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Terrorismo. Hicham e Tazi “pareciam o Roque e a amiga”, diz inspetor da PJ

Terrorismo. Hicham e Tazi “pareciam o Roque e a amiga”, diz inspetor da PJ

Mafalda Azevedo Carlos Diogo Santos 05/04/2019 07:10

Ontem juizes ouviram diversas testemunhas por videoconferência e um inspetor da PJ que acompanhou a investigação do início ao fim. 

Um inspetor da Polícia Judiciária que acompanhou toda a investigação a Abdesselam Tazi, suspeito de crimes de terrorismo - explicou ontem em tribunal como se concluiu que o marroquino terá radicalizado Hicham El Hanafi, preso em 2016 em França por ter levado a cabo um atentado.

Segundo Filipe Henriques, esta investigação começou na sequência de uma informação partilhada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras numa reunião da Unidade de Coordenação Antiterrorismo.

“Decidiu-se iniciar a investigação e contactou-se a casa onde eles supostamente viviam em Aveiro, tendo sido dito que tinham ido embora”, disse, esclarecendo que foi nesse momento que a PJ decidiu contactar “os parceiros internacionais a nível Europeu”. A Grécia foi o primeiro país a responder, dizendo que Hanafi havia tentado entrar na Turquia, mas tinha sido proibido.

“Eu recebo todos os sinais e informações e as tentativas de ir para a Síria eram pela Turquia “, lembrou o inspetor, concluindo que nessa altura “a Turquia começou a devolver aos países de origem os indivíduos que aparecessem sozinhos e só com bilhete de ida”. Foi isso que terá acontecido a Hicham, adiantou, acrescentando que “a Grécia informou ainda que ao ser devolvido comprou bilhete para vir para Portugal”.

Pouco tempo depois a PJ localizou os dois suspeitos em Aveiro, mas noutra casa, na Travessa doutor Mário Sacramento: “Foi feita uma monitorização em 2015 e voltaram a desaparecer. Recebemos informações nessa altura das autoridades alemãs a dizer que estavam lá. Vieram depois em dezembro e regressaram à Alemanha, voltaram a Portugal no início de 2016, em maio e em junho, regressando sempre à Alemanha”, explicou o investigador, adiantando que a partir daí lhes perderam o contacto: “O Tazi foi preso e as autoridades alemãs nunca nos informaram.”

Hicham acabaria por ser preso no final de 2016 em território francês.

“Quando os indivíduos estavam em Portugal usavam sempre cartões de crédito com nomes diferentes dos deles. Hotéis e equipamentos topo de gama eram comprados com esses cartões que não lhes pertenciam e eram vendidos em Marrocos. Depois era devolvido o dinheiro para eles se financiarem”, explicou o inspetor, lembrando que também foram recebidas quantias de indivíduos da Bélgica: “Segundo as autoridades belgas, através da Europol, o dinheiro proveniente de foreign fighters [estrangeiros que tinham ido para a Síria] era distribuído pela Europa para financiar indivíduos”.

No quarto onde ambos viviam em Aveiro só havia uma cama e não se conseguia distinguir o que era de um e de outro: “Só tinham uma cama individual, mesas de cabeceira e roupeiros cheios de documentos. Estava tudo misturado. Não conseguimos perceber lógica. Havia documentos com o nome do Tazi em todas as malas e em todas havia também documentos com o nome do Hicham”.

Nas vigilâncias também foi possível ver o ascendente de Tazi sobre Hicham, que não falava com ninguém: “Não abordavam ninguém, andavam sempre os dois tipo Roque e a Amiga, sempre juntinhos”.

O resto do dia foi dedicado a ouvir outras testemunhas por videoconferência, como funcionários de hotéis onde Hicham e Tazi ficaram e a senhoria de Aveiro. Todos confirmaram o ascendente que Tazi exercia sobre o marroquino mais novo.

A próxima sessão do julgamento será na quinta-feira. Ontem o tribunal viu a sua segurança ser reforçada depois de na segunda feira estar presente uma japonesa-mistério que se apresentou como sendo da embaixada do Japão, informação que a embaixada desmentiu ao i.

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