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Campeonato. Benfica e FC Porto fazem acreditar em cenário raro

Campeonato. Benfica e FC Porto fazem acreditar em cenário raro

Miguel Riopa/AFP Laura Ramires 24/04/2019 18:05

Só por seis ocasiões (em 84 edições) é que duas equipas terminaram um campeonato português com os mesmos pontos. Em 50% dessas vezes a luta foi entre águia e dragão.

Já em modo contagem decrescente para terminar a época 2018/19, Benfica e FC Porto seguem taco-a-taco, não desiludindo todos os que acreditaram numa guerra imprópria para cardíacos, que parece, aliás, que irá prolongar-se pelas últimas quatro batalhas – mesmo até ao último suspiro da presente edição da Liga portuguesa. 

Discutir um campeonato até aos últimos cartuchos não é, todavia, uma raridade e não é por isso difícil de relembrar várias ocasiões em que isso aconteceu. Porém (muito) mais invulgar é os dois primeiros classificados terminarem em igualdade de pontos a competição.

Contas feitas, nas 84 edições já disputadas da Liga portuguesa é possível verificar que esta situação aconteceu apenas por seis vezes – sendo que em 50% destas circunstâncias a luta fez-se precisamente entre FC Porto e Benfica. 
A última época em que foi necessário recorrer aos critérios de desempate para apurar o campeão foi há mais de quatro décadas (1977/78), mas é preciso recuar ainda mais, até 1959, para encontrar o polémico campeonato, que ficou posteriormente eternizado como o “caso Calabote”. 

Inocêncio Calabote Um nome que vem com regularidade à baila quando se trata de sprints finais de campeonatos renhidos, mas não pelas melhores razões.

Na época de 1958/59, no então Campeonato Nacional da Primeira Divisão,  FCPorto e Benfica chegaram à última jornada da prova com os mesmos pontos e tinham empatado entre si os dois jogos. Como tal, o campeão daquele ano iria ser decidido na diferença de golos, com o dragão em vantagem, com 56 golos marcados em relação aos 52 dos encarnados. Ora, para a águia sagrar-se campeã teria que assinar mais cinco golos do que aqueles que os portistas marcassem na ronda derradeira. O Benfica recebeu a CUF e o FC Porto fez o último teste diante do Torreense. 

Os encarnados venceram por 7-1, numa partida em que o protagonista foi mesmo o árbitro da Associação de Futebol de Leiria, Calabote, que acabou acusado pelos portistas de ter atrasado deliberadamente o jogo, além de ter marcado três penáltis contra a CUF e expulsado três jogadores da equipa do Barreiro.

Mais: numa altura em que o FC Porto já tinha terminado o encontro em Torres Vedras, com uma vitória por 3-0, o jogo seguia na Luz, com Inocêncio Calabote a conceder quatro minutos de tempo extra, algo considerado fora do normal naquela época, em que os árbitros não costumavam prolongar os jogos mais de dois minutos para lá do tempo regulamentar. 

Ainda assim, o ‘plano Calabote’ revelou-se infrutífero já que os encarnados não conseguiram chegar ao oitavo golo, tornando o FC Porto de Béla Guttmann campeão por apenas um golo de diferença para os rivais da capital portuguesa.
A polémica acabou por ultrapassar as quatro linhas tornando Inocêncio Calabote o primeiro caso conhecido de um árbitro a ser afastado de funções por acusações de corrupção. Note-se, ainda assim, que o castigo nada teve que ver com a alegada arbitragem polémica, mas pelo facto de o árbitro de Leiria ter mentido no relatório de jogo, afirmando que a partida tinha tido início às 15 horas e terminado às 16.42 horas.

Apesar de este ano ter ficado célebre pelas várias razões já mencionadas, esta não foi a primeira vez que Benfica e FC Porto estiveram numa luta titânica até à última jornada. Ainda antes, em 1955/56, águias e dragões estiveram nesta situação, com os azuis-e-brancos a levarem a melhor também na diferença de golos. À data, o FC Porto quebrou um jejum de 16 anos na competição.

A última vez que duas equipas terminaram com os mesmos pontos foi em 1977/78 e o duelo fez-se mais uma vez entre o Benfica e o FC Porto.  

A mesma história, o mesmo final: o dragão voltou a levar a melhor graças à diferença entre golos marcados e sofridos no total dos jogos, num ano em que o Benfica falhou o tetracampeonato – que, aliás, só conseguiu conquistar muito recentemente, sob o comando de Rui Vitória. Naquela época, a diferença de golos ditou que os azuis-e-brancos, à data orientados por José Maria Pedroto, eram os novos campeões de Portugal, após terem sido anulados os confrontos diretos devido aos empates a uma bola registados nos jogos entre ambos.

Refira-se também que esta vitória aconteceu numa altura em que o FC Porto não conquistava qualquer troféu há quase duas décadas.

Benfica pode vingar-se esta época Nas outras três ocasiões em que o campeonato terminou com os dois primeiros classificados empatados, o Benfica perdeu um para o Sporting (1947/48) devido ao confronto direto – um poker de Peyroteo (4-1) na Luz anulou a vitória (3-1) conquistada pelos encarnados em Alvalade, na primeira volta. Diga-se que a águia tem, de resto, um registo negativo no que a este tema diz respeito já que o único título conquistado pelo Benfica no desempate foi com o Belenenses (1954/55), pela diferença de golos. Em sentido contrário está o FC Porto, que perdeu apenas por uma vez um sprint final de uma edição do campeonato, com o Sporting, em 1957/58. 

De regresso ao presente, e numa alturam em que estão disputadas 30 jornadas da Liga portuguesa, o Benfica segue na liderança da prova com os mesmos 75 pontos que o FC Porto e com vantagem em ambos os critérios de desempate, pelo que os encarnados são neste momento a única equipa que só depende de si para conquistar o campeonato. Recorde-se que os encarnados venceram o dragão na Luz (jornada 7) com golo solitário de Seferovic e, mais recentemente, triunfaram na Invicta (2-1), na jornada 24, com golos de João Félix e Rafa Silva. Já em jeito de curiosidade, a diferença de golos é atualmente de 16, a favor dos comandados de Bruno Lage.

A quatro jornadas do final da prova, acredita-se que o Benfica terá a última prova de fogo já no próximo fim de semana, com a deslocação a Braga (jornada 31). Depois do jogo na Pedreira, a águia recebe o Portimonense, segue-se o Rio Ave (fora) e fecha, depois, a época na Luz, ante o Santa Clara. Por sua vez, o FC Porto terá o encontro teoricamente mais difícil na última ronda da Liga, em que irá a Alvalade, medir forças com o Sporting. Antes disso, Sérgio Conceição e companhia vão até ao terreno do Rio Ave, recebem depois o Desp. Aves e viajam até à Madeira, na penúltima jornada da prova, para defrontar o Nacional.

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