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Campeonato. A águia voando por um beco estreito

Campeonato. A águia voando por um beco estreito

Afonso de Melo 22/04/2019 16:43

O Santa Clara exigiu muito do FC Porto, nas Antas, demonstrando que a forma com foi varrido sem apelo da Liga dos Campeões deixou marcas. Agora é esperar que o Benfica mantenha a melancolia apática de Frankfurt.

Vai ser necessário, como é óbvio, esperar pelo resultado desta noite, no Estádio da Luz, entre Benfica e Marítimo, para percebermos se aquela estranha apatia encarnada em Frankfurt, que o atirou para fora da Liga Europa face a um adversário claramente ao seu alcance, não passou de uma hora e meia melancólica ou se os estragos são mais profundos e as ideias de Bruno Laje estão a perder a frescura tal como a forma física de alguns dos seus jogadores.

De cada vez que se disputa uma jornada europeia, sobretudo quando, atingindo-se quartos-de-final, as exigências passam a uma nova ordem de valores, pairam dúvidas sobre a resposta imediata dos nossos representantes continentais na altura de regressarem a casa. Não deixou de ser um facto que, mesmo libertando-se de um muito incómodo Santa Clara, que entrou nas Antas para jogar no campo todo, o FC Porto trazia ainda doridas e por lamber as feridas de uma varridela sem contemplações às mãos de um Liverpool absolutamente de outra galáxia. Entusiasmaram-se muito alguns adeptos azuis-e-brancos que dirimem em jornais a defesa da sua honra por terem visto a sua equipa entrar em campo face aos ingleses numa atitude agressivamente atacante. Ora, que outra solução tinha um conjunto obrigado a vencer por 3-0 para continuar em prova? Que diacho de argumento, convenhamos. E, para quem tinha de vencer por três a zero sair de campo com uma goleada de 1-4, é suficientemente demonstrativo de que abrir a boca para que dela se soltem gabarolices sem sentido já não serve para enganar os incautos.

Rapidamente. Daqui até ao final da época, será um salto mais curto do que perna de canguru. Concentrarão os portistas as suas esperanças na viagem dos benfiquistas a Braga na próxima semana bem mais do que nesta receção ao Marítimo. É possível que as deficiências, sobretudo mentais, exibidas pelos encarnados na Alemanha sirva, agora, para uma injeção de alento superlativa.

Bruno Laje não quis ficar fora de uma batalha psicológica numa fase em que sentiu a sua equipa por baixo. “Sou magrinho mas aguento tudo”, afirmou. Estará, portanto, segundo ele, preparado para os tais cinco tremendos jogos que aí vêm. “Está na hora de aparecer o verdadeiro caráter dos jogadores. Depois cá estarei para fazer o balanço do nosso trabalho. Serei eu o rosto do nosso insucesso na Taça de Portugal e na Liga Europa, mas acredito que estes jogadores vão querer dar uma alegria aos nossos adeptos e que também estaremos cá para festejá-la”.

Percebe-se o discurso. Há um caminho duro a percorrer, pejado de escolhos, o já hoje, contra o Marítimo de Petit, a vitória é indispensável para que o FC porto não ganhe um avanço que pode tornar-se irrecuperável. De repente, quase sem se dar por ela, o Benfica que era favorito na meia-final da Taça face ao Sporting e ganhou o direito de se tornar favorito após a primeira mão na Luz contra o Eintracht, saiu de duas provas pela porta pequena. Já nada mais lhe resta do que o campeonato para que o deserto da época anterior não se repita.

Por seu lado, a eliminação do Benfica, com a vitória por 1-0 em Alvalade, deu ao Sporting uma nova alma. Vai ganhando e ganhando e ganhando. Agora, na Choupana, frente ao Nacional, somou duas consecutivas fora de casa. Para quem entrou nesta época arrasado por tudo o que sucedeu no final da administração de Bruno Carvalho, imaginar que os leões podem estar à beira de juntar a Taça de Portugal à Taça da Liga não pode deixar de abrir muito sorrisos de satisfação.

As vitórias obtidas pela equipa de Marcel Keizer sem intervalos aproximam-na cada vez mais do terceiro posto. E até os meses que passaram a cheirar os calcanhares do Braga parecem ter sido completamente caídos no olvido. Daqui a pouco mais de um mês, a época vai atingir o seu final. Uma época que teve altos e baixos, que viu as principais equipas sofrerem abanões que deram a sensação de irresolúveis, e que deixam um enorme ponto de interrogação sobre o que irá ser a próxima. Convenhamos: nenhum dos projetos parece estar consolidado e ter uma base de sustentação capaz de garantir sucessos futuros. Há, isso sim, uma sensação de experimentalismo e de dúvidas. Talvez a vitória no campeonato possa servir, para Benfica ou FC Porto, encarrilarem definitivamente num princípio de estabilidade estrutural.

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