20/9/19
 
 
Filipe Baptista 04/04/2019
Filipe Baptista

opiniao@newsplex.pt

Ainda o 5G

O que queremos que Portugal seja nos próximos 20 anos? Que setores vamos eleger como fundamentais? Que competitividades queremos privilegiar? 

Há duas semanas atrás partilhei algumas reflexões sobre o 5G: o que era, para que servia, e sobretudo sublinhei a necessidade de se olhar para esta próxima geração móvel como uma ferramenta, e não apenas como uma tecnologia.

Tentei sustentar este conceito, ou ideia, não do ponto de vista técnico, mas sobretudo através de uma abordagem estratégica. E continuo convicto de que o 5G deve ser encarado como uma poderosa ferramenta para projetar o futuro do nosso país a médio/longo prazo.

O que queremos que Portugal seja nos próximos 20 anos? Que setores vamos eleger como fundamentais? Que competitividades queremos privilegiar? Em resumo, que Portugal queremos?

Para sair do campo da teoria e da especulação, propus-me realizar um pequeno exercício: pegar na lei n.o 70/2018, de 31 de dezembro de 2018, que estabelece as Grandes Opções do Plano, e traçar algumas diretrizes de como o 5G pode promover as mesmas.

No seu artigo 3.o são elencados os compromissos e as políticas que se pretendem promover. Em concreto, a aposta vai para: a qualificação dos portugueses; a promoção da inovação na economia; a valorização do território; a modernização do Estado; a redução do endividamento da economia; e o reforço da igualdade e da coesão social.

Peguemos em duas delas e façamos um exercício prático: a promoção da inovação na economia portuguesa e a valorização do território.

As linhas estratégicas de promoção da inovação na economia portuguesa centram-se, sobretudo, na I&D. No desafio do desenvolvimento científico e tecnológico, na cooperação entre ciência e empresas e na transferência desse conhecimento para a economia. A implementação do 5G deve ser feita de forma cirúrgica. Designadamente, orientando a sua implementação e os investimentos necessários no reforço do conhecimento (leia-se introdução do 5G em polos de ensino). Paralelamente, apostar na promoção da cooperação com associações empresariais, clusters e empresas, junto dos centros de conhecimento e, desta forma, concretizar materialmente este objetivo. Ou seja, o investimento e cruzamento destas duas realidades originariam resultados palpáveis, competitividade e inovação material.

Seria ainda fundamental segmentar esta iniciativa com as especificidades setoriais e territoriais do país. Por exemplo, o parque industrial de Sines alinhado com os centros de investigação nas áreas das indústrias transformadoras e ambiente. Ou até das infraestruturas tecnológicas como sejam data centers ou atração de OTT, em virtude das amarrações de cabos submarinos ali existentes. 

Seguindo esta linha, estaríamos também a promover um ambiente de potencial criação de novas empresas e novas ofertas, e a sua integração em novas cadeias de valor. Mas estaríamos também a entrar já no segundo compromisso - o da valorização do território. Como?

De acordo com a lei n.o 70/2018, a prossecução deste objetivo é garantida através de políticas públicas que, de forma integrada, afunilam na promoção do desenvolvimento territorial com um fim: ter um país mais competitivo, coeso e sustentável. Isto só é possível atraindo e fixando pessoas sobretudo fora dos grandes centros urbanos (falamos de políticas de habitação e de regeneração urbana, de promoção do emprego, de eficiência energética e de inovação social).

Assim, ligando com o exemplo anterior e olhando sempre de um plano elevado, a utilização do 5G permitiria valorizar o território, promovendo o uso tecnológico para um melhor aproveitamento dos recursos endógenos. Ou, simplesmente, uma eficiente utilização dos recursos como a água, a energia, o litoral, os valores naturais ou a biodiversidade. 

O aproveitamento eficiente destes fatores é hoje apenas possível através da inovação tecnológica, só possível com investimento. A chave, ou a ferramenta, que temos à nossa mercê para o concretizar, hoje e num futuro próximo, é o 5G. 

A expetativa continua a ser enorme e está em aberto, pelo menos até julho, altura em que teremos de apresentar à Comissão Europeia o plano do 5G para Portugal. A minha expetativa é que esse plano contemple um manual de instruções de como utilizar corretamente esta ferramenta.

 

Escreve à quinta-feira

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