26/5/19
 
 
Marta F. Reis 25/04/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

O dever da memória

Um grupo de cidadãos mobilizou-se para criar o memorial aos presos e perseguidos políticos que será esta quinta-feira inaugurado na estação de metro da Baixa-Chiado, em Lisboa. 

“A ideia partiu de um conjunto de cidadãos preocupados com a ausência de memória e que entenderam prestar esta homenagem”, conta nesta edição, em que evocamos os 45 anos de Abril, Alfredo Caldeira, um dos dinamizadores da iniciativa. 

Reuniram perto de 30 mil nomes, muitos até aqui perdidos nos arquivos da PIDE, de homens e mulheres detidos ao longo dos 48 anos de ditadura. Lançam também nesta data um site com nomes e biografias onde falam do dever da memória, um espaço virtual contra o esquecimento. Há uns anos, numa conversa com um sobrevivente do Holocausto, refletia sobre isso mesmo: a importância da memória, tantas vezes dolorosa de partilhar, também para não se repetirem erros do passado. Para que não demos por garantido o que temos. Contava a TSF a meio da semana que metade do arquivo da PIDE nunca foi consultado. Paulo Tremoceiro, chefe de divisão no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, estima que estejam ali milhões de vidas de pessoas que “desconhecem ou apenas subentendem que terão sido vigiadas”, nunca tendo consultado os seus processos. Por desconhecimento ou vontade de esquecer, admitia. Noutro capítulo da História, o jornalista José Manuel Barata Feyo lançou este mês um livro que resulta dessa mesma busca e dever de memória: recuperou histórias até aqui desconhecidas de mais de 300 portugueses que lutaram na resistência ao nazismo em França, vivências que começa a desvendar no livro Heróis na Sombra (Clube do Autor). Quantas histórias dos nossos estarão por descobrir, quantas vidas por homenagear, tantos a quem agradecer a luta pela liberdade.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×