualdade cada vez maior entre homens e mulheres. Esta terça-feira houve um nome a destacar-se na imprensa desportiva nacional e internacional: Stéphanie Frappart. Por esta altura, já percebeu a razão. A francesa tornou-se a primeira mulher nomeada para dirigir um encontro no principal escalão do futebol francês. A árbitra internacional de 35 anos irá apitar o encontro entre Amiens e Estrasburgo, referente à 34.a jornada (domingo). A decisão nunca antes vista surgiu da parte da Federação Francesa de Futebol (FFF), na sequência do apelo da FIFA, que pediu para que as federações com árbitros no Mundial feminino possam oferecer-lhes melhor preparação técnica, atlética e na assistência de vídeo. “No âmbito da sua preparação para o Mundial feminino de 2019, a árbitra francesa foi designada pela direção da arbitragem da FFF [Federação Francesa de Futebol] para dirigir na próxima ronda da Ligue 1”, comunicou o órgão federativo gaulês. 

A francesa é internacional desde 2011 e começou a arbitrar jogos do segundo escalão francês em 2014. 

Refira-se que apesar de a Ligue 1 já estar decidida, depois de o PSG ter conquistado o (bi)campeonato no passado fim de semana, este será um encontro de extrema importância, já que o Amiens está apenas um lugar acima da linha vermelha numa altura em que falta disputar cinco jornadas até ao final da prova.

“Um dos meus papéis é cultivar vocações, ao fazer com que as raparigas se aventurem na arbitragem. Levo isso muito a sério, porque acho que abri muitas portas”, disse a árbitra em entrevista ao canal de televisão France 24. 

Stéphanie Frappart é a única mulher em França que consegue sustentar-se da arbitragem. Já tem ordenado e apoios fixos, revelou Pascal Garibian, responsável pela arbitragem no país.

Bundesliga foi pioneira O passo importante dado pela FFF segue-se à nomeação histórica de Bibiana Steinhaus, a mulher que fez manchetes pelos desportivos de todo o mundo ao tornar-se a primeira árbitra principal a apitar um jogo do primeiro escalão de futebol das principais ligas europeias. Na época 2017/2018, a alemã dirigiu o encontro entre o Hertha de Berlim e o Werder Bremen, a contar para a terceira jornada da Liga alemã, que terminou empatado a uma bola. “Foi o concretizar de um sonho. Evidentemente, estou muito contente. É o reconhecimento do duro trabalho que me levou até aqui e uma grande motivação para continuar”, disse, na altura, a experiente internacional, que já marcou também presença nos Mundiais de Futebol Feminino de 2011 e 2015 e nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, e que apitou a final da Liga dos Campeões de Futebol Feminino em 2017.

Naquele encontro não houve incidentes a registar – apenas foi mostrado um cartão amarelo. Porém, até aqui, nem tudo foi um mar de rosas ao longo da carreira da ex-polícia, que chegou a ter desavenças com... Pep Guardiola.

Em 2014, o técnico, irritado com o tempo de compensação, desentendeu-se com a alemã num jogo entre o Borussia Mönchengladbach e o Bayern de Munique, que treinava à época. À data, no papel de quarta árbitra, Steinhaus afastou os braços do técnico espanhol, evitando um cenário pior. Na altura, a árbitra que apitou desde 2007 quase uma centena de jogos na segunda divisão alemã recebeu muitos elogios por parte da imprensa.

Já na temporada seguinte, num jogo da segunda divisão, a árbitra da Federação Alemã de Futebol desde 1999 e árbitra FIFA desde 2005 voltou a ser notícia após expulsar Kerem Demirbay, que jogava na época no Fortuna Düsseldorf. O alemão, que alinha atualmente no Hoffenheim, foi sancionado com cinco jogos de suspensão por ter afirmado ao sair de campo que as mulheres não deveriam estar no futebol.

Acredita-se agora que a decisão tomada pela FFF seja replicada nas próximas épocas pelas várias ligas europeias, que, de resto, já integram várias mulheres nas segundas ligas dos respetivos países, como é o caso de França, Inglaterra ou Itália.

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