20/4/19
 
 
João Pais 16/04/2019
João Rebocho Pais
Opinião

opinião@ionline.pt

Onde pára John Ross?

Cerca de vinte e oito anos depois eis que um mar de portugueses volta de novo a sua atenção para o Texas, deixando que o suspense os prenda ao sofá, ansiando por saber o desfecho de um acontecimento por aquelas bandas onde crescem poços de petróleo a cada esquina, chapéus de caubói  nas cabeças dos homens e chifres nos capots dos automóveis.

Depois de JR ter deixado meio Portugal a suster a respiração, perguntando-se tanta gente àquela data quem teria disparado o balázio que ao vilão encomendava a alma, desta feita não foram os Ewing a unir o povo português na inquietação de uma resposta, foram sim os mui lusitanos Oliveira que em pista puseram o seu e nosso Miguel.

Um Miguel que nos vai habituando  a destinar-lhe recuperação maior ainda do que aquela que traria de volta John Ross aos seus inimigos, e se aqueles não eram poucos pois em quantidade nada lhe deverão os seguidores do Falcão.

Hoje, vistas as coisas à distância de quase geração e meia, talvez o sorriso inquietante do mano mais velho do clã texano ganhe sentido, sabendo ele certamente que muito tempo faltaria para que alguém lhe fizesse sombra nas tardes e serões domingueiros vividos em entretém por aquela gente boa e diferente semeada no outro lado do oceano, por entre os lugares de Caminha a Mirando do Douro, de Sagres a Vila Real de Santo António. E se agora, passados quase seis lustros sobre o pum-pum misterioso que haveria de quase matar o JR, se hoje ninguém já se rala com esse momento de tão fraco cavalheirismo que consistiu num balázio em fim de episódio semanal, pois certamente não será ao acaso que o devemos mas sim a esse menino que nos vai encantando a trezentos à hora umas vezes, quase deitado no asfalto noutras. Para as gerações mais recentes, que saem de casa correndo e a teclar enquanto descem os degraus três a três, que antes de chegarem à paragem do autocarro já clicaram, postaram, comentaram, partilharam e esqueceram  uma quantidade de assuntos, será difícil de entender o gabarito de alguém que chega àquelas bandas tão americanas e em três penadas, de sexta a domingo, faz com que de repente se esqueça a família Ewing e o rancho de Southfork e se pense em Austin num circuito que é das Américas, assim mesmo no plural e tudo. E que o faça de punho a fundo na sua austríaca francesa. Esse alguém, minhas senhoras e meus senhores, esse alguém terá de ser especial, seja aos olhos da geração fast-life, de outra mais comedida que serão seus paizinhos e mãezinhas, chegando ainda, e creio não exagerar, até aos dias das gentes do tempo da TV a preto e branco. De todos, estou convicto, será este rapaz merecedor de encómios, aplausos e tempo dedicado. Pontuará, não pontuará? Ficará mais perto de Pol, andará de novo no tu cá e lá com Joahann? ... esta era a preocupação familiar que pairava nas hostes, para tudo terminar com mais dois pontos na classificação, de novo acelerando nos calcanhares do francês campeão Zarco que por lá anda há bem mais tempo.

Posto isto, ganhando eventualmente a concordância do leitor, e enquanto o clã da MotoGP faz as malas lá longe para se pôr a caminho de Jerez aqui perto, onde nos reencontraremos nos inícios de Maio, pergunto-me se não será altura de pensarmos em criar uma onda coletiva, assim ao jeito de coisa viral, o que é hoje um hábito quando o povo acolhe com simpatia uma ideia e a espalha aos sete ventos, logo de seguida aos setecentos ventos e depois ainda aos sete milhares de ventos, rápido criando um ciclone.

 E nessa onda gritarmos bem alto que estamos aqui, com crença e entusiasmo de prontidão, para apoiar nova gente saída de um mundo que parece meio esquecido. Talvez até mais que meio esquecido.

E onde afinal existem ídolos que até o John Ross Ewing metem a um canto.

Aposto que todos juntos conseguiríamos.

Vamos lá então?

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